Criança é mordida por filhote de morcego escondido dentro do tênis em Betim, na Grande BH
Animal foi descoberto depois que a criança chegou em casa da creche
Minas Gerais|Giovana Riggio*, do R7, Luciana Simões e Anna Júlia Valente*, da RECORD Minas
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Uma criança de 3 anos foi mordida por um filhote de morcego que estava dentro do tênis que usava após retornar da creche, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O caso aconteceu na segunda-feira (6) e mobilizou equipes da Vigilância em Zoonoses e da Secretaria Municipal de Saúde. A criança iniciou o protocolo de prevenção contra a raiva, enquanto o animal foi recolhido para exames que devem confirmar, em até 15 dias, se estava infectado pelo vírus.
Segundo relato da família, o menino chegou em casa mancando. Ao retirar o calçado, um filhote de morcego saiu de dentro do tênis. Questionada pela mãe, a criança confirmou que havia sido mordida e mostrou um ferimento na dobra de um dos dedos do pé.
A família levou o menino inicialmente para uma unidade de pronto atendimento, mas, devido à indisponibilidade do soro antirrábico, ele precisou ser transferido para o Hospital João 23, em Belo Horizonte, referência para esse tipo de atendimento.
O protocolo de profilaxia foi iniciado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e prevê quatro doses da vacina antirrábica ao longo de duas semanas. A primeira foi aplicada no dia 7 de julho, a segunda nesta sexta-feira (10), enquanto as demais estão previstas para os dias 14 e 21 de julho.
Calçados de crianças foram deixados fora da sala de aula
A mãe afirma que comunicou o caso em um grupo de mensagens da creche, mas a creche respondeu apenas com um emoji de susto. Segundo ela, a instituição não entrou em contato para prestar assistência e só procurou a família após denúncias feitas à Secretaria Municipal de Educação. Conforme o relato, a creche foi orientada a acompanhar a criança durante todo o tratamento e a custear os medicamentos que não são disponibilizados pelo SUS.
De acordo com a professora da turma, os calçados das crianças haviam sido deixados do lado de fora da sala durante o período de aula. A suspeita é de que o morcego tenha entrado no tênis nesse momento, sem que ninguém percebesse.
O que diz a prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Betim informou que acompanha o caso desde a notificação, realizada na manhã do dia 7 de julho. A administração municipal afirmou que o morcego foi recolhido pela Unidade de Vigilância de Zoonoses e encaminhado ao laboratório de referência estadual para diagnóstico de raiva, com pedido de prioridade na análise. Até o momento, o resultado segue em processamento.
Ainda segundo a prefeitura, sete gatos da residência tiveram contato com o morcego e tomaram a vacina contra a raiva. Técnicos da Vigilância em Saúde também realizaram orientações à equipe da creche sobre medidas de prevenção e manejo ambiental para evitar a presença de morcegos.
Risco de raiva
Os morcegos são considerados os principais transmissores urbanos da raiva, doença viral quase sempre fatal após o aparecimento dos sintomas. A transmissão ocorre por meio da saliva do animal, principalmente em casos de mordidas ou arranhões.
As autoridades de saúde orientam que qualquer pessoa que tenha contato com morcegos lave imediatamente o local da exposição com água e sabão e procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação e início, se necessário, da profilaxia antirrábica. Também é recomendado nunca manipular ou matar morcegos, tanto pelo risco de acidentes quanto por se tratar de um animal protegido pela legislação ambiental.
Casos de raiva em Betim
Segundo a Prefeitura de Betim, o município registrou dois morcegos com resultado positivo para raiva em 2025. Em 2026, até o momento, já foram confirmados três casos da doença em morcegos. Não há registros de raiva humana na cidade, e cães e gatos não apresentam casos confirmados desde a década de 1980.
A administração municipal informou ainda que mantém vacinação antirrábica de cães e gatos durante todo o ano, realiza monitoramento de morcegos encontrados mortos ou com comportamento anormal e adota bloqueios vacinais em áreas onde são confirmados animais infectados.
*Estagiárias sob supervisão de Isabella Guasti
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