Obras de arte e pratarias somem de palácio histórico em MG; deputados pedem investigação
Caso envolve peças atribuídas a artistas como Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti; Palácio era a residência oficial de governadores
Minas Gerais|Maria Luiza Reis, do R7
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A Polícia Federal foi acionada para investigar o desaparecimento de obras de arte, móveis históricos, louças, pratarias e outros bens do acervo do Palácio das Mangabeiras, em Belo Horizonte, a antiga residência oficial dos governadores de Minas Gerais. O caso envolve peças atribuídas a artistas como Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti.
O que é o Palácio das Mangabeiras?
Inaugurado em 1955 e projetado inicialmente por Oscar Niemeyer, o Palácio das Mangabeiras foi a residência oficial de 17 governadores de Minas Gerais ao longo de mais de seis décadas. Em 2019, o então governador Romeu Zema decidiu desocupar o imóvel, que passou a ser destinado a atividades culturais, turísticas e de visitação pública, sob gestão da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge).
Em 2022, uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) assumiu a administração do espaço, que passou a ser alugado para eventos públicos e privados.
Como o caso veio à tona?
O escândalo emergiu em 17 de junho de 2026, durante uma reunião de prestação de contas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O secretário estadual de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, revelou que, em 2020, encontrou 44 obras de arte cobertas por tecidos no Palácio, entre elas, peças de Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti, e que as obras foram encaminhadas ao acervo do Museu Mineiro.
O secretário admitiu que “muitas obras craquelaram” e que “houve danificação”, incluindo um biombo de quatro metros de Di Cavalcanti. Ele também afirmou que ainda era necessário “correr atrás do restante” do acervo.
Visita técnica
Em 2 de julho, deputados da Comissão de Cultura da ALMG foram pessoalmente ao Palácio das Mangabeiras. O que encontraram,segundo eles, foi quase nada: de todo o mobiliário e acervo histórico que o imóvel já abrigou, restavam apenas uma mesa de centro, duas poltronas, um sofá e um piano.
“Por uma tomada de decisão do ex-governador Zema e do atual governador Simões, o Palácio não é mais utilizado para fins de moradia. Isso nos chamou a atenção para um patrimônio histórico, material e imaterial, que estava presente aqui.”, relatou o Deputado Leleco Pimentel (PT), autor do requerimento que originou a visita
Os representantes da Codemge presentes à reunião não souberam indicar o paradeiro dos bens retirados. A empresa se comprometeu a entregar à Comissão de Cultura, até 16 de julho, a documentação referente ao acervo.
Por que a Polícia Federal foi acionada?
Segundo a deputada Bella Gonçalves o acionamento da PF, e não apenas da Polícia Civil estadual, se justifica por dois motivos: o primeiro é que o caso pode envolver ex-governadores e o atual governador, cujos crimes comuns são julgados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o que exige investigação federal desde o início. O segundo é que parte das obras desaparecidas pode integrar o patrimônio cultural brasileiro protegido pelo IPHAN, o que atrai competência federal.
Entre os crimes investigados estão peculato (apropriação de bens públicos por agentes públicos) dano qualificado ao patrimônio público e possíveis infrações à legislação federal de proteção ao patrimônio histórico e cultural.
O que diz o Governo de Minas
Em nota, o Governo de Minas afirmou que os bens do Palácio das Mangabeiras “foram devidamente inventariados por ocasião da mudança de função do imóvel e destinados aos órgãos e entidades responsáveis por sua guarda”. O governo sustenta que as movimentações realizadas foram “transferências internas de patrimônio público, sem alteração da titularidade dos bens”, e que segue à disposição dos órgãos de fiscalização para prestar esclarecimentos.
Quais são os próximos passos?
Além da investigação da Polícia Federal, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) analisa a representação protocolada pelo Bloco Democracia e Luta, de oposição ao governo. A Codemge tem até 16 de julho para apresentar o inventário dos bens à Comissão de Cultura. Caso as dúvidas persistam, os deputados prometem encaminhar notícia-crime também ao Ministério Público.
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