TJMG determina fim da greve dos professores da rede estadual
Justiça alegou que paralisação é "inoportuna" e não cumpre requisitos legais; sindicato da categoria afirma que vai recorrer
Minas Gerais|Dara Russo*, do R7

O TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) determinou, nesta quinta-feira (10), o fim do movimento grevista dos servidores da educação estadual, que teve início na quarta (9). A categoria reivindica ao governo do estado o cumprimento do Piso Salarial da Educação.
No documento, o relator e desembargador Raimundo Messias Júnior, afirma que o SindUTE/MG (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais) não indicou corretamente a pauta de reivindicações e não esclareceu como será garantida a prestação dos serviços, considerados indispensáveis à população, especialmente no cenário de retomada às atividades presenciais.
"Portanto, para o exercício ao direito de greve, é indispensável que haja prévia, direta e pacífica tentativa de negociação com o empregador; que tenha sido frustrada ou impossibilitada a negociação; que a deflagração da paralisação ocorra somente após decisão em assembleia; que seja garantida a continuidade de prestação de serviços essenciais e ocorra a comunicação com antecedência de 72 horas da paralisação", justificou o TJMG.
A Justiça ainda alegou que a paralisação é "inoportuna e extremamente nociva para a coletividade". O órgão também determinou o retorno imediato dos servidores da educação básica ao trabalho e definiu uma multa diária no valor de R$ 100 mil em caso de descumprimento da decisão.
O Sind-UTE/MG informou, em nota, que irá recorrer, solicitando uma audiência com o Governo do Estado. O sindicato ainda acusou a gestão de Romeu Zema (Novo) de judicializar o tema sem estabelecer =processo de negociação com a categoria.
"A greve só foi deflagrada em função da omissão do governador no cumprimento da lei ou de qualquer apresentação de propostas à categoria. A iniciativa do governo revela ainda que o movimento está com forte adesão em todo o estado", afirmou o Sind-UTE, que não estimou o número de trabalhadores paralisados.
Confira a nota do sindicato na íntegra:
O Sind-UTE/MG esclarece que o governo Zema, sem estabelecer nenhum
processo de negociação com a categoria, judicializou a greve iniciada no dia 09 de março.
Nesta quinta-feira, dia 10 de março de 2022, o desembargador Raimundo
Messias, concedeu uma decisão liminar determinando a suspensão da
greve.
No entanto, o desembargador, ao proferir sua decisão, não designou uma
audiência de mediação conforme determina o Regimento Interno do
Tribunal de Justiça.
Diante desta irregularidade, o SInd-UTE/MG informa à categoria que
recorrerá desta decisão solicitando, entre outras questões, que a legislação seja cumprida o que inclui a determinação da audiência entre o governo do estado e o sindicato.
Reiteramos a necessidade do fortalecimento do nosso movimento
conforme decisão da assembleia estadual realizada pela categoria.
Lamentamos, mais uma vez, a postura do governo Zema com a categoria
por não estabelecer diálogo nem cumprir a legislação do Piso.
A greve só foi deflagrada em função da omissão do governador no
cumprimento da lei ou de qualquer apresentação de propostas à categoria.
A iniciativa do governo revela ainda que o movimento está com forte adesão em todo o estado.
*Estagiárias sob supervisão de Pablo Nascimento















