Morre o ex-governador de Minas Francelino Pereira aos 96 anos
Pereira morreu em casa e a causa da morte não foi divulgada
Minas Gerais|Maria Clara Prates, do R7

O ex-governador de Minas, Francelino Pereira, de 96 anos, morreu nesta quinta-feira (21), em sua casa, de acordo com o DEM, partido ao qual era filiado. O corpo será velado a partir das 14hs no Palácio da Liberdade, na região Centro-Sul da capital, mas a causa da morte não foi divulgada. Pereira administrou o estado durante o período militar, entre 1979 e 1983.
Chegar ao governo de Minas foi mais um posto na sua vasta carreira política iniciada ainda em 1950, em Belo Horizonte, como vereador. Depois assumiu, por quatro mandatos, o cargo de deputado federal entre 1963 e 1979, quando também assumiu a presidência da Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido de sustentação dos militares a época. Entre os anos de 1995 e 2003, já durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Pereira ocupou uma cadeira no Senado, também por Minas.
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Apesar de ter feito carreira política em terras mineiras, Francelino Pereira é natural de Amarante no (PI). Depois de passar pela capital do estado, se mudou para Fortaleza (CE), onde fundou e dirigiu um jornal estudantil. Mais tarde se mudou para Belo Horizonte e se manteve como colaborador de jornais até concluir o ensino secundário no Colégio Afonso Arinos. Passou a cursar direito, em 1955, na Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais.
Na universidade, intensificou sua atuação política e assumiu a presidência do Centro Acadêmico Afonso Pena e participou de vários congressos promovidos pela União Nacional dos Estudantes (UNE). Sua primeira filiação partidária foi à União Democrática Nacional (UDN), que reunia políticos como Mílton Campos e Pedro Aleixo, pela qual disputou uma cadeira na Câmara Municipal da Capital em 1958. No ano seguinte, formou-se em direito.
Pereira teve forte participação na vida política brasileira durante o período da ditadura militar. Com forte ligação com o também ex-governador de Minas, Magalhães Pinto, em sua primeira legislatura, em 1963, fez discurso na Câmara dos Deputados anunciando o rompimento de Minas com o governo de João Goulart, deposto em março de 1964.
Presidência
Com a edição do AI-5 (Ato Institucional n 5), que acabou com os partidos e estabeleceu o bipartidarismo no país, Pereira se filiou ao partido governista, a Arena. Em razão de sua atuação na agremiação, em agosto de 1975, foi indicado pelo presidente Ernesto Geisel para presidir a Arena em substituição a Petrônio Portela.
Com apoio e indicação dos militares para o governo de Minas, Francelino Pereira foi eleito indiretamente e assumiu a condução do estado em março de 1979. Mas não teve vida fácil, Sua administração foi marcada por uma violenta onda de agitações grevistas, que teve seu ponto mais tenso com a paralisação dos operários da construção civil em Belo Horizonte. Foram 22 paralisações de diferentes categorias em apenas 14 dias.
Diante do caos, se cogitou até mesmo numa intervenção de forças federais no estado, o que não ocorreu. Francelino concluiu seu governo e com a volta das agremiações se manteve no partido governista que recebeu o nome de Partido Democrático Social (PDS), hoje DEM. O presidente do DEM, Efraim Filho, chega em Belo Horizonte nesta quinta (21), para participar da despedida ao político.















