Minas Gerais BH quer usar acordo com a Vale para custear obras contra enchente

BH quer usar acordo com a Vale para custear obras contra enchente

Temporal deste fim de semana voltou a causar estragos na região da avenida Tereza Cristina e solução pode vir de recurso do acordo

  • Minas Gerais | Lucas Pavanelli e Célio RIbeiro*, do R7

Trecho de mais de 1 km voltou a ser destruído na avenida Tereza Cristina após chuvas em BH

Trecho de mais de 1 km voltou a ser destruído na avenida Tereza Cristina após chuvas em BH

Mayara Folco / Record TV Minas

A Prefeitura de Belo Horizonte quer usar parte dos recursos do acordo do Governo de Minas com a Vale para financiar obras de contenção de enchentes e tentar, assim, evitar os prejuízos causados pelo transbordamento do ribeirão Arrudas, na região da avenida Tereza Cristina

De acordo com o superintendente da Sudecap (Superintendência de Desenvolvimento da Capital), Henrique Castilho, o problema da região é o córrego Ferrugem, que vem de Contagem, na Grande BH e se encontra com o ribeirão Arrudas na altura da avenida Tereza Cristina. Em entrevista à RecordTV Minas, ele afirmou que o assunto vem sendo tratado pelas prefeituras das duas cidades. 

- O problema na Tereza Cristina é o Ferrugem. Temos várias obras em execução e prontas, como a bacia do Camarões, do Indústrias e do Olaria Jatobá. São obras que estão prontas ou terminando e vão reter 1 bilhão de litros de água. Mas, enquanto não resolver o problema do Ferrugem, que vem de Contagem e que bate em 90 graus ali, realmente a gente não vai conseguir acabar com esse problema.

De acordo com Castilho, o vice-prefeito Fuad Noman (PSD) tem se reunido com a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT) para tratar do assunto. 

- Eles vão ter outra reunião em dois dias para poder definir o andamento do processo. Nós estamos juntos trabalhando e tentando ver a possibilidade de pegar o recurso da Vale para usar nesse trabalho.

O recurso da Vale a que se refere o superintendente da Sudecap é o acordo de R$ 37 bilhões assinado entre a mineradora e o Governo de Minas, para a reparação de danos econômicos e coletivos pelo rompimento da barragem de Brumadinho, em janeiro de 2019. 

De acordo com ele, a obra é complexa e de alto custo, mas há diálogo entre as prefeituras de Belo Horizonte e Contagem com o Governo do Estado. 

- Com a ajuda das prefeituras e do Governo de Minas, talvez com a ajuda do acordo da Vale, a obra pode sair.

Obras

O trecho da avenida Tereza Cristina atingida pelo temporal deste fim de semana precisará ser refeito, de acordo com a Sudecap. O órgão espera uma estiagem para começar as obars em um trecho de 1,5 km de extensão na avenida que liga a cidade de Contagem, na Grande BH, até o centro da capital. 

Segundo Castilho, em janeiro do ano passado, a prefeitura fez uma "pequena reconstituição" desse trecho, mas em uma extensão atingida muito maior: 5,25 km. 

Estragos

As chuvas que atingiram a capital mineira durante o final de semana causaram muitos estragos. Moradores do bairro Primeiro de Maio, na região Nordeste de BH, chegaram a fechar o trânsito na avenida Cristiano Machado por várias horas na manhã desta segunda como forma de protesto.

A principal central meteorológica do Inmet, localizada no bairro Santo Agostinho, na região Centro-Sul de BH, registrou 218,9 milímetros de chuva em três dias, o que representa 21% a mais do que o esperado para fevereiro. Em outros pontos de medição, como na Pampulha e em Sete Lagoas, o excedente de chuva pode chegar a 36%.

Mais chuvas

Belo Horizonte pode registrar chuvas significativas durante as próximas duas semanas, segundo a previsão do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). A capital mineira continua em alerta para novos temporais nos próximos dias.

De acordo com o meteorologista Cléber Souza, a frente fria que se formou em Minas Gerais está perdendo força e, com isso, as precipitações não serão mais ininterruptas, como as que foram registradas em Belo Horizonte no domingo (7). Mesmo assim, a capital ainda deve ter muitos dias de nebulosidade e chuva.

— Podemos ter duas semanas seguidas de chuva, mas que irão ocorrer mais no fim da tarde e de noite. Esse fenômeno é associado ao calor, já que o sol voltou a dar as caras.

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