Internacional União Europeia aceita candidaturas da Ucrânia e Moldávia ao bloco

União Europeia aceita candidaturas da Ucrânia e Moldávia ao bloco

Países passarão pelo processo de análise do grupo, que pode levar alguns anos para ser concluído

AFP

Resumindo a Notícia

  • União Europeia aceitou candidaturas da Ucrânia e Moldávia ao bloco
  • Países passarão por análise detalhada que pode levar anos para ser concluída
  • Anúncio foi recebido com otimismo por Volodmir Zelenski, presidente da Ucrânia
  • Líderes de outros países que aguardam a entrada no bloco lamentam demora
Manifestantes reivindicam a entrada da Ucrânia na União Europeia

Manifestantes reivindicam a entrada da Ucrânia na União Europeia

Nicolas Maeterlinck/Belga/AFP - 23.06.2022

Os países da União Europeia concordaram nesta quinta-feira (23) em conceder à Ucrânia e à Moldávia o status de países candidatos à adesão ao bloco, embora tenham mantido um grupo de candidatos dos Bálcãs Ocidentais na sala de espera.

O anúncio do acordo sobre a Ucrânia e a Moldávia foi formulado pelo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, que comemorou "um dia histórico". A decisão, adotada no primeiro dia da cúpula europeia em Bruxelas, ocorre quatro meses depois do início da ofensiva da Rússia contra a Ucrânia.

"Nosso futuro é juntos", afirmou Michel no Twitter.

O processo completo de adesão à União Europeia, que atualmente conta com 27 países-membros, pode, no entanto, levar anos para ser efetivado.

"É um momento único e histórico nas relações entre a Ucrânia e a União Europeia", tuitou o presidente ucraniano Volodmir Zelenski. Ele disse também que "o futuro da Ucrânia está dentro do bloco".

Quanto à Geórgia, outra ex-república soviética que aspira a aderir à União Europeia, o bloco definiu que o país deve avançar em suas reformas para alcançar o status de candidato. O presidente georgiano Salomé Zurabishvili respondeu que o país estava "disposto a trabalhar com determinação" para alcançar esse objetivo.

"Sinal muito forte"

A Ucrânia inicialmente queria que a União Europeia aceitasse sua adesão imediata para neutralizar a ofensiva militar russa em seu território, mas os europeus afirmaram que há um procedimento lento que deve ser aplicado.

No entanto, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta quinta-feira (23) que o gesto de conceder à Ucrânia esse status era um "sinal muito forte" do bloco para a Rússia.

"Devemos isso aos ucranianos, que lutam para defender nossos valores, sua soberania e sua integridade territorial, e devemos também à Moldávia, se levarmos em consideração a situação política de desestabilização" que esse país atravessa, declarou.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, salientou que foi "um excelente dia para a Europa". Pouco após a decisão ser adotada, Zelenski participou da cúpula dos líderes europeus por videoconferência para expressar sua gratidão pelo gesto.

Ucrânia, Moldávia e Geórgia são três países que fizeram parte da extinta União Soviética ou de sua área de influência. Recentemente, eles se distanciaram de Moscou, embora tenham territórios sob controle de forças pró-russas.

Indignação

O entusiasmo com a concessão do status à Ucrânia e à Moldávia e a "perspectiva europeia" com relação à Geórgia contrastaram nesta quinta-feira com a indignação dos países dos Bálcãs Ocidentais que há anos aguardam pacientemente para serem adicionados ao bloco.

A Macedônia do Norte é candidata formal à adesão desde 2005; Montenegro, desde 2010; a Sérvia, desde 2012; e a Albânia, desde 2014.

Esses quatro países realizaram uma cúpula com líderes europeus na manhã desta quinta-feira e, no fim dessa reunião, as partes cancelaram uma entrevista coletiva conjunta que havia sido agendada anteriormente.

"Bem-vinda, Ucrânia. É bom que o status [de país candidato] seja reconhecido para a Ucrânia. Mas espero que os ucranianos não tenham ilusões", disse o primeiro-ministro albanês Edi Rama, sem esconder sua irritação.

Rama e seus colegas da Macedônia do Norte e Sérvia acabaram concedendo uma coletiva de imprensa improvisada, às pressas, sem a presença de líderes europeus.

Essas candidaturas colidem com o veto da Bulgária, que mantém uma tensão política com a Macedônia do Norte. Na opinião de Rama, a posição búlgara é "uma vergonha". Ele lamentou que os demais países da União Europeia "permaneçam sentados impotentes".

Últimas