Briga por moradia pode ter motivado feminicídio de mulher que conheceu suspeito por aplicativo em BH
Suspeito é investigado por feminicídio e ocultação de cadáver
Minas Gerais|Fábio Galdino, da RECORD Minas e Isabella Guasti, do R7
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A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte de Stifanie Ribeiro Firmino Silva, de 35 anos, encontrada morta dentro do apartamento onde morava, no bairro Camargos, na região Oeste de Belo Horizonte. Para o delegado Thiago Megale, responsável pela investigação, a atendente de supermercado foi vítima de feminicídio cometido por um homem que ela havia conhecido poucas semanas antes do crime.
Segundo o delegado, Stifanie conheceu André Júnior Silva de Carvalho, de 24 anos, por meio de um aplicativo. No início de julho, ela teria convidado o homem para morar no apartamento. André, que estaria em Belo Horizonte em busca de trabalho e não teria onde ficar, passou a viver com a vítima.
Na quinta-feira à noite, os dois tiveram uma discussão. De acordo com a investigação, Stifanie pediu que André deixasse o imóvel. Como ele não teria para onde ir, o homem teria matado a mulher.
“Eles se conheceram através de um aplicativo e em um determinado momento, no início do mês de julho, no início desse mês, ela o convidou para que morasse com ela no apartamento. Então ele foi para lá, para esse apartamento e quando foi na quinta-feira à noite, eles tiveram uma discussão e encerrada essa discussão, ela exigiu que ele saísse do apartamento”, afirmou o delegado.
“Como ele não tinha lugar para ir, aqui em Belo Horizonte, segundo ele, e ele tava lá em busca de trabalho também e não tinha trabalho nem lugar para ir, foi quando ele praticou esse crime”, completou.
Suspeito confessou crime
André confessou ter matado Stifanie por estrangulamento. Inicialmente, porém, ele negou envolvimento no crime e afirmou à polícia que havia deixado o apartamento e, quando retornou, encontrou a vítima morta. Na primeira versão apresentada, ele chegou a levantar a hipótese de que Stifanie teria cometido suicídio após ingerir medicamentos controlados.
A polícia passou a suspeitar do envolvimento de André desde que tomou conhecimento da localização do corpo. Segundo Megale, os investigadores intensificaram as buscas pelo homem até conseguirem contato e determinarem que ele comparecesse à delegacia.
A vítima foi encontrada na segunda-feira, no apartamento onde morava, depois que vizinhos desconfiaram da ausência dela. O corpo estava em avançado estado de decomposição.
De acordo com a investigação, André permaneceu no imóvel por quatro dias após a morte. Ele teria colocado cobertores sobre o corpo, mantido as janelas fechadas e usado borra de café queimada e desodorizadores de ar para tentar disfarçar o mau cheiro.
O delegado afirmou que o suspeito teria permanecido no apartamento porque precisava de tempo para conseguir outro lugar para morar e encontrar um emprego.
Investigação
A polícia recuperou com o suspeito objetos que, segundo ele, foram retirados do imóvel: uma mala com pertences pessoais e outra com um travesseiro, um cobertor e uma manta. Os investigadores ainda vão apurar se outros objetos foram levados.
André Júnior responde por feminicídio e ocultação de cadáver. A Polícia Civil aguarda o resultado do exame de necropsia e do laudo de local para confirmar a causa da morte e esclarecer a dinâmica do crime. Segundo o delegado, devido ao estado de decomposição do corpo, não foi possível identificar visualmente eventuais lesões.
Novas testemunhas também devem ser ouvidas no decorrer da investigação.
Relembre o crime
Stifany Ribeiro Firmino Silva, de 35 anos, foi encontrada morta dentro do apartamento onde morava, no bairro Camargos.
A descoberta ocorreu depois que vizinhos estranharam o desaparecimento da mulher, sentiram um forte odor vindo do imóvel e decidiram abrir uma das janelas. O corpo foi localizado sobre a cama, já em estado de decomposição, enquanto diversos objetos da residência estavam revirados.
Segundo relatos de moradores, um homem frequentava o apartamento com frequência e foi visto deixando o local por volta das 11h35 de segunda-feira carregando duas malas. A suspeita é de que ele tenha permanecido no imóvel durante dias mesmo após a morte da vítima. Mensagens trocadas entre Stifany e uma vizinha também levantaram suspeitas. De acordo com pessoas próximas, alguém teria respondido às mensagens utilizando apenas texto. Quando a vizinha pediu uma prova de vida, não houve mais qualquer retorno.
Amigos informaram ainda que Stifany trabalhava em um supermercado, estava afastada por atestado médico havia cerca de dez dias, fazia acompanhamento psiquiátrico e morava sozinha desde a morte da mãe, em outubro do ano passado.
O homem apontado por testemunhas como namorado da vítima se apresentou espontaneamente ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) nesta terça-feira e confessou o crime. Ele foi preso pela Polícia Civil, que segue investigando as circunstâncias da morte.
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