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Veja o que esperar da Assembleia Geral da ONU, o maior evento da diplomacia mundial

Apesar das críticas, a organização continua sendo um fórum essencial para o diálogo global e a resolução de conflitos

Internacional|Max Saltman e Jennifer Hansler, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Assembleia Geral da ONU deste ano tem como tema "Restaurando a confiança, administrando a transformação".
  • António Guterres, secretário-geral da ONU, realiza sua última coletiva antes de deixar o cargo, destacando a importância da Inteligência Artificial.
  • Donald Trump e outros líderes mundiais participam de encontros paralelos, com foco em temas como a guerra com o Irã e segurança na Groenlândia.
  • O evento serve como palco para discursos de líderes como Luiz Inácio Lula da Silva e Mahmoud Abbas, além de discussões sobre a sucessão de Guterres.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

António Guterres destacou a importância da IA e a necessidade de uma ONU eficaz Leonardo Munoz/AFP/Getty Images via CNN Newsource

Não temam, líderes mundiais — a notória escada rolante da ONU (Organização das Nações Unidas) foi consertada a tempo para o maior evento da diplomacia no ano.

Foi isso o que o secretário-geral da ONU que está deixando o cargo, António Guterres, disse a repórteres em sua última coletiva de imprensa antes da Assembleia Geral desta semana, que reunirá centenas de diplomatas e líderes mundiais na sede da ONU em Nova York.

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No ano passado, o presidente dos EUA, Donald Trump, acusou a ONU de sabotagem depois que a escada rolante em que estava enguiçou enquanto ele se dirigia ao Salão da Assembleia Geral.

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“Posso dizer que tomamos medidas adicionais para garantir que quem circular por aqui não interaja negativamente com a escada rolante”, disse Guterres na quarta-feira (23).

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Além de interações negativas com transportadores de pessoas, a Assembleia Geral da ONU tem muito trabalho pela frente, e o tema deste ano é “Restaurando a confiança, administrando a transformação: Uma Organização das Nações Unidas que entrega resultados para todos”.

A Assembleia Geral também começa às vésperas da saída do próprio Guterres de seu cargo no fim do ano, enquanto preocupações sobre modelos emergentes de IA (inteligência artificial) pairam sobre as deliberações.

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Eis o que esperar enquanto o “debate geral” da AGNU (Assembleia Geral das Nações Unidas) — em que líderes e autoridades se revezam discursando no emblemático púlpito de pedra da organização — começa na terça-feira (22).

Acordos e reuniões

A alta densidade de diplomatas e líderes mundiais faz da AGNU um ponto privilegiado para reuniões à margem do evento principal.

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Trump tem previsão de se reunir na terça-feira com líderes de estados árabes do golfo Pérsico para discutir a próxima fase da guerra com o Irã, informaram duas autoridades dos EUA à CNN Internacional.

Também haverá uma sessão informativa de “alto nível” para o Conselho de Paz de Trump durante a semana, informou uma fonte familiarizada com o assunto à CNN Internacional.

É uma justaposição notável, considerando que Trump sugeriu certa vez que o conselho, destinado a supervisionar a reconstrução de Gaza, “poderia” eventualmente substituir a ONU.

Enquanto isso, a França planeja convocar uma reunião de acompanhamento nesta semana sobre a solução de dois estados para o conflito israelo-palestino, disseram fontes diplomáticas.

A França e vários outros países ocidentais anunciaram o reconhecimento do Estado da Palestina durante os trabalhos da AGNU no ano passado.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que realizará uma reunião com Trump em Nova York, como fez no ano passado.

O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e Jared Kushner se reuniram separadamente com Zelensky em Kiev e com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou, no início deste mês. Trump falou apenas com Putin nas semanas seguintes a essa visita.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, declarou que se reuniria com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, de acordo com a mídia estatal russa.

A Assembleia Geral também é um lugar onde acordos são fechados ou formalizados.

Meses depois de ameaçar anexar a Groenlândia pela força, espera-se que Trump assine um acordo negociado com a Dinamarca e a Groenlândia que concederia aos EUA o “controle permanente” sobre a segurança groenlandesa. Não está claro como o pacto se diferenciaria dos arranjos atuais, que concedem aos EUA uma ampla presença militar na ilha.

Quem vai discursar?

Os discursos proferidos do púlpito da Assembleia Geral costumam atrair atenção tanto pelo comportamento da plateia quanto pelos próprios oradores.

No ano passado, inúmeros delegados deixaram o auditório enquanto o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, discursava. Em 2018, delegados rindo interromperam o discurso de Trump enquanto ele detalhava as realizações de seu governo.

Daniel Forti, chefe de assuntos da ONU no International Crisis Group, afirmou à CNN Internacional que a lista de oradores definirá o tom da assembleia deste ano.

“Embora pareça que temos mais de 130 chefes de Estado ou de governo vindo, na verdade teremos um quadro muito mais misto em termos dos sinais que os líderes mundiais estão transmitindo à ONU”, disse Forti.

Uma grande dúvida é se o líder chinês Xi Jinping fará uma aparição surpresa em Nova York.

Xi deve comparecer a Washington para uma visita de Estado enquanto a Assembleia Geral estiver em andamento.

“Será uma tela dividida muito difícil para a organização se você tiver Trump e Xi se reunindo em Washington, e não tiver ambas as maiores potências do mundo participando da diplomacia da ONU durante a Semana de Alto Nível”, disse Forti.

Questionado sobre a agenda de Xi, Guterres afirmou aos repórteres que, embora “gostasse de ter o presidente Xi Jinping conosco”, reuniu-se com ele “duas vezes no mês passado” e não está preocupado com o compromisso do líder chinês com “uma ordem mundial baseada no multilateralismo com a ONU em seu centro”.

Outros oradores de destaque incluem o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que falará primeiro na terça-feira, e Netanyahu, que discursará na quinta-feira (24), segundo uma lista preliminar.

A presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, fará sua estreia na ONU na quinta-feira, enquanto seu antigo chefe, o presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, permanece preso a meros quilômetros de distância (poucos quilômetros) no Brooklyn.

A previsão é de que Rodríguez se encontre com Trump antes de seu discurso.

O presidente da AP (Autoridade Palestina), Mahmoud Abbas, está agendado para falar na quinta-feira antes de Netanyahu.

No entanto, o governo Trump negou novamente o visto a Abbas, de modo que ele certamente se pronunciará no plenário por vídeo.

Mesmo negando vistos a autoridades palestinas, a administração permitirá que a “delegação principal” do Irã, que incluirá o presidente Masoud Pezeshkian, viaje a Nova York.

“De acordo com nossas obrigações como país anfitrião, a delegação principal do regime iraniano poderá participar da Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU”, declarou um porta-voz do Departamento de Estado na quinta-feira.

“A delegação estará sob restrições de deslocamento e enfrentará proibições à compra de artigos de luxo e outros bens de acordo com nossa política de (sanções)”, afirmaram. “A delegação é menor do que no ano passado.”

O pronunciamento de Pezeshkian em Nova York, enquanto seu país está ativamente envolvido em combates com os Estados Unidos, é algo praticamente sem precedentes.

O equivalente internacional mais próximo talvez seja a visita de 1977 do presidente egípcio Anwar Sadat a Israel, enquanto os dois países estavam tecnicamente em guerra — mas mesmo isso fazia parte de um processo de paz mais amplo.

Pezeshkian viajará para Nova York na terça-feira, informou um representante de seu gabinete na segunda-feira (21), de acordo com a mídia estatal iraniana.

Adeus, ONU

Haverá algumas despedidas notáveis na ONU este ano: Emmanuel Macron, da França, fará sua última aparição na Assembleia Geral, assim como Guterres.

A corrida para substituir Guterres antes do fim do ano estará na mente de muitos participantes, destacou Forti.

O atual secretário-geral é o “último de uma era anterior de líderes globalistas” e dedicou grande parte de seus dez anos de mandato com foco no financiamento do desenvolvimento, nas mudanças climáticas e no preparo da ONU para o avanço da inteligência artificial.

O último ponto é especialmente importante para o líder prestes a deixar o cargo; Guterres dedicou mais da metade de sua última coletiva de imprensa para falar sobre IA.

“A inteligência artificial certamente será um tema central nas minhas discussões com líderes mundiais na próxima semana — e as Nações Unidas continuarão a explorar ideias e abordagens práticas nos próximos dias”, afirmou Guterres a repórteres.

Após várias semanas de alertas apocalípticos sobre a tecnologia, a IA é um dos assuntos mais destacados na AGNU este ano.

Na segunda-feira, figuras da indústria de tecnologia, diplomatas e o ator Joseph Gordon-Levitt se reúnem para uma conferência sobre “Cooperação Digital”.

O Conselho de Segurança tem previsão de se reunir sobre IA na quarta-feira, e os EUA sediarão outro evento no mesmo dia.

Guterres tem sido vocal sobre IA desde 2021, e seu foco na tecnologia emergente pode ter ocorrido às custas de seu papel tradicional de promover os esforços de manutenção da paz da ONU, disse Forti.

“Guterres certamente foi muito conservador e cauteloso em relação ao papel da ONU na paz e na segurança”, afirmou. “Ele certamente não aproveitou ao máximo o mandato e a legitimidade que a ONU possui para tentar inserir a organização em mais esforços de construção da paz.”

O último discurso do secretário-geral é a sua oportunidade de defender o seu mandato à frente da ONU, acrescentou Forti.

“Pode não surtir efeito”, declarou o analista, “mas, a longo prazo, talvez haja reflexões mais positivas sobre como ele lutou durante um período muito difícil.”

Uma votação informal preliminar do Conselho de Segurança da ONU para o sucessor de Guterres foi realizada na sexta-feira (25), com fontes dizendo à Reuters que a ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan tem uma ligeira vantagem.

Os EUA ainda não apoiaram formalmente nenhum candidato. No entanto, um porta-voz do Departamento de Estado disse que os candidatos devem “se comprometer publicamente com as mudanças que exigimos”.

“Qualquer novo secretário-geral deve devolver a ONU ao seu propósito primordial de manter a paz e a segurança no mundo, em vez da ideologia absurda, politizada e woke que minou a eficácia da instituição”, declarou o porta-voz.

Dinheiro, dinheiro, dinheiro

A Assembleia Geral de 2026 encontra a ONU em uma situação financeira mais estável do que no ano passado, quando a entidade enfrentou uma grave crise orçamentária após os EUA ameaçarem cortar totalmente os repasses à organização.

O governo Trump parece ter reconsiderado, ao menos, parte de seu ceticismo em relação à ONU.

Antes da Assembleia Geral, o governo dos EUA enviou à ONU US$ 827 milhões (cerca de R$ 4 bilhões, na cotação atual) em contribuições atrasadas — uma fração dos aproximadamente US$ 4 bilhões (cerca de R$ 20 bilhões, na cotação atual) que os EUA devem à ONU, mas uma quantia nada insignificante para um órgão que em janeiro enfrentava um “colapso financeiro iminente”.

Ainda assim, a Assembleia Geral da ONU tem servido cada vez mais como fórum para seus críticos questionarem se ela realmente tem relevância. No ano passado, Trump perguntou à assembleia à queima-roupa: “Qual é o propósito das Nações Unidas?”

“Ela tem um potencial tremendo, tremendo, mas não está nem perto de atingir esse potencial, na maior parte do tempo”, disse Trump. “Ao menos por enquanto, tudo o que parecem fazer é redigir uma carta com termos muito duros e depois nunca dar seguimento a essa carta. São palavras vazias, e palavras vazias não resolvem guerras.”

Apesar dos questionamentos sobre a legitimidade da ONU e de sua crescente marginalização, Forti insiste que as Nações Unidas ainda importam.

“Neste momento do cenário mundial, em que temos mais guerras do que nas décadas anteriores… todos ainda precisam de um lugar para se reunir, reduzir tensões e definir regras de conduta”, afirmou o analista.

“E, com toda a franqueza, a ONU é a única organização com a legitimidade, com os mandatos legais e com a capacidade de reunir todos os Estados do mundo para efetivamente enfrentar essas questões.”

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