Violência na Nigéria continua e presidente pede respeito às leis

Lagos, maior cidade do país, teve tiros e incêndios; o presidente Muhammadu Buhari pediu que as forças de segurança ajam dentro da legalidade

Lagos registrou pelo menos dois focos de incêndio, um deles em presídio, nesta 5ª

Lagos registrou pelo menos dois focos de incêndio, um deles em presídio, nesta 5ª

Reuters - 22.10.2020

A violência na Nigéria, intensificada depois que forças de segurança reprimiram a tiros manifestações contra a brutalidade policial, prosseguiu nesta quinta-feira (26). Tiros foram ouvidos e pelo menos dois incêndios atingiram um bairro de alto padrão de Lagos, capital financeira do país.

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Um incêndio irrompeu na prisão do distrito de Ikoyi, disse o governo estadual. Imagens de vídeo mostraram chamas em um shopping center em outra parte de Lagos.

Os conflitos vêm se intensificando ao longo das últimas semanas, mas atingiram um ponto crucial depois que homens do exército atiraram contra manifestantes desarmados em Lekki e Alausa, dois dos distritos da cidade na noite de terça e na manhã de quarta.

Apelo do presidente

O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, instruiu as forças de segurança a agirem dentro da legalidade, disse seu conselheiro de Segurança Nacional nesta quinta-feira (22), à medida que as autoridades de Lagos estavam com dificuldade para impor um toque de recolher decretado para conter a revolta com a repressão a manifestações contra a polícia.

A Anistia Internacional disse que soldados e policiais mataram ao menos 12 manifestantes em Lekki e Alausa. O Exército negou que soldados tenham estado no local dos disparos, onde pessoas haviam se reunido em desafio ao toque de recolher.

Falando a repórteres na capital Abuja após uma reunião com Buhari, o conselheiro de Segurança Nacional, Babagana Monguno, disse que o presidente orientou todas as agências de segurança a operarem dentro "dos limites da legalidade" e a "não fazerem nada que agrave a situação".

"O presidente está muito preocupado com este desdobramento e não quer que uma situação na qual tudo desmorona e resulta em anarquia, em desordem e nas pessoas aplicando a lei com as próprias mãos", disse Monguno. Segundo ele, Buhari deve "oferecer certas soluções" nas próximas horas.

Além dos focos de atrito em Lagos, onde testemunhas relataram ver homens jovens, alguns armados com facões, caminhando em partes da cidade, alguns Estados do sul impuseram toques de recolher para restaurar a ordem.

Os tumultos se tornaram uma crise política para Buhari, ex-líder militar que chegou ao poder em uma eleição em 2015 e é o comandante-chefe das Forças Armadas.

Alguns manifestantes disseram temer a volta dos dias sombrios do governo militar.

Um porta-voz do governo de Lagos disse que o incêndio na prisão de Ikoyi estava sob controle e que agentes armados estavam no local. Ele não explicou como o fogo começou nem comentou os relatos de tiros.