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Trinca de 300 metros em barragem deixa moradores em alerta em Santa Bárbara (MG)

Estrutura foi classificada em nível de alerta 1 no mês passado; empresa diz que não há risco de rompimento

Minas Gerais|Vinícius Rangel, da Record TV Minas

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Segundo a mineradora, as trincas são comuns no processo
Segundo a mineradora, as trincas são comuns no processo

Uma trinca com um centímetro de espessura e 300 metros de comprimento em uma barragem de rejeitos na cidade de Santa Bárbara, a 105 km de Belo Horizonte, tem tirado o sono de moradores da cidade.

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Da porta de casa, a aposentada Elenice Geralda da Silva não disfarça o olhar angustiado. Ela faz parte de uma das 100 famílias que moram em Barra Feliz, bairro de Santa Bárbara que pode desaparecer em caso de rompimento da barragem.

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Outros três bairros também seriam atingidos. O temor das cerca de 1.000 pessoas quem vivem na região aumentou desde o fim do mês passado, quando a estrutura apresentou trincas com cerca de um centímetro de espessura e que podem chegar a 300 metros de comprimento.

“Desde quando aconteceu em Bento Rodrigues a gente pede mais transparência para que a empresa tenha uma responsabilidade maior com a segurança das comunidades”, ressalta Roseni Ambrozio, representante dos moradores.

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A barragem Córrego do Sitio II tem 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério e ouro, quantidade semelhante à do reservatório de Córrego do Feijão, que se rompeu em Brumadinho, em janeiro de 2019. Os moradores reclamam que as informações demoram a ser repassadas.

“Quando acontece algum evento na barragem a empresa demora uma ou duas semanas para informar. A partir do momento que demoram a repassar à comunidade, nos deixa inseguros”, explica o sondador, Reginaldo Martins.

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Segundo a mineradora, as trincas são comuns no processo de descaracterização da barragem, mas as obras foram suspensas temporariamente. A empresa alega que a estrutura está estável e segura e que o nível de emergência foi elevado para 1 por prevenção. A medida garante o monitoramento 24 horas por dia. Neste nível de alerta não há risco iminente de rompimento e as pessoas que estão na zona de auto salvamento não precisam ser retiradas.

A AngloGold Ashanti reforçou que está trabalhando com as autoridades e mantendo a comunidade informada sobre todos os passos. O Governo de Minas Gerais afirmou que está ciente das trincas e que não houve alteração na estrutura da barragem.

A promotoria de Justiça de Santa Bárbara informou que há um inquérito que acompanha o surgimento das trincas e que o Ministério Público já pediu diligências da auditoria independente e dos órgãos competentes para avaliar as condições de segurança e estabilidade da barragem. Já a Agência Nacional de Mineração disse que monitora a situação e as ações da empresa e da consultoria especializada para resolver o problema.

Histórico

Os moradores relatam que a incerteza ronda a região há anos. Em janeiro de 2021, um erro no acionamento das sirenes de emergência causou pânico. Já em outubro passado, a notícia de outras trincas fez com que o Ministério Público abrisse uma investigação. A situação foi resolvida no mês seguinte. Em janeiro deste ano, o vazamento de rejeitos do que seria uma pilha a seco, trouxe caos à comunidade.

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