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Vulcão sem erupções há mais de 100 mil anos segue ativo na Grécia, diz estudo

Pesquisadores apontam que grandes volumes de magma continuam se acumulando nas profundezas do Methana

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O vulcão Methana, na Grécia, considerado adormecido por mais de 100 mil anos, continua ativo com grandes volumes de magma acumulando-se em suas profundezas.
  • Estudo do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique revelou que longos períodos sem erupções não indicam a extinção de um vulcão, mas podem significar a formação de grandes reservatórios de magma.
  • A análise de cristais de zircão mostrou que Methana passou por diferentes ciclos eruptivos e que durante períodos de aparente inatividade, o sistema vulcânico continuou crescendo em profundidade.
  • Os pesquisadores alertam para a necessidade de reavaliar vulcões considerados inativos e ampliar o monitoramento geológico, já que sinais de atividade subterrânea podem indicar riscos futuros.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Vulcão Methana está localizado a menos de 60 quilômetros de Atenas Reprodução/Instagram/@earthdotcom

Considerado adormecido por mais de 100 mil anos, o vulcão Methana, localizado a menos de 60 quilômetros de Atenas, na Grécia, pode ajudar cientistas a entender melhor como sistemas vulcânicos permanecem ativos mesmo durante longos períodos sem erupções.

Um estudo publicado na revista científica Science Advances por pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça, concluiu que, apesar da ausência de atividade visível na superfície, grandes volumes de magma continuaram se acumulando nas profundezas do vulcão ao longo desse período.


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A descoberta desafia a ideia de que longos intervalos sem erupções indicam necessariamente que um vulcão está extinto ou deixou de representar riscos. Segundo os pesquisadores, em alguns casos, o silêncio pode significar justamente o contrário: a formação gradual de grandes reservatórios de magma no interior da Terra.

Para reconstruir cerca de 700 mil anos da história geológica de Methana, a equipe analisou mais de 1.250 cristais de zircão encontrados em rochas vulcânicas. Esses minerais funcionam como registros naturais da atividade subterrânea, preservando informações sobre a formação e evolução do magma ao longo do tempo.


Os resultados mostraram que o vulcão passou por diferentes ciclos eruptivos. O primeiro deles terminou há cerca de 280 mil anos. Em seguida, Methana entrou em um período de aparente inatividade que durou mais de 100 mil anos. A atividade vulcânica só retornou aproximadamente 168 mil anos atrás.

No entanto, a análise dos cristais revelou que justamente durante essa longa pausa ocorreu uma intensa formação de magma sob a crosta terrestre. Em vez de interromper sua atividade, o sistema vulcânico continuou crescendo silenciosamente em profundidade.


Os pesquisadores acreditam que a explicação para esse comportamento esteja relacionada à elevada quantidade de água presente no magma que alimentava o vulcão. De acordo com o estudo, materiais provenientes de uma placa tectônica em subducção, incluindo água e sedimentos marinhos, favoreceram a geração contínua de magma.

Esse magma altamente hidratado tende a se tornar mais viscoso durante sua ascensão, dificultando sua chegada à superfície e favorecendo o armazenamento em grandes reservatórios subterrâneos.


Segundo os autores, o fenômeno observado em Methana pode não ser um caso isolado. Vulcões localizados em zonas de subducção, como as encontradas na Grécia, Japão, Indonésia, Filipinas e em partes das Américas, podem apresentar comportamento semelhante.

Além das implicações para o entendimento da dinâmica vulcânica, a pesquisa levanta um alerta para autoridades responsáveis pelo monitoramento geológico. Os cientistas defendem que vulcões considerados inativos há dezenas de milhares de anos sejam reavaliados, especialmente quando apresentam sinais de atividade subterrânea.

Mesmo sem erupções, o acúmulo de magma pode provocar terremotos, deformações no terreno, alterações gravitacionais e emissões de gases detectáveis por equipamentos modernos. Para os pesquisadores, esses sinais devem ser acompanhados de perto, já que longos períodos de dormência não significam necessariamente que o perigo desapareceu.

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