Venezuela conta as horas para as eleições presidenciais
Internacional|Do R7
José Luis Paniagua. Caracas, 12 abr (EFE).- A Venezuela conta as horas para as eleições presidenciais do próximo domingo, enquanto as autoridades eleitorais aprontam o material e o equipamento de votação, ao passo que continuam as denúncias sobre supostos complôs. As acusações e as denúncias que marcaram a campanha e a pré-campanha durante as últimas semanas não diminuíram pelo fato de os venezuelanos terem entrado nos dias de reflexão anteriores às eleições, nos quais o país elegerá no domingo o primeiro presidente diferente de Hugo Chávez em 14 anos. A lembrança do 11º aniversário do golpe que durante quase 48 horas tirou do poder o falecido presidente foi nesta sexta-feira objeto da controvérsia, por causa da transmissão de um documentário e das avaliações feitas pelo presidente encarregado e candidato chavista, Nicolás Maduro, de uma data que associou com "a burguesia". O canal estatal "VTV" transmitiu um documentário intitulado "Asedio una embajada", no qual questiona o papel desempenhado pelo candidato opositor, Henrique Capriles, durante os dias do golpe em 2002, quando era prefeito do município de Baruta, onde fica a embaixada de Cuba, que foi sitiada e atacada. "A 'VTV' violando descaradamente a legislação eleitoral! Sra Lucena Ud fará cumprir a Lei? A campanha terminou ontem!", disse Capriles em sua conta no Twitter, em alusão à presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena. A presidente do órgão eleitoral, muito questionada pela oposição por considerar que favorece de forma evidente o Governo, replicou que "no Twitter não se põem denúncias, se podem pôr aqui no CNE". "No Twitter não são feitas denúncias, elas podem ser feitas aqui no CNE. Os fatos de abril do ano de 2002 são fatos históricos, o Conselho não pode dizer que apaguem essa parte da história", disse Lucena. No primeiro dos dois dias de reflexão, Maduro fez uma avaliação sobre o que foi o golpe de Estado contra o homem que no dia 8 de dezembro o escolheu como sucessor. "Isso te mostra o que é o verdadeiro pensamento político da burguesia quando volta ao poder, sobretudo quando vem a partir de uma contrarrevolução que vem acabar com uma revolução, vem com tudo, para acabar com tudo", alertou Maduro, em alusão aos desmandos que ocorreram na época. Maduro também aproveitou para voltar a mencionar supostos planos de atentado no país, mas foi o vice-presidente, Jorge Arreaza, que tomou a palavra para explicá-los. "Desmontamos um plano que tentaria afetar o processo eleitoral ou pós-eleitoral", disse Arreaza, em entrevista coletiva junto com o ministro da Defesa, Diego Molero, e o do Interior, Néstor Reverol, transmitida pelo canal estatal. As denúncias no entanto giraram em torno da apreensão de "carregadores de fuzil", uma tentativa de alguns jovens de entrar na base área de La Carlota, em Caracas, e pessoas que supostamente fizeram-se passar por militares. As autoridades falaram que há três cidadãos detidos e outros dois sendo procurados, um deles com "antecedentes por tráfico de armas". Consultado sobre as denúncias do Governo, Ramón Guillermo Aveledo, coordenador político estratégico da equipe de Capriles, as qualificou de "boatos" e advertiu que estas ações buscam "apavorar", "intimidar" e "afastar os eleitores das mesas de votação". "Essas denúncias no que diz respeito a nós são completamente falsas, nós não temos nada a ver com isso. Nós queremos mudar o Governo por esta via, pela via constitucional, pela via democrática", assegurou Aveledo em entrevista coletiva. Enquanto isso, o CNE concluiu a entrega do material eleitoral às 39.018 mesas de votação que abrirão no domingo para que quase 19 milhões de venezuelanos possam votar. O chefe do Plano República, operação militar ativada nos processos eleitorais, o general Wilmer Barrientos, assegurou nesta sexta-feira que o país se encontra "em completa calma", apesar de que este tipo de evento sempre traz "um certo nervosismo. EFE jlp/ma (foto) (vídeo)











