‘A morte da capitã Michele nos toca a alma’, diz comandante da PM durante velório da oficial
Coronel Cleide afirmou que o feminicídio reforça a necessidade de combater a violência contra a mulher
Minas Gerais|Wagner de Oliveira, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7
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Sob forte comoção, familiares, amigos e colegas de farda se despediram, nesta quarta-feira (22), da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), Michele Leão Azevedo, de 41 anos.
Durante o velório, realizado em Belo Horizonte, a comandante-geral da corporação, coronel Cleide, afirmou que a morte da oficial representa mais uma vítima da violência doméstica e reforçou o compromisso da instituição no enfrentamento ao problema.
“A morte da capitão Michelle e de todas as outras mulheres em virtude da violência doméstica e familiar contra mulher nos toca a alma. E ela nos motiva cada vez mais a lutarmos contra esse inimigo visível e muitas vezes invisível que assola a nossa sociedade”, declarou a comandante.
Em outro trecho do pronunciamento, a coronel destacou que a corporação pretende ampliar as ações de proteção às mulheres. “Toda nossa comunidade pode continuar acreditando no firme propósito da nossa instituição de proteger todas as famílias mineiras, todas as mulheres do estado de Minas Gerais”, afirmou.
A cerimônia foi marcada pela emoção. Muito abalada, a mãe de Michele permaneceu sob efeito de medicação durante o velório. A capitã ingressou na Polícia Militar aos 18 anos e construiu uma carreira de mais de duas décadas na corporação, alcançando o posto de capitã. Atualmente, exercia funções administrativas na sede do Governo de Minas, no bairro Serra Verde, em Belo Horizonte.
Enquanto familiares e amigos prestavam as últimas homenagens, a Justiça decidiu converter em prisão preventiva a prisão em flagrante do sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, marido da vítima e principal investigado pelo crime. O juiz responsável pela audiência de custódia entendeu que a medida era necessária para garantir a ordem pública. O processo tramita sob segredo de Justiça.
As investigações também apontam que o sargento já havia sido alvo de registros anteriores relacionados à violência doméstica. Segundo a coronel Cleide, o militar figurou como autor em três boletins de ocorrência envolvendo ex-companheiras. “Ele tinha três boletins de ocorrência nos quais figurou como autor de violência doméstica. A Polícia Militar tomou todas as providências cabíveis, boletins de ocorrência foram lavrados e todas as informações repassadas para a persecução penal pelos órgãos competentes”, afirmou.
O caso é investigado pela Polícia Civil como feminicídio. De acordo com a investigação, Michele chegou sem vida ao Hospital Odilon Behrens, levada pelo marido, que alegou inicialmente que ela teria caído de uma escada. No entanto, os indícios levantados pela perícia e os ferimentos encontrados no corpo da capitã são considerados incompatíveis com essa versão. A Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos periciais para finalizar o inquérito.
Relembre o crime
A capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, morreu na noite de segunda-feira (20), após dar entrada no Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, com múltiplas lesões e já sem sinais vitais. Ela foi levada à unidade pelo marido, o sargento da PM Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, que afirmou aos médicos que a esposa havia caído da escada do apartamento onde o casal morava, no bairro Palmares, na região Nordeste da capital.
A versão, no entanto, passou a ser questionada depois que a equipe médica identificou diversos hematomas e ferimentos incompatíveis, a princípio, com uma queda acidental. A Polícia Militar foi acionada e iniciou as diligências ainda durante a noite.
Imagens das câmeras de segurança do prédio registraram o momento em que Eduardo deixa o apartamento levando Michele até a garagem antes de seguir para o hospital. Durante as buscas no imóvel, os militares encontraram vestígios de sangue em diferentes cômodos, um bastão de madeira quebrado e roupas que teriam sido lavadas na máquina após os fatos.
Em entrevista coletiva, a Polícia Militar informou que os levantamentos iniciais apontam indícios de um relacionamento abusivo entre o casal. Segundo a corporação, a investigação também identificou registros anteriores de agressões envolvendo os dois. Eduardo foi preso e encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde o caso é investigado pela Polícia Civil.
A defesa do sargento nega que Michele tenha sido vítima de agressões e sustenta que os ferimentos decorreram da queda da escada e de práticas sexuais consensuais do casal. A versão, entretanto, é contestada pela família da capitã, que cobra o esclarecimento completo dos fatos e afirma confiar no trabalho da perícia para apontar o que aconteceu dentro do apartamento.
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