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Mendigos da capital mineira dependem de voluntários para sobreviver nas ruas

Em crescimento, população denuncia insegurança e medo por morar nas calçadas

Minas Gerais|Enzo Menezes, do R7

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Cerca de 1.164 pessoas moravam nas ruas de BH até 2005
Cerca de 1.164 pessoas moravam nas ruas de BH até 2005

Enquanto o poder público decide o que um morador de rua em Belo Horizonte pode ou não carregar sem ter os pertences recolhidos por fiscais e policiais, a fome e o abandono não esperam e fazem esta população depender, cada vez mais, da ajuda de voluntários.

Em BH, cerca de 1.164 pessoas moravam nas ruas em 2005. Até o fim de 2013, a prefeitura deve divulgar um novo censo, e associações que trabalham com esta população estimam que o número tenha dobrado.


Na última quinta-feira (24), foi lançado um concurso de arquitetura para definir projetos de revitalização para espaços localizados debaixo de viadutos. Quatro pontos da cidade devem receber atividades de esporte e lazer em 2014 com a medida.

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A reportagem do R7 percorreu pontos das regiões leste e central por duas noites neste mês e encontrou cerca de 30 pessoas, de várias as idades, nesta situação - boa parte possui casa, mas se afastou do convívio familiar por problemas com crack e álcool. Também há ex-presidiários, ex-policiais, jovens e idosos que, em comum, denunciam a insegurança de se viver sob marquises ao relento. Por medo, muitos se negaram a ser fotografados. Boa parte se recusou a conversar.

Voluntários e preconceito


Grupos sociais que se organizam voluntariamente tentam amenizar a fome destas pessoas distribuindo lanche durante a noite e, o que mais surpreende aos mendigos, oferecer um pouco de atenção. Suede Odeon Correia, 51, sai de casa toda sexta-feira à noite com esse objetivo e se surpreende de onde pode surgir o preconceito.

— Eles ficam arredios porque não estão acostumados a ser bem tratados. Uma vez tive que beber o leite para uma senhora acreditar que não queria envenená-la. Já aconteceu de uma mulher que chegava a um bar se desviar com cara de nojo quando percebeu que a gente entregava alimentos. Em outra, uma policial disse que a gente atrapalha o trabalho dela porque sustenta "bandido". Muita gente não entende.


Censo pode ajudar

Para um trabalho planejado, é preciso conhecer quem está nas ruas. Com o recenseamento desta população desatualizado, não é possível medir o alcance de políticas públicas. Para isso, o Comitê de Acompanhamento de Políticas Públicas para a População de Rua busca apoio dos próprios moradores para a realização da pesquisa. Eles vão receber pelo trabalho e ajudarão na formulação das perguntas e na abordagem aos colegas.

— 40% desse publico está em situação de rua. As outras pessoas têm residência fíxa, por vezes até casa própria ou moram com parentes. A gente tem que ter muito cuidado na hora de tratar desse tema, porque, se nao, colocamos todas as situações no mesmo campo.

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