Mãe, falsa avó e outros dois viram réus por morte e abandono de meninos em MG
Lista de crimes tem delitos como homicídio, cárcere privado, tortura e extorsão; um dos acusados morreu
Minas Gerais|Pablo Nascimento, do R7

A Justiça de Minas Gerais recebeu a denúncia do MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) que pede a condenação de quatro pessoas por envolvimento no caso dos meninos abandonados em um apartamento de Belo Horizonte.
Com a decisão, os quatro acusados se tornam réus. Dentre eles, estão Terezinha Pereira dos Santos, mulher que se passou por avó das crianças, e Kátia Cristina Alves Robes, mãe dos garotos. A lista de crimes conta com uma acusação de homicídio, pela morte de Emanuel Alves Robes, com 4 anos. O menor era filho de Kátia.
Diego Pinheiro dos Santos, filho de Terezinha, também estava entre os denunciados. O homem morreu no último sábado (13). Ele foi encontrado ferido no presídio onde estava preso.
"O processo está em curso, na fase de instrução, e tramita em segredo de justiça", informou o TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais). O recebimento da denúncia aconteceu no dia 24 de abril, mas o Judiciário revelou a informação nesta segunda-feira (15).
Todos os réus estão presos. A reportagem teve acesso à denúncia do MPMG (Ministério Público de Minas Gerais). Terezinha foi apontada como autora da maior parte dos crimes. Ela é dona do sítio onde Kátia vivia com a família desde 2021, quando chegou à Grande BH e ganhou uma oferta de emprego da mulher.
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A investigação apontou que Kátia e os filhos eram obrigados a realizar trabalho não remunerado no local. As vítimas eram torturadas quando não atendiam às demandas, indicou a denúncia assinada pelo promotor de Justiça Marcelo Dumont Pires.
A denúncia indica que, apesar de também ser vítima, Kátia não pretegia os filhos das sessões de tortura e também agredia as crianças.
Veja cada um dos crimes pelos quais os réus vão responder:
• Terezinha Pereira dos Santos (dona do sítio): homicídio (do filho de Kátia), extorsão, tortura, abandono de incapaz, cárcere privado e apropriação indébita;
• Kátia Cristina Alves Robes (mãe das crianças): homicídio (do próprio filho) e tortura (dos filhos);
• Diego Pinheiro dos Santos (filho de Terezinha): homicídio (do filho da Kátia), tortura e cárcere privado;
• Lalesca Pereira dos Santos (filha de Terezinha): abandono de incapaz e cárcere privado.
Veja a dinâmica do crime apurada pela perícia:
• Terezinha, Diego e Kátia foram denunciados por homicídio por motivo torpe, mediante tortura, emprego de meio cruel e utilização de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, causando lesões que levaram à morte do pequeno Emanuel Alves Robes, de 4 anos, filho de Kátia.
• Entre novembro de 2021 e fevereiro de 2023, no sítio em Bicas, Terezinha, Diego e Kátia submeteram os filhos de Kátia a "intenso sofrimento físico e psicológico", como forma de "aplicar-lhes castigo pessoal, causando a morte da vítima Emanuel" e lesões nas outras crianças.
• No apartamento da Lagoinha, em BH, Terezinha submeteu os filhos de Kátia a "intenso sofrimento físico e psicológico, causando-lhes diversas lesões".
• Entre novembro de 2021 e fevereiro de 2023, no apartamento da Lagoinha, Terezinha e Diego mantiveram três filhos de Terezinha (de 9, 6 e 4 anos) privados de liberdade.
• Entre 15 de fevereiro de 2023 e 19 de fevereiro de 2023, Terezinha e Lalesca mantiveram dois filhos de Kátia (de 9 e 6 anos) sob cárcere privado.
• Entre novembro de 2021 e fevereiro de 2023, em Bicas, Terezinha, mediante violência, grave ameaça e restrição da liberdade das vítimas, com o intuito de obter para si indevida vantagem econômica, constrangeu os três filhos de Kátia (de 9, 6 e 4 anos) a "trabalho forçado", oportunidade em que ainda se apropriou dos documentos da Kátia a fim de cadastrá-los no programa Bolsa Família.
• Terezinha e Diego se apossaram dos documentos de Kátia "para cadastrarem a família no programa Bolsa Família, ocasião em que Terezinha e Diego se aproveitaram do respectivo cartão para receber os valores em nome da família".
• Terezinha e Diego constrangeram Kátia e a familia dela "mediante violência ou grave ameaça, com o intuito de obter indevida vantagem econômica, a trabalhar em serviços pesados, tais como obras, capinas, carregamento de lenhas, em que até mesmo crianças eram obrigadas a cavar buracos, utilizando ferramentas pesadas que superavam suas capacidades físicas";
• Em várias oportunidades, "em que as crianças não conseguiam atender às demandas dos denunciados, estes impunham-lhes diversos castigos, agredindo-lhes em diversas partes do corpo".
Relembre detalhes da denúncia:















