Médicos acusados de integrar "Máfia de Órgãos" serão julgados em março em BH
A pedido do Ministério Público, julgamento será na capital mineira e não em Poços de Caldas
Minas Gerais|Do R7

O Tribunal de Justiça marcou para o dia 11 de março o julgamento de quatro médicos acusados de integrar a chamada “Máfia de Órgãos”. A pedido do Ministério Público, a sessão será em Belo Horizonte e não em Poços de Caldas, no sul do Estado, onde o crime ocorreu.
De acordo com o MP, os jurados poderiam ser influenciados ou ameaçados caso o julgamento fosse realizado em Poços de Caldas, e acrescentou que eles não dispõem de proteção. Além disso, alegou que houve um "bombardeio" de comunicados da classe médica sobre o julgamento e isso poderia intimidar os jurados.
Os réus, o nefrologista Álvaro Ianhez, o anestesiologista Marco Alexandre Pacheco da Fonseca, o intensivista José Luiz Bonfitto e o neurocirurgião José Luiz Gomes da Silva respondem pela retirada dos órgãos ainda durante o tratamento do menino Paulo Veronesi Pavesi, em abril de 2000, caso que ganhou repercussão internacional e provocou o fechamento da central clandestina MG Sul Transplantes.
Segundo denúncia do Ministério Público, os profissionais seriam responsáveis pelo atendimento a Pavesi, que caiu durante uma brincadeira no prédio onde morava, mas ele teve o tratamento negligenciado para que a retirada dos órgãos fosse possível.
Em fevereiro de 2014, os médicos Sergio Poli Gaspar, Celso Roberto Frasson Scafi e Cláudio Rogério Carneiro Fernandes foram condenados, respectivamente, a 14, 17 e 18 anos de prisão pelo crime de remoção de órgãos de Paulo Pavesi, com o agravante de prática em pessoa viva, resultando em morte. Eles chegaram a ser presos, mas receberam habeas corpus e cumprem medidas cautelares, como a proibição de trabalhar na rede pública, enquanto aguardam recurso.















