Polícia abre inquérito para investigar golpe das vacinas em MG
Ao todo, pelo menos quatro clínicas da capital mineira denunciaram a mulher que intermediou a venda dos imunizantes
Minas Gerais|Camila Cambraia, Da RecordTV Minas

A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar o caso da mulher suspeita de aplicar o golpe da vacinação infantil em Minas Gerais. A suspeita teria enganado famílias e clínicas ao se passar por representante de unidades e receber o pagamento da aplicação. O esquema ganhou visibilidade depois que uma influenciadora digital foi vítima.
Segundo a Associação Brasileira das Clínicas de Vacina, a falsária recebia o pagamento da família via Pix, agendava o atendimento em domicílio em clínicas privadas em nome da criança que receberia a vacina e depois apresentava um comprovante falso para o agendamento. O serviço ia até casa da família, e aplicava a primeira dose, mas quando percebia que o pagamento não existia, a empresa não voltava para aplicar a segunda.
O primeiro contato da golpista com a influenciadora foi através de uma mensagem em uma rede social. Na conversa, ela oferece uma espécie de parceria para a vacinação dos filhos da mulher, que tem mais de 100 mil seguidores em um perfil sobre maternidade. A suspeita afirma que é cunhada de uma pediatra de um hospital da capital, e diz que a médica teria conseguido descontos em vacinas particulares infantis. Para usar o desconto, a suposta médica precisaria vacinar 10 crianças até 20 de fevereiro.
A estelionatária então ofereceu doses de imunizantes infantis de graça ou pela metade do preço, em troca de divulgação. Em pouco tempo, as duas começaram a conversar por um aplicativo de mensagens. Por áudios, a suspeita dá detalhes sobre a proposta.“Para obter o desconto não é somente ir até a clínica, isso precisa ficar claro, tem que ser agendado através de mim", ressaltou.

A blogueira chegou a divulgar para os seguidores a oferta e outras mães caíram no golpe. Jeniffer Carolina pagou R$1.000 por quatro doses de imunizantes contra pneumonia e meningite. No dia combinado, ela recebeu em casa a funcionária que aplicou duas vacinas na filha dela mas, tempos depois descobriu que ainda estava em dívida com a clínica.
"Me ligaram da clínica falando que eu tinha caído num golpe, que a clínica não tinha ganhado nem um real do que eu tinha depositado. Eu até falei com o dono e perguntei ‘minha filha tomou o que?’ E ele falou que as outras vacinas serão dadas”, diz Jeniffer.
Ao todo, pelo menos quatro clínicas da capital mineira denunciaram a mulher que intermediou a venda das vacinas. Somente em uma das unidades, o prejuízo ultrapassa R$30 mil.
A ABCVAC (Associação Brasileira das Clínicas de Vacina) emitiu um alerta nas redes sociais sobre o golpe. “A nossa preocupação é que as mães não adquiram mais nenhuma vacina que não seja diretamente com as clínicas de sua confiança. Consulte seu pediatra, consulte o médico de referência, porque não existe representante de vacina”, alerta Geraldo Barbosa, presidente da associação.
Sobre a investigação, a Polícia Civil informou que, neste momento, nenhuma informação será repassada para não atrapalhar os trabalhos. Disse ainda que os detalhes do caso serão divulgados à medida que a investigação avançar.















