Superbactérias acendem alerta entre militares dos Estados Unidos; entenda
Médicos que atuam na Ucrânia já haviam relatado aumento de infecções causadas por microrganismos resistentes a medicamentos
Internacional|Do R7
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A presença de bactérias resistentes a múltiplos antibióticos já começa a preocupar as Forças Armadas dos Estados Unidos. Militares americanos recentemente retirados do Oriente Médio apresentavam microrganismos resistentes a medicamentos.
Os dados foram apresentados por Clinton Murray, chefe do serviço médico do Estado-Maior Conjunto dos EUA e especialista em doenças infecciosas, durante um simpósio militar realizado na Flórida. Dos 33 soldados analisados, aproximadamente um terço carregava bactérias resistentes a antibióticos, destaca o Business Insider.
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Segundo Murray, apenas um desses militares desenvolveu uma infecção ativa. Os demais estavam apenas colonizados pelos microrganismos, ou seja, as bactérias estavam presentes no organismo, mas sem provocar doença naquele momento.
Apesar disso, o especialista alertou que o problema tende a crescer. Na avaliação dele, a resistência antimicrobiana será um dos principais desafios da medicina militar nas próximas décadas, especialmente em cenários de guerra prolongada.
Em conflitos de grande intensidade, soldados gravemente feridos podem permanecer dias ou até semanas aguardando evacuação médica. Durante esse período, ferimentos ficam mais expostos à contaminação por terra, destroços e diferentes tipos de bactérias. Depois do resgate, esses pacientes costumam passar por hospitais de campanha e centros médicos lotados, ambiente que favorece a disseminação de infecções.
A experiência recente da guerra na Ucrânia reforça essa preocupação. Conforme destacou o Business Insider, médicos que atuam no conflito relatam um aumento expressivo de infecções causadas por bactérias multirresistentes entre soldados submetidos a múltiplas cirurgias após sofrerem queimaduras, explosões de drones e ferimentos provocados por estilhaços.
Especialistas ouvidos pelo Business Insider afirmam que a evolução das bactérias ocorre em ritmo superior ao desenvolvimento de novos antibióticos, reduzindo gradualmente a eficácia dos tratamentos disponíveis. Por isso, pesquisadores defendem que as forças militares ampliem os investimentos em alternativas terapêuticas e em tecnologias capazes de detectar infecções logo nos primeiros estágios.
A resistência antimicrobiana já é considerada uma ameaça crescente para a saúde global. Um estudo publicado em 2024 na revista científica The Lancet estimou que esse problema poderá provocar mais de 8 milhões de mortes por ano até 2050, caso novas estratégias de prevenção e tratamento não sejam desenvolvidas.
O tema também começou a ganhar espaço no Congresso americano. Embora uma proposta da nova lei de defesa não obrigue o Pentágono a adotar medidas específicas, o texto recomenda ampliar investimentos em prevenção de infecções, diagnóstico precoce e tratamento completo de ferimentos de guerra.
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