Minas Gerais Justiça nega prisão domiciliar para suspeito de matar vereador em BH

Justiça nega prisão domiciliar para suspeito de matar vereador em BH

Gérson Cesário alegou problemas de saúde, mas não ia ao médico há um ano; morte de vereador teria sido à mando de político de BH

  • Minas Gerais | Lucas Pavanelli e Célio Ribeiro*, do R7

Suspeito estava foragido há mais de um ano

Suspeito estava foragido há mais de um ano

Reprodução / Record TV Minas

A Justiça negou o pedido de prisão domiciliar feito por um dos envolvidos na morte do vereador de Funilândia (MG), Hamilton Dias de Moura (MDB). Ele foi encontrado morto dentro de um carro em Belo Horizonte, em julho de 2020.

Gerson Geraldo Cesário, de 58 anos, alegou à Justiça que sua prisão preventiva deveria ser convertida em  domiciliar humanitária já que ele estaria com “estado de saúde debilitado”. Para comprovar a condição de saúde, o réu entregou documentos e listou profissionais que fariam seu acompanhamento médico.

De acordo com a análise feita pelo juiz Marcelo Rodrigues Fioravante, os arquivos apresentados eram dos anos de 2017 a 2020. Um dos documentos comprova que o suspeito passou por uma redução de estômago, mas há cerca de 16 anos. A última consulta feita por Cesário foi em março de 2020.

O Poder Judiciário entrou em contato com pelo menos três profissionais listados pelo réu. Uma médica relatou ter atendido Cesário “há alguns anos”. Já um outro profissional diz ter atendido o suspeito em janeiro de 2019 e recomendado que ele fizesse uso de vitamina D. Em um outro relato, um profissional afirma que havia se encontrado com o paciente pela última vez em 2014 e, por isso, “estaria impossibilitado de dizer da condição clínica atual” dele.

Gerson Geraldo Cesário, que é irmão de Ronaldo Batista (PSC), ex-vereador de Belo Horizonte que também está preso por suspeita de envolvimento no crime, teve a prisão domiciliar negada por ausência de provas. O juiz ainda ressalta que, durante boa parte do processo, o réu estava foragido. Ele foi preso no início de setembro em um sítio em Igarapé, na região metropolitana de Belo Horizonte.

A reportagem tenta contato com a defesa de Gerson Geraldo Cesário.

Moura era vereador do MDB em Funilândia (MG)

Moura era vereador do MDB em Funilândia (MG)

Reprodução / Record TV Minas

Disputa sindical e morte

Hamilton Dias de Moura (MDB), vereador da cidade de Funilândia, a 80 km de Belo Horizonte, foi encontrado morto dentro de um carro em 21 de julho de 2020. O veículo estava estacionado ao lado da estação de metrô Vila Oeste. O parlamentar teria sido atraído para o local para negociar a compra de um lote.

A investigação da Polícia Civil concluiu que o vereador da capital mineira Ronaldo Batista (PSC) teria pago R$ 40 mil para encomendar a morte de Moura. O assassinato teria sido causado por conta de uma disputa sindical. Batista e Moura têm relação com a categoria do transporte de cargas no Estado.

Veja: Escândalos com vereadores marcam legislatura da Câmara de BH

Ronaldo Batista, que assumiu o mandato após a Câmara Municipal cassar um vereador pela primeira vez na história, foi preso e teve o mandato suspenso. Ele foi substituído por Reinaldinho (PMN). Batista e outras nove pessoas envolvidas no assassinato de Hamilton de Moura vão à júri popular, mas a data do julgamento ainda não foi anunciada.

*​Estagiário do R7 sob a supervisão de Lucas Pavanelli.

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