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Latidos de cadela abandonada salvam recém-nascido deixado em sofá velho na Grande BH

Meg chamou a atenção de moradores para o terreno onde o bebê, ainda com o cordão umbilical, havia sido abandonado

Minas Gerais|Cler Santos, do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Latidos de uma cadela abandonada, chamada Meg, alertaram moradores sobre um recém-nascido deixado em um sofá velho em Sabará, na Grande BH.
  • O bebê, ainda com o cordão umbilical, foi encontrado por funcionários de uma marmoraria, que chamaram a polícia para o resgate.
  • Apesar do frio e da situação de abandono, o recém-nascido apresentava sinais vitais e foi levado para atendimento médico, estando em bom estado de saúde.
  • A polícia investiga o caso para identificar quem abandonou a criança, e a mãe é incentivada a se apresentar às autoridades.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Meg não parava de latir em direção ao terreno e ajudou a localizar o bebê
Meg não parava de latir em direção ao terreno e ajudou a localizar o bebê

Os latidos insistentes de uma cadela abandonada podem ter sido determinantes para salvar a vida de um recém-nascido encontrado na manhã desta sexta-feira (31), em um lote vago no bairro General Carneiro, em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O bebê, ainda com o cordão umbilical, foi deixado dentro da estrutura de um sofá velho e só foi localizado porque a cachorrinha, conhecida como Meg, não parava de latir em direção ao terreno.

A história emociona porque Meg também é uma cadela abandonada que vive nas proximidades do lote. Desta vez, foi justamente um animal que conhece o abandono quem ajudou a salvar uma criança deixada nas mesmas circunstâncias.


A cena chamou a atenção de funcionários de uma marmoraria que fica ao lado do lote. O empresário Mauro Santana contou que estranhou o comportamento do animal e decidiu verificar o que estava acontecendo. “Quando eu cheguei, vi a cachorrinha insistindo, latindo em direção ao local onde estava a criança. Aí eu falei: ‘vou lá ver o que é’. Eu e um caminhoneiro fomos até lá e encontramos o bebê naquele estado.”

Segundo Mauro, o recém-nascido estava abandonado dentro da estrutura de um sofá, enrolado em uma toalha e coberto parcialmente por uma blusa de frio. Apesar da situação, ele apresentava sinais vitais.


“Quando percebemos que ele estava vivo, ele começou a chorar mais. Aí ligamos para o 190 e não mexemos em nada para não descaracterizar o local. A Polícia Militar chegou rapidamente e fez o socorro.”

O empresário acredita que o bebê havia nascido poucas horas antes. “Ele ainda estava com o cordão umbilical. Pelo que vimos, parecia que tinha nascido havia pelo menos umas duas horas.”


Além do choque pela descoberta, Mauro disse que jamais imaginou presenciar uma situação semelhante. “Foi uma surpresa muito grande achar um recém-nascido com vida numa situação dessas. O pessoal costuma abandonar animais aqui. Agora, recém-nascido, foi a primeira vez. Comecei o dia muito triste com essa notícia.”

Para quem trabalha na região, o desfecho poderia ter sido outro se Meg não tivesse insistido em chamar atenção para o terreno. “Se não fosse a Caramelo, a cadelinha ali, podia ter sido pior. Ela sinalizou, mas não atacou o bebê”, disse um outro homem que não quis se identificar.


Polícia acreditou que bebê estivesse morto

O sargento Cristiano Queiroz, da Polícia Militar, contou que, quando os militares chegaram ao local, a primeira impressão foi a de que a criança não havia resistido. “Ela estava totalmente imóvel. Nossa equipe acreditou que poderia estar em óbito. Quando vimos que ela se mexeu, prontamente fizemos o socorro.”

Segundo o militar, a criança estava pouco agasalhada e enfrentou uma madrugada de frio intenso. “Ela estava apenas com uma toalha e alguns pedaços de roupa. Eu mesmo comecei o serviço às 5h30 e estava com muito frio. É surpreendente como essa criança conseguiu sobreviver.”

O policial também revelou o impacto emocional da ocorrência. “Depois que eu fui pai, ocorrência envolvendo criança mexe demais com a gente. Já vi muita coisa na carreira, mas criança realmente abala muito.”

Estado de saúde

O recém-nascido foi levado inicialmente para a UPA Leste, em Belo Horizonte, onde passou pelos primeiros atendimentos. De acordo com a Polícia Militar, apesar das circunstâncias do abandono, o estado de saúde é considerado bom. A equipe médica acredita que o parto tenha ocorrido durante a madrugada, poucas horas antes de a criança ser encontrada. Posteriormente, o bebê foi transferido para a Maternidade Odete Valadares, onde permanece internado para acompanhamento especializado.

Em nota, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) informou que, em situações como essa, o hospital aciona a Vara da Infância e Juventude e continua responsável pelos cuidados com o recém-nascido até que a Justiça defina o futuro da criança.

Investigação

A Polícia Militar e a Polícia Civil trabalham para identificar quem abandonou o bebê. As roupas encontradas com a criança foram recolhidas para perícia e podem ajudar nas investigações.

Segundo o sargento Cristiano Queiroz, uma blusa de frio preta é, até o momento, a principal pista. “Estamos trabalhando para identificar se alguém viu recentemente alguma gestante usando essa vestimenta. No local não há câmeras de segurança, então contamos com o apoio da população.”

O militar reforçou que a mãe deve procurar as autoridades. “Ela deve se apresentar. A polícia vai trabalhar incansavelmente para localizá-la.”

Crime previsto em lei

O abandono de incapaz é crime previsto no artigo 133 do Código Penal. A pena varia de seis meses a três anos de detenção, podendo aumentar caso a vítima sofra lesões graves ou morra em decorrência do abandono.

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que o Brasil registrou 4.010 casos de abandono de incapaz envolvendo crianças de até 9 anos em 2025. No ano anterior, foram 3.448 ocorrências, um aumento de aproximadamente 16,3% em apenas um ano.

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