Diretor de presídio teria usado detentos para ameaçar agente penitenciária
José Vicente de Souza está sendo investigado por improbidade administrativa e assédio moral
Minas Gerais|Do R7, com Record Minas

O diretor do presídio de Passos, no sul de Minas Gerais, está sendo investigado por improbidade administrativa e assédio moral. José Vicente de Souza teria usado detentos para ameaçar uma agente penitenciária que não concordava com o “esquema” imposto por ele.
Andréia Alves é concursada e trabalha há sete meses na unidade. Ela conta que logo no primeiro mês teve problemas com o diretor.
— O diretor-geral queria eu eu fizesse escoltas portando armamento de fogo, só que eu não havia tido treinamento e não sabia manusear armas.
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Durante reunião da Comissão de Segurança Pública da ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais), foram apresentados vídeos que sugerem irregularidades e privilégios dentro e fora da penitenciária. Em um deles, uma agente aparece dormindo em serviço.
Outras imagens mostram um detento do regime provisório na área externa do presídio, onde não poderia ficar. Segundo a denúncia, ele teria conseguido com o diretor o benefício de trabalhar na manutenção de um campo de futebol.
— Os presos que se submetiam aos planos do diretor eram favorecidos, ficavam em celas especiais, saíam para trabalho externo sem autorização judicial.
Ainda de acordo com Andréia, essa não foi a única vez que os presos saíram sem permissão da Justiça. Um deles teria ido à porta da casa dela.
— Ele [o diretor] tirou o preso da cela, colocou na viatura do sistema prisional e levou esse preso até a porta da minha casa. Voltou para o presídio e falou que fez isso para confirmar se a minha casa era aquela mesma, fazendo terror psicológico.
A reunião dividiu opiniões dos agentes. De um lado, aqueles que denunciam perseguições e ameaças. Do outro, agentes que ainda trabalham foram apoiar o diretor. Ao fim do encontro, o pedido de afastamento foi aprovado pela comissão, até que as denúncias sejam apuradas.
O presídio de Passos tem atualmente 280 presos sob os cuidados de 46 agentes contratados e 17 efetivos. Por causa das denúncias, a Seds (Secretaria de Estado de Defesa Social) enviou dois interventores ao presídio para apurar o que está acontecendo.















