Caso do bebê morto com cerol acende alerta para aumento de acidentes com linhas cortantes em BH
Ravi Oliveira Dias, de 1 ano e 9 meses, morreu depois de ser atingido no pescoço
Minas Gerais|Maria Luiza Reis, do R7

O número de acidentes envolvendo linhas cortantes, como cerol e linha chilena, continua preocupando autoridades de saúde em Belo Horizonte. Dados do Hospital João 23 mostram que, entre janeiro e abril de 2026, foram registrados 12 atendimentos relacionados a esse tipo de ocorrência na capital mineira. Em todo o ano de 2025, o hospital contabilizou 24 casos.
Segundo o hospital, entre janeiro e abril deste ano foram contabilizados 12 atendimentos relacionados a acidentes com linhas cortantes. Em todo o ano de 2025, haviam sido registrados 24 casos. Os registros acontecem mesmo com a proibição da venda e do uso de materiais como linha chilena e cerol em Minas Gerais.
A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) reforça que acidentes por linhas cortantes tambéms são atendidos em Unidades de Pronto Atendimento (UPA). O Hospital João 23 recebe os casos mais graves.
Especialistas e autoridades apontam que a combinação entre baixa fiscalização, facilidade de acesso ao material e falta de conscientização tem contribuído para o aumento dos acidentes, principalmente entre motociclistas, ciclistas e pedestres.
Morte de bebê na Grande BH
O aumento dos casos ocorre em meio a uma tragédia registrada em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O pequeno Ravi Oliveira Dias, de 1 ano e 9 meses, morreu depois de ser atingido no pescoço por uma linha cortante, nesta quarta-feira (27).
O caso aconteceu no bairro Arvoredo II. Segundo a Polícia Militar, Ravi brincava próximo de casa quando uma motocicleta passou pela rua. A linha ficou presa no guidom do veículo e, ao ser puxada, atingiu o pescoço da criança. O menino sofreu um corte grave e chegou a ser levado para a UPA Pampulha, em Belo Horizonte, mas não resistiu aos ferimentos.
Um jovem de 19 anos foi conduzido à delegacia suspeito de utilizar linha chilena na região. De acordo com a PM, ele admitiu fazer uso do material para soltar pipa, embora afirmasse que não estava empinando no momento do acidente.
A Polícia Civil investiga o caso.
Motociclista sofreu corte profundo
Outro caso aconteceu no dia 3 de maio, no bairro Serra Verde, na região Norte de Belo Horizonte. O motociclista Luiz Carlos Silva Rosa, de 42 anos, foi atingido no pescoço por uma linha chilena enquanto passava pela rua José Leontino Alves. A vítima sofreu um corte profundo e precisou levar 10 pontos.
“Foi por pouco. Se pega mais forte, eu não estaria aqui para contar”, relatou.
Luiz Carlos afirma que o que mais revolta é a sensação de impunidade. “Falta fiscalização e punição. Quem vende isso deveria ser preso”, disse.
Com a aproximação das férias escolares e dos períodos de vento mais intenso, quando aumenta a prática de soltar pipas, o receio é de que os acidentes se tornem ainda mais frequentes.
Fiscalização e denúncias
Em nota, a Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte informou que realiza rondas preventivas ao longo do ano para combater o uso de cerol e outras linhas cortantes.
Segundo a corporação, agentes fazem abordagens para verificar o material utilizado por pessoas flagradas soltando pipas. Quando há irregularidade, os envolvidos são encaminhados à Polícia Civil. No caso de menores de idade, o encaminhamento é feito ao Juizado da Infância e da Juventude, acompanhado pelos responsáveis.
A Guarda Municipal informou ainda que intensifica, nos períodos de maior incidência da prática, a campanha “Cerol Não É Brincadeira”, com ações educativas em escolas, vias públicas e espaços de convivência.
Denúncias podem ser feitas pelos telefones 153, da Guarda Municipal, e 190, da Polícia Militar, além do portal de serviços da Prefeitura e do aplicativo BH SIM.
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