Segundo dia de julgamento de réu da Chacina de Unaí terá exibição de vídeos
Ministério Público Federal terá três horas para demonstrações de documentos
Minas Gerais|Do R7

Começou há cerca de uma hora o segundo dia de julgamento do ex-prefeito de Unaí, no noroeste do Estado, Antério Mânica. Ele é apontado como um dos mandantes do crime que ficou conhecido como Chacina de Unaí, onde três fiscais e um motorista foram executados. O júri teve início na última quarta-feira (4), na sede da Justiça Federal em Belo Horizonte e é presidido pelo juiz Murilo Fernandes de Almeida.
No primeiro dia, Mânica chegou ao local sorrindo por volta de 8h e não quis falar com a imprensa. Os trabalhos avançaram durante a noite e a sessão foi encerrada por volta de 21h. No total, foram ouvidas 16 testemunhas de acusação e três de defesa. Elas divergiram sobre a suposta participação do empresário nas mortes.
Hugo Alves Pimenta, delator de Norberto Mânica no esquema, afirmou que não conheceu o irmão dele, Antério, antes de ser preso. Ele disse que só ouviu o nome do ex-prefeito de um dos pistoleiros já condenados, que disse que Antério estava nervoso em um Marea mandando "matar todo mundo". O pistoleiro Erinaldo Vasconcelos, na sessão do júri, disse que só soube que os mandantes eram os reis do feijão depois que foi preso, já que só teve contato com os intermediários.
Hoje, a sessão será marcada pela exibição de documentos juntados ao processo pelos representantes de acusação do Ministério Público Federal. Será feita a demonstração de vídeos de depoimentos.
Hugo Alves Pimenta, delator de Norberto Mânica no esquema, afirmou que não conheceu o irmão dele, Antério, antes de ser preso. Ele disse que só ouviu o nome do ex-prefeito de um dos pistoleiros já condenados, que disse que Antério estava nervoso em um Marea mandando "matar todo mundo".
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Condenações
Noberto Mânica e José Alberto de Castro foram condenados a 100 e 96 anos de prisão, respectivamente, em outubro de 2015. Os executores da chacina, Erinaldo Vasconcelos Silva, Rogério Allan Rocha Rios e Willian Gomes de Miranda, já cumprem pena pelos crimes. Eles foram julgados e condenados pelo Tribunal do Júri Federal em setembro de 2013, com penas que foram de 56 a 94 anos de prisão. Um dos acusados teve o processo extinto e um dos intermediadores morreu na cadeia em 2013.
Relembre o caso Em 28 de janeiro de 2004, os três fiscais do Trabalho Eratóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares e Nelson José da Silva e o motorista Aílton Pereira de Oliveira foram mortos a tiros em uma emboscada em uma estrada de terra, próxima de Unaí, na região Noroeste do Estado. Na ocasião, as vítimas fiscalizavam denúncias de trabalho escravo e diversas irregularidades trabalhistas nas propriedades rurais dos empresários, que devido ao poder econômico são conhecidos como "reis do feijão". O carro do Ministério do Trabalho foi cercado por homens armados, que mataram os fiscais à queima-roupa, ainda atados aos cintos de segurança. Segundo o MPF, Antério teria ligado para o local de trabalho dos fiscais para confirmar a morte antes que o crime se tornasse conhecido e, em outra ligação, teria perguntado se um dos servidores estava no local para receber flores. A acusação ainda aponta ligações telefônicas entre os réus no dia do crime e o testemunho do réu William Gomes que coloca Antério Mânica em um Marea dizendo que "pode matar todo mundo".















