Universidade de Xangai fez pesquisas com exército acusado de ciberataques
Internacional|Do R7
Xangai (China), 25 mar (EFE).- Vários professores da Universidade de Jiaotong, em Xangai, um dos centros educativos mais prestigiados da China, assinaram pesquisas conjuntas com membros da Unidade 61398 do Exército Popular de Libertação chinês (EPL), acusado em fevereiro de ciberataques contra os Estados Unidos. O jornal "South China Morning Post" divulgou nesta segunda-feira que são conhecidos pelo menos três documentos de pesquisa acadêmica sobre assuntos de guerra cibernética assinados por professores da Jiaotong e pesquisadores dessa unidade do EPL, localizada em Gaoqiaozhen, no afastado distrito suburbano de Pudong. Com isso, parece se confirmar a recente colaboração entre a Escola de Engenharia de Segurança da Informação (SISE) de Jiaotong e essa polêmica unidade militar, especializada na defesa e espionagem cibernética. Um dos relatórios localizados pela imprensa é uma pesquisa de 2007 sobre como melhorar a segurança cibernética através de sistemas de controle baseados na colaboração de distintas redes, e está assinado por um engenheiro do EPL, Chen Yiqun, e pelo vice-presidente da SISE, Xue Zhi. Segundo sua biografia no site da própria SISE, Xue é responsável pela criação da principal plataforma chinesa de ataques e espionagem de computadores, mas nem Xue nem a Jiaotong aceitaram falar sobre este assunto com a imprensa. Outro professor da universidade, Fan Lei, especialista em criptografia e gestão de redes de segurança digital, também assinou outra pesquisa com Chen. O jornal não menciona sobre o que se trata o terceiro documento assinado conjuntamente entre pessoas das duas organizações, nem quem o assina. Apesar desta relação, não há nenhuma prova que o pessoal da Jiaotong tenha trabalhado com alguém envolvido diretamente em operações de espionagem digital, já que também não se demonstrou por enquanto, embora pareça provável, que essa unidade do exército chinês seja a responsável por ataques contra instituições dos EUA. Essas acusações foram publicadas em fevereiro pela empresa americana de segurança digital Mandiant, que desde 2006 registrou ataques, que aumentaram a partir de 2010, contra empresas e entidades de mais de 20 setores nos EUA, de empresas contratadas pelos militares até indústrias químicas e companhias de telecomunicações. A Mandiant identificou que estes ataques tem origem em um grupo muito organizado e sistemático de especialistas, e os chamou de Ameaça Persistente Avançada 1 (RPT-1, em inglês). A companhia acredita que provavelmente é o Terceiro Departamento do Segundo Escritório do Departamento de Pessoal Geral do EPL. "Unidade 61398" é a denominação em código, ou "Designação de Cobertura de Unidade Militar", deste departamento de cibersegurança do EPL, que opera em um conjunto de edifícios não identificados, mas com guarda militar na porta, em Gaoqiaozhen, em cujo bairro a Mandiant localizou a origem física dos ataques. "Combinando nossa observação direta com nossos achados cuidadosamente investigados e comparados, acreditamos que os fatos só deixam duas possibilidades", disse a empresa americana em seu relatório de fevereiro passado. "Ou é uma organização secreta e com recursos, cheia de falantes de chinês com acesso direto à infraestrutura de telecomunicações instalada em Xangai, que está envolvida em uma campanha de espionagem cibernética industrial em grande escala bem perto da Unidade 61398, com tarefas similares a da missão conhecida da Unidade 61398, ou a RPT-1 é a Unidade 61398", afirmou. A China negou repetidamente que esteja apoiando esse tipo de ataque, e garantiu que é vítima de vários ataques vindos dos EUA. EFE jad/rpr











