DNA humano é extraído de pinturas rupestres e paredes de cavernas pela primeira vez
Estudo encontrou material genético preservado por milhares de anos e abre caminho para identificar quem produziu a arte pré-histórica
Internacional|Do R7
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Pela primeira vez, cientistas conseguiram extrair DNA humano antigo diretamente de paredes de cavernas com pinturas rupestres, revelando que o material genético pode permanecer preservado por milhares de anos.
O estudo, publicado na última terça-feira (23) na revista Nature Communications, abre novas possibilidades para investigar quem frequentou esses espaços e pode revolucionar as pesquisas sobre os autores da arte rupestre.
Para este estudo, uma equipe de pesquisadores ampliou as análises para investigar se as paredes das cavernas ainda preservavam material genético deixado por pessoas que passaram pelos locais há milhares de anos.
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Para isso, os cientistas utilizaram técnicas avançadas de extração e sequenciamento de DNA em fragmentos de paredes pigmentadas e sem pigmento, sedimentos, ossos e até em um raro aerógrafo pré-histórico usado para aplicar tinta.
Ao todo, foram analisadas 120 amostras de 24 painéis de arte rupestre distribuídos por 11 cavernas na região da Espanha e de Portugal.
Os resultados revelaram DNA mitocondrial humano antigo em cinco amostras, incluindo uma crosta de calcita pigmentada da Caverna do Escoural, em Portugal, e superfícies sem pigmento nas cavernas do Escoural e de Covarón, na Espanha.
Em duas delas, os cientistas encontraram apenas DNA humano, sem vestígios de animais, indicando que o material pode ter sido depositado diretamente por saliva, suor ou outros fluidos corporais.
Embora os pesquisadores ressaltem que ainda não seja possível afirmar que o DNA pertence aos autores das pinturas, a descoberta comprova, pela primeira vez, que material genético humano pode permanecer preservado nas paredes de cavernas por milhares de anos. Das cinco amostras positivas, três apresentaram perfis genéticos predominantemente femininos, uma foi associada a um indivíduo masculino e outra permaneceu sem identificação.
Segundo os autores do estudo, futuras pesquisas deverão ampliar as análises para outros sítios arqueológicos e diferentes estilos de arte rupestre, aumentando a possibilidade de, no futuro, identificar geneticamente alguns dos artistas que produziram essas obras há milhares de anos.
A pesquisa faz parte do projeto Art, liderado por pesquisadores da Espanha e de Portugal, que busca datar as pinturas rupestres mais antigas e entender sua composição química, e contou com a parceria de cientistas do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha.
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