Governo de MG cria comitê para evitar que Mineirão fique sem jogos de futebol
Grupo vai reunir representantes do Atlético, América, Cruzeiro, Minas Arena e do Estado para tentar reduzir impasse sobre administração do estádio
Minas Gerais|Pablo Nascimento, do R7

O Governo de Minas Gerais criou um comitê com o objetivo de evitar que o estádio Mineirão, um dos mais tradicionais do país, localizado na região da Pampulha, deixe de ser palco de jogos de futebol. O anúncio foi feito pelo secretário de Mobilidade e Infraestrutura, Fernando Marcato, nesta terça-feira (24).
A medida foi anunciada após Ronaldo Fenômeno, sócio do Cruzeiro, anunciar nesta segunda-feira (23) que o time celeste não vai jogar no Mineirão em 2023, devido a impasses com a Minas Arena, responsável por administrar o estádio. A Raposa fechou um contrato para entrar em campo na Arena Independência, até o fim do ano.
Como o Atlético-MG deve jogar na Arena MRV, novo estádio do clube que está em fase de conclusão, e o América tem o Independência como casa, levantou-se o risco do maior estádio do Estado ficar sem jogos.
"Acionei os mecanismos contratuais existentes para que seja garantido o contrato que prevê a função social, esportiva e de lazer do contrato", explicou Marcato.
"O governo tem a obrigação legal de garantir que o futebol seja jogado no Mineirão. Eu tive um fato novo dizendo que não vai ter mais futebol no Mineirão. Então, eu tenho que agir. Não cabe a mim dizer se gosto ou não. Cabe a mim cumprir contrato", afirmou o secretário.
Na prática, segundo Marcato, o comitê será responsável por avaliar e fiscalizar a programação de eventos do estádio. O grupo tem como responsabilidade "fazer questionamentos, comentários e esclarecimentos para que seja possível harmonizar eventuais interesses comerciais, de shows, outras atividades desenvolvidas no Mineirão, com a atividade esportiva, ou seja, o futebol", explicou Marcato.
O contrato de concessão do Mineirão prevê que o comitê deve ser formado por dois representantes do Governo de Minas, um da Minas Arena, os presidentes do América, Atlético-MG e Cruzeiro, além de representantes da CBF (Comissão Brasileira de Futebol), da FMF (Federação Mineira de Futebol), e da sociedade civil.
Fernando Marcato acredita que a medida pode reduzir os impasses entre a administração do estádio e com os clubes em relação à realização de outros eventos na arena.
"Nós estamos enviando hoje o ofício aos representantes dos times e queremos a primeira reunião em 10 dias. A primeira medida que a Minas Arena deve apresentar é o calendário de atividades dos próximos 12 meses", detalhou o secretário.
Mudanças no contrato
Fernando Marcato informou que também reforçou com a Minas Arena o desejo do Governo de Minas em rever as cláusulas do contrato para reduzir os gastos do estádio com o Mineirão. Atualmente, o Estado repassa aproximadamente R$ 4 milhões mensais à administração do estádio.
"O que a Minas Arena tem de lucro, uma parte ela divide com o Estado e abate na contraprestação. O ideal é que a Minas Arena tivesse tanto lucro que o Estado não pagasse nada, mas isto ainda não aconteceu. Não sei se o problema é de calibragem ou de mercado", explicou o secretário.
A reportagem procurou a Minas Arena para comentar sobre o anúncio do Governo e aguarda retorno.















