Logo R7.com
RecordPlus

Brasil registra mais de 24 mil acidentes com abelhas em 2026; bióloga alerta para riscos na primavera

Óbitos em 2026 já supera o registrado em todo o ano passado; especialista explica como evitar ataques

Minas Gerais|Cler Santos, do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Brasil registrou mais de 24 mil acidentes com abelhas em 2026, superando o número de óbitos do ano anterior.
  • A primavera aumenta a atividade das abelhas devido ao fenômeno da enxameação, como explica a bióloga Fernanda Raggi.
  • Roupas escuras podem desencadear ataques de abelhas, como ocorreu em um incidente em Ibiritê, onde uma menina foi gravemente ferida.
  • Em caso de ataque, recomenda-se buscar abrigo fechado rapidamente e procurar atendimento médico, evitando métodos caseiros.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Safira Emanuele Gomes dos Santos Rosa, de 12 anos, recebeu mais de 100 ferroadas RECORD Minas/ Reprodução

O Brasil registrou 24.137 acidentes com abelhas e 75 mortes entre janeiro e agosto de 2026. Os dados do Painel Epidemiológico de Acidentes com Animais Peçonhentos mostram que, em apenas oito meses, o país já ultrapassou o número de óbitos registrado em todo o ano passado, quando foram contabilizados 24.835 acidentes e 74 mortes.

O alerta ganha força com a chegada da primavera, período em que as abelhas ficam mais ativas e saem em busca de novos locais para formar colmeias. Segundo a bióloga, mestre em botânica e consultora ambiental Fernanda Raggi, o aumento das temperaturas favorece um fenômeno conhecido como enxameação.


“Com o clima mais quente da primavera, as colônias se dividem e viajam em bandos para criar moradias - novas colmeias em locais com temperaturas mais amenas, mais florestadas e com mais flores”, explica a especialista.

De acordo com Fernanda, as abelhas atacam como forma de defesa quando percebem ameaças ao grupo ou à colmeia. Barulhos intensos, odores fortes e até a cor das roupas podem influenciar o comportamento dos insetos.


Roupas escuras podem contribuir para ataques

Um dos fatores destacados pela bióloga é a utilização de roupas escuras nas proximidades de uma colmeia. Segundo ela, os insetos podem associar superfícies escuras e felpudas à presença de animais que ameaçam o enxame.

“Para as abelhas operárias e guardiãs, uma camiseta preta, marrom, cinza, ou azul-escura não parece apenas uma peça de roupa; ela é interpretada visualmente como a pelagem de um predador mamífero ativo vindo destruir o ninho”, explica.


Fernanda também chama a atenção para uma reação em cadeia que pode ocorrer após a primeira ferroada.

“Se uma única abelha se sentir ameaçada pela cor escura e ferroar o tecido, ela liberará um feromônio de alarme. Esse composto químico sinaliza para o restante do enxame exatamente onde o ‘predador’ está, fazendo com que dezenas de outras abelhas foquem o ataque na mesma área escura.”


Para a especialista, esse pode ter sido um dos fatores que contribuíram para o ataque registrado em Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, na última segunda-feira (14). Na ocasião, uma menina de 12 anos, a irmã dela e outras pessoas foram atingidas por um enxame em frente a uma escola.

“E provavelmente foi isso um dos motivos mais fortes a desencadear o ataque à garota, às crianças e ao rapaz, todos estavam de roupas escuras”, avalia Fernanda.

A hipótese, no entanto, não foi confirmada como causa do ataque.

Como agir durante um ataque de abelhas?

A principal orientação da bióloga é deixar a área do enxame o mais rapidamente possível e procurar um local fechado.

“Para reduzir as abelhas durante um ataque, a prioridade absoluta é retirar a pessoa do local imediatamente e buscar um abrigo fechado”, orienta.

Segundo Fernanda, tentar retirar os insetos enquanto a vítima ainda está exposta pode prolongar a situação de risco. A recomendação é correr em linha reta até uma casa, um carro ou outro ambiente protegido.

A especialista também orienta proteger a cabeça, o rosto e o pescoço com uma peça de roupa durante a fuga.

Outra atitude que deve ser evitada é tentar se esconder dentro da água.

“Não pular na água: evitar rios, piscinas ou lagos. As abelhas conseguem pairar sobre a água por vários minutos aguardando a pessoa emergir para respirar, o que pode causar afogamento”, alerta.

Após chegar a um local seguro, a vítima deve retirar os ferrões o mais rapidamente possível, evitando comprimir a bolsa de veneno. A pele deve ser lavada com água e sabão, e compressas frias podem ajudar a aliviar o inchaço.

Fernanda reforça que o atendimento médico é fundamental em situações de múltiplas picadas, principalmente quando a vítima é uma criança ou apresenta sinais de reação grave.

“Se a criança levar múltiplas picadas (ataque em massa), for picada na região da boca ou pescoço, ou apresentar sinais de alergia grave (choque anafilático), como dificuldade para respirar, lábios inchados, tontura ou manchas vermelhas pelo corpo encaminhar ao hospital mais próximo para avaliação e tratamento.”

Em situações nas quais não seja possível retirar a vítima do local, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo telefone 193.

O sargento Allan Azevedo, do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, explica que, embora as abelhas possam ser encontradas durante todo o ano, a presença dos insetos tende a aumentar em determinadas épocas, especialmente com a aproximação da primavera. Segundo ele, as queimadas também podem contribuir para o deslocamento dos enxames, que procuram novos locais para se abrigar.

“Nesse período de estiagem, então há aquele grande número de incêndios. Por mais que a gente tá tendo uma grande chuva aqui, principalmente na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ainda tem alguns incêndios, e as abelhas acabam saindo desses locais e procurando algum lugar pra fugir dessas queimadas”, explica.

Ao encontrar um enxame, a principal orientação é evitar a aproximação e se afastar sem provocar os insetos. O militar alerta que tentar espantar as abelhas com objetos ou utilizar fogo e fumaça pode agravar a situação e colocar outras pessoas em risco.

Nessas situações, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo telefone 193. Segundo Allan, as equipes avaliam a localização do enxame, a presença de pessoas nas proximidades e a possibilidade de isolar o ambiente até que a ocorrência seja controlada.

O militar também reforça a importância de procurar atendimento médico após um ataque, mesmo quando a vítima não sabe se possui alergia ao veneno das abelhas.

“O ataque de abelha pode levar a vítima a ter um choque anafilático, ter problemas respiratórios, perder consciência, desmaiar e, em alguns casos mais graves, a pessoa pode acabar morrendo”, explica.

Sobre os primeiros socorros, Allan orienta que a vítima seja tranquilizada, que os locais das picadas sejam lavados com água corrente e que ela seja encaminhada a uma unidade de saúde. O sargento também alerta contra a aplicação de produtos caseiros, como pasta de dente, sobre as ferroadas.

Menina permanece internada após ataque em Ibirité

As orientações da especialista ajudam a compreender os riscos de um ataque como o registrado na tarde de segunda-feira (14), em frente à Escola Encontro com a Infância, no bairro Jardim Montreal, em Ibirité.

Segundo o Corpo de Bombeiros, uma colmeia teria caído de uma árvore próxima à entrada da instituição, na Rua Flor de Liz. Com a queda, as abelhas se dispersaram e atingiram crianças e pedestres que passavam pela região.

Safira Emanuele Gomes dos Santos Rosa, de 12 anos, estava acompanhada do avô, de 79 anos, e da irmã mais nova, de oito, quando foi atacada.

A adolescente foi encontrada pelo motoboy Vinícius Martins de Paulo, que passava pelo local e interrompeu o trajeto para socorrê-la.

“Ela estava no cantinho, em pé, sozinha, parada, chorando”, contou o motociclista à RECORD Minas.

Vinícius tentou colocar a menina na motocicleta, mas não conseguiu. Ele utilizou um desodorante que guardava no baú do veículo na tentativa de afastar os insetos e conduziu Safira até a escola, onde funcionários e moradores ajudaram no socorro.

O motoboy sofreu cerca de 40 ferroadas e precisou de atendimento hospitalar.

Enquanto isso, a diretora da instituição, Fernanda Vieira de Araújo, prestava socorro à irmã de Safira. A criança havia sido levada até a escola pelo avô e relatava dificuldade para respirar.

A diretora também foi atacada ao sair para buscar o carro e sofreu aproximadamente 10 picadas. Ela procurou atendimento médico e foi medicada.

Mais de 100 picadas e internação no CTI

Safira foi encaminhada inicialmente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sarzedo e, posteriormente, transferida para um hospital em Contagem, onde permanece internada no Centro de Terapia Intensiva (CTI) pediátrico.

Segundo a mãe, Luciene Gomes dos Santos, os médicos estimaram que a menina tenha recebido mais de 100 picadas, principalmente no rosto, pescoço e cabeça. A família acredita que o número possa ser ainda maior.

“Ela estava bastante inchada, bem diferente da que eu conheço, quase parecendo outra menina”, relatou Luciene ao lembrar do momento em que reencontrou a filha no hospital.

A adolescente está estável e apresenta melhora, mas continua sob acompanhamento médico após exames apresentarem alterações. Ainda não há previsão confirmada de alta.

Após o ataque, as aulas da escola foram suspensas, e a Polícia Militar auxiliou no isolamento da área. O Corpo de Bombeiros retornou ao endereço durante a noite para realizar a captura e a remoção das abelhas, encerrando a ocorrência.

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.