‘Isso não é uma fatalidade’, diz irmã de bebê morto por linha com cerol na Grande BH
Irmãs defendem que o caso não seja tratado como um acidente, mas como consequência do uso ilegal de linhas cortantes
Minas Gerais|Maria Luiza Reis, do R7 e Michellyne Kubitscheck, da RECORD Minas
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A morte de Ravi, de apenas 1 ano e 9 meses, transformou a tarde desta quarta-feira (27) em um cenário de dor e revolta para uma família em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O bebê morreu após ser atingido no pescoço por uma linha com cerol no bairro Arvoredo II.
Descrito pelas irmãs como uma criança “alegre”, “feliz” e “sempre sorridente”, Ravi chegou a ser socorrido para a UPA Santa Terezinha, em Belo Horizonte, mas não resistiu aos ferimentos.
Em relatos emocionados, as irmãs do menino, Nathyelly e Nauana de Oliveira Santos, detalharam os momentos de desespero vividos pela família e fizeram um apelo contra o uso de linhas cortantes.
Como o acidente aconteceu
Segundo a família, Ravi estava na Rua Treze, próximo de casa, brincando em um carrinho quando foi atingido pela linha. De acordo com Nauana, que cuidava dos irmãos no momento do acidente, a linha estava estendida na rua e acabou sendo puxada por uma motocicleta que passava pelo local.
“Ele estava brincando com o carrinho, sentado no carrinho e a linha passou no pescoço dele certinho”. O motociclista não percebeu a presença da linha, que se enroscou na moto e foi tensionada no momento em que o veículo passou pela via.
As irmãs afirmam que o condutor tentou ajudar imediatamente após perceber o que havia acontecido. “Ele prestou ajuda, fez tudo direitinho. Ele não teve culpa, ele estava apenas passando”.
Corrida contra o tempo
Após o corte, familiares e moradores da região correram para socorrer a criança. Ravi foi levado às pressas para a UPA Santa Terezinha, mas o ferimento provocou uma grande perda de sangue. “O coração dele parou no meio do caminho”.
Nauana acompanhou o atendimento médico e relembra o estado crítico do irmão quando ele chegou à unidade de saúde. “O corpo dele já não tinha sangue. Já perdido, tinha perdido muito sangue quando ele chegou aqui. Tentaram na reanimação com ele, só que não respondeu”.
‘Isso não é fatalidade’
As irmãs defendem que o caso não seja tratado apenas como um acidente, mas como consequência direta do uso ilegal de linhas cortantes. “A gente quer justiça para uma criança que tinha uma vida inteira pela frente, perdeu uma vida pela linha de cerol”, falou Nauana.
Para a irmã, o uso do material representa uma escolha consciente e perigosa.
“Isso não é fatalidade. Foi imprudência do ser humano. A linha é uma fatalidade fabricada. Tanta coisa pra gente brincar, logo com uma linha de cerol?”.
O caso é investigado pela Polícia Civil. A perícia foi acionada e deverá apurar de onde partiu a linha com cerol que atingiu Ravi.
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