Quem era Michele Leão: família lembra de capitã da PM como uma mulher alegre, dedicada e apaixonada pelo filho
Mesmo com a rotina intensa da carreira militar, Michele fazia questão de manter contato com a família
Minas Gerais|Cler Santos, do R7
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Para os familiares, Michele Leão Azevedo era muito mais do que a capitã da Polícia Militar cuja morte agora é investigada. Aos 41 anos, ela deixa a imagem de uma mulher disciplinada, determinada, afetuosa e que construiu uma trajetória de dedicação à carreira militar sem abrir mão da família, especialmente do filho, por quem era profundamente apaixonada.
Em entrevista à RECORD Minas, o tio, Marlon, e o primo, Jonathan, descreveram Michele como uma pessoa que transmitia leveza por onde passava, mesmo enfrentando problemas na vida pessoal.
“Ela sempre chegava em você com aquele sorrisão dela, independente da situação, te dava um abraço, te dava um oi. Ela realmente estava ali para você. A pessoa que estava, independente da situação, independente da vida corrida, ela estava sempre ali para a gente“, relembrou Jonathan.
Segundo ele, essa alegria era uma das características mais marcantes da prima. Mesmo com a rotina intensa da carreira militar, Michele fazia questão de manter contato com a família e participar dos encontros sempre que possível.
O carinho com os parentes também era percebido na forma como tratava o filho. Para Jonathan, bastava observar os dois juntos para entender o tamanho da ligação entre mãe e filho.
“Uma mãe carinhosa. Ela sempre estava ali. Você realmente via o amor dela com ele. Você realmente via a paixão que ela se entregava, independente da situação que estava acontecendo na vida dela“, afirmou.
O tio, Marlon, também destacou a dedicação de Michele à maternidade. Segundo ele, a policial nunca deixou que as exigências da profissão diminuíssem a atenção dada ao menino. “Basta ver os vídeos, basta ver as fotos, que a gente vê o carinho que ela tinha para o filho, se dava para o filho, cuidando do filho“, disse.
Além da família, a carreira militar ocupava um lugar especial na vida de Michele. Inspirada pelo próprio tio, que também seguiu a vida militar, ela iniciou a trajetória ainda jovem no Colégio Militar e construiu uma carreira de crescimento constante dentro da corporação.
“Eu fui primeiro, fiz Colégio Militar. Depois, quando ela teve a oportunidade, fez o concurso, entrou para o Colégio Militar, entrou como sargento na Polícia Militar, foi galgando, cabo, subtenente, fez para oficial. Estava galgando uma carreira bacana“, contou Marlon.
Para o tio, a dedicação aos estudos sempre acompanhou Michele. Ele lembra que a sobrinha encarava cada etapa profissional como um novo desafio e buscava evoluir continuamente. “Ela era uma pessoa dedicada à carreira. Sempre passou nos concursos que buscou fazer, foi sempre uma boa aluna no Colégio Militar“, afirmou.
A determinação também era reconhecida pelos familiares como uma das marcas da personalidade da capitã. Cada promoção representava o resultado de anos de estudo, esforço e disciplina.
Apesar da rotina exigente da Polícia Militar, Michele preservava o jeito acolhedor que, segundo a família, conquistava qualquer pessoa. Jonathan lembra que, independentemente das dificuldades que enfrentasse, ela nunca deixava de demonstrar carinho por quem estava ao seu redor.
“Ela sempre chegava em você com aquele sorrisão dela... Ela realmente estava ali para você“, repetiu o primo, ao tentar resumir quem era Michele.
Relembre o crime
A capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, morreu na noite de segunda-feira (20), após dar entrada no Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, com múltiplas lesões e já sem sinais vitais. Ela foi levada à unidade pelo marido, o sargento da PM Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, que afirmou aos médicos que a esposa havia caído da escada do apartamento onde o casal morava, no bairro Palmares, na região Nordeste da capital.
A versão, no entanto, passou a ser questionada depois que a equipe médica identificou diversos hematomas e ferimentos incompatíveis, a princípio, com uma queda acidental. A Polícia Militar foi acionada e iniciou as diligências ainda durante a noite.
Imagens das câmeras de segurança do prédio registraram o momento em que Eduardo deixa o apartamento levando Michele até a garagem antes de seguir para o hospital. Durante as buscas no imóvel, os militares encontraram vestígios de sangue em diferentes cômodos, um bastão de madeira quebrado e roupas que teriam sido lavadas na máquina após os fatos.
Em entrevista coletiva, a Polícia Militar informou que os levantamentos iniciais apontam indícios de um relacionamento abusivo entre o casal. Segundo a corporação, a investigação também identificou registros anteriores de agressões envolvendo os dois. Eduardo foi preso e encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde o caso é investigado pela Polícia Civil.
A defesa do sargento nega que Michele tenha sido vítima de agressões e sustenta que os ferimentos decorreram da queda da escada e de práticas sexuais consensuais do casal. A versão, entretanto, é contestada pela família da capitã, que cobra o esclarecimento completo dos fatos e afirma confiar no trabalho da perícia para apontar o que aconteceu dentro do apartamento.
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