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Veterano da luta por direitos civis defende vítimas de assédio nos EUA

Fundo de ajuda legal para vítimas de assédio sexual criado pelo movimento #MeToo ajuda mulheres sem condições financeiras a buscar seus direitos

Internacional|Fábio Fleury, do R7

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Robert Vance passou a atender vítimas de assédio
Robert Vance passou a atender vítimas de assédio

Durante quase quatro décadas, o advogado norte-americano Robert Vance atuou em casos de direitos civis (que incluem discriminação racial e xenofobia) e trabalhistas, especialmente no estado da Pensilvânia, onde trabalha. Desde o ano passado, no entanto, o foco dele mudou.

Vance é um dos 721 advogados dos EUA que se inscreveram para defender vítimas de assédio e abuso sexual no fundo legal Time's Up, o braço jurídico do #MeToo. Apesar do movimento ser liderado por atrizes e cantoras, mulheres de todos os tipos de origem passaram a denunciar assédios.


Leia também: O que a campanha #MeToo conseguiu mudar de fato?

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O fundo foi criado por meio de doações, justamente para financiar os custos jurídicos das vítimas em má situação econômica, já que muitas perdem empregos ou fontes de renda quando fazem suas denúncias. Lançado em janeiro de 2018, o Time's Up recebeu cerca de US$ 24 milhões (cerca de R$ 98 milhões) em doações e já pagou os custos de 160 casos.


Em um deles, Vance defendeu Malin DeVoue, que trabalhava como chef em um hotel de Filadélfia e foi demitida após denunciar que sofria assédio de um colega de trabalho. O advogado, que conseguiu fechar um acordo para sua cliente, falou em entrevista ao R7 sobre a importância do fundo.

R7 — Como é para você, com sua carreira tão voltada para discriminação em relações trabalhistas, poder trabalhar com casos tão sensíveis agora? 


Robert Vance — É a continuação do trabalho que eu tenho feito nos últimos 35 anos representando vítimas de discriminação e assédio. Me sinto privilegiado por poder lutar por pessoas que, de outra maneira, não teriam ninguém para lutar por elas.

Como o fundo Time's Up está ajudando na luta contra o assédio?


O Time's Up tem sido essencial e está ajudando a virar o jogo na luta contra o assédio sexual, entre outras formas. Com a ajuda do fundo, advogados como eu podem devotar todo o tempo e recursos necessários para buscar justiça para nossas clientes. Muitas delas não têm condições de bancar os gastos jurídicos.

Qual a importância dos doadores para essa luta?

Não dá para estimar a importância dos doares. É essencial que as pessoas que detestam a discriminação e o assédio, e que tenham os recursos para colaborar com aqueles que não têm, continuem a doar para o Time's Up. Não tenho dúvida que precisamos da ajuda de todos para que a luta contra a discriminação e o assédio seja bem-sucedida.

A luta contra o assédio que existe hoje é semelhante à luta pelos direitos civis que aconteceu nos EUA?

A luta contra o assédio, tanto sexual quanto suas outras formas, é na verdade uma luta pelos direitos civis porque todos temos o direito de NÃO sermos assediados ou sofrer discriminações.

Existe algum aspecto nos casos de assédio que podemos destacar e combater, do mesmo modo que o racismo nos casos de direitos civis?

Sim. Uma parte importante de fazer esse tipo de casos é mudar a cultura de assédio e discriminação que deu origem a esses casos. Por meio dessa luta, a esperança é que as atitudes da sociedade sobre assédio e discriminação possam mudar, de modo a mostrar o quanto essas coisas são repugnantes e, além disso, mostrar que são pessoas reais, não abstratas, que têm suas vidas impactadas de modo extremamente negativo pelo assédio e a discriminação.

Você vê uma melhora na sociedade como resultado de processos como os financiados pelo Time's Up?

A ideia é essa mesmo, mudar a visão da sociedade sobre assédio e discriminação. Certamente tem havido mais atenção para esses problemas e seus efeitos danosos, o que só pode melhorar a sociedade como um todo.

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