PM prende suspeita de usar falsas vagas de emprego para coletar dados e biometria de pessoas em BH
Mulher teria usado documentos com diferentes identidades para abordar candidatos em supostos processos seletivos
Minas Gerais|Giovana Riggio*, do R7 e Núbia Roberto, da RECORD Minas
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A Polícia Militar de Minas Gerais prendeu, na terça-feira (18), em Belo Horizonte, uma mulher suspeita de utilizar falsos processos seletivos para coletar dados pessoais e biometria facial de candidatos a vagas de emprego.
A abordagem ocorreu em um espaço de coworking no bairro Glória, na região Noroeste da capital, após o proprietário do estabelecimento identificar indícios de fraude na documentação apresentada para a locação de uma sala.
Segundo a PM, a suspeita teria utilizado diferentes identidades e documentos com indícios de falsificação para alugar salas em espaços de coworking. Nesses locais, ela supostamente se apresentava como recrutadora e realizava entrevistas de emprego fictícias, nas quais solicitava informações pessoais dos candidatos e, em alguns casos, imagens do rosto para procedimentos de biometria facial.
A polícia foi acionada pelo responsável pelo coworking, que percebeu semelhanças entre a fotografia de um documento apresentado pela mulher e imagens que haviam sido compartilhadas anteriormente em grupos de proprietários de estabelecimentos do tipo, relacionadas a suspeitas de fraude.
No horário marcado para a suposta entrevista, uma mulher compareceu ao local utilizando a identidade apresentada durante a locação da sala. Durante a abordagem, porém, ela forneceu outro nome e não apresentou documento de identificação.
Durante as diligências, os policiais encontraram imagens de diferentes Carteiras Nacionais de Habilitação com nomes e qualificações distintas, mas com a fotografia da mesma mulher. Conforme levantamentos do Serviço de Inteligência da PM, havia indícios de que os documentos não correspondiam às pessoas identificadas neles.
Falsas vagas
De acordo com a investigação inicial, as possíveis vítimas eram contatadas por telefone por uma pessoa que se apresentava como representante de uma empresa de recrutamento. As ofertas envolviam salários elevados e benefícios, com o objetivo de atrair os candidatos para supostas entrevistas.
Após o primeiro contato, os interessados eram encaminhados a espaços previamente alugados. Durante os encontros, eram orientados a preencher fichas com dados pessoais e, em determinadas situações, submetidos à captação de imagens faciais.
No coworking onde a suspeita foi abordada, os policiais encontraram cadernos e fichas com informações de pessoas que participariam das supostas entrevistas. O material motivou novas diligências para identificar possíveis vítimas.
Tentativa de financiamento de veículo
Um dos relatos chamou a atenção dos policiais. Uma vítima contou que havia participado de uma suposta entrevista no dia anterior, quando forneceu dados pessoais e realizou um procedimento de captação de biometria facial.
Segundo o relato, a entrevistadora teria insistido por mais de uma hora para que o procedimento fosse realizado. Cerca de cinco minutos depois de deixar o local, a vítima recebeu uma ligação da gerente bancária questionando uma suposta tentativa de compra de um veículo em Curitiba, no Paraná.
Conforme informado à PM, foram registradas três tentativas de utilização da biometria facial da vítima para contratar o financiamento do veículo. As operações não foram concluídas porque o banco recusou as transações.
A vítima afirmou ainda que a suposta entrevista de emprego havia sido a única situação, naquele contexto, em que forneceu seus dados pessoais e permitiu a captação de imagens do rosto.
Seis possíveis vítimas
Até o encerramento do registro policial, seis possíveis vítimas haviam sido ouvidas pela PM. A corporação não descarta que outras pessoas tenham sido submetidas ao mesmo esquema.
Os levantamentos apontam, em tese, para um possível modo de atuação baseado na oferta de falsas vagas de emprego, no uso de identidades diversas e em documentos com indícios de falsificação para conquistar a confiança dos candidatos e obter dados pessoais e biométricos.
A suspeita, segundo a PM, é natural de Curitiba e possui registros policiais anteriores relacionados ao tráfico internacional de drogas.
A ocorrência e os materiais recolhidos foram encaminhados à Polícia Judiciária, que dará continuidade às investigações. Entre os objetivos estão verificar a autenticidade dos documentos, identificar possíveis outros envolvidos, localizar novas vítimas e apurar o destino dos dados pessoais e biométricos coletados.
O caso poderá envolver, em tese, crimes como estelionato, falsidade documental, uso de documento falso, falsa identidade e utilização indevida de dados de terceiros, além de outras infrações que eventualmente sejam identificadas durante a investigação.
A Polícia Militar orienta que candidatos tenham cautela diante de ofertas de emprego que exijam grande quantidade de informações pessoais ou procedimentos de biometria facial, especialmente quando não houver informações claras e verificáveis sobre a empresa responsável pelo processo seletivo.
*Estagiária sob supervisão de Cler Santos
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