Minas Gerais Vereador denuncia 'operação abafa' para livrar colega de cassação

Vereador denuncia 'operação abafa' para livrar colega de cassação

Mateus Simões diz que parlamentares relataram ameaças para que relatório que acusa Wellington Magalhães de quebra de decoro não seja aceito

Vereador diz que colegas estão com medo

Vereador diz que colegas estão com medo

Divulgação/CMBH/Karoline Barreto

O vereador Mateus Simões (Novo) denunciou uma articulação na Câmara Municipal de Belo Horizonte para que um pedido de cassação de seu colega, o verador Wellington Magalhães (DC), protocolado no fim do mês passado, seja arquivado. 

Simões chamou de "operação abafa" uma série de ações tomadas por um grupo de parlamentares ligados a Magalhães nos últimos dias. Entre elas estão relatos de ameaças, recados a outros colegas e até mesmo uma "união de forças" para que outras investigações terminem sem responsabilização. 

O primeiro sinal desse movimento teria sido a rejeição, em plenário, do pedido de cassação do vereador Flávio dos Santos (PODE). Acusado de tomar parte dos salários de seus assessores, uma prática conhecida como "rachadinha", o parlamentar teve um pedido de cassação de seu mandato rejeitado antes mesmo de que alguma investigação fosse aberta. 

A denúncia levava em conta a divulgação de uma gravação no gabinete de Flávio, em que ele explicava que precisava do dinheiro para ressarcir os cofres públicos em R$ 200 mil, por causa de uma irregularidade em uma emenda parlamentar da deputada estadual Arlete Magalhães (PV), irmã de Wellington. O dinheiro da emenda teria como destino uma ONG na qual Flávio já foi presidente. 

"Já se fala, também, em uma articulação para barrar o processo de cassação do vereador Cláudio Duarte. É uma troca de apoios. Se isso acontecer, vai ficar evidente para a população", opina Simões. 

Vereador pelo PSL, Duarte chegou a ser preso em abril deste ano depois de denúncias de que ele também operava um esquema de "rachadinha" em seu gabinete.

O parlamentar foi indiciado por três crimes e o processo de cassação de seu mandato está em curso na Câmara Municipal de Belo Horizonte. No entanto, o pedido ainda deve ser votado em plenário e só será confirmado caso tenha 28 votos favoráveis, entre 41 vereadores. 

Simões ainda denuncia que um grupo ligado a Wellington Magalhães resolveu apresentar uma denúncia contra o ex-presidente da Casa Henrique Braga (PSDB). Para ele, isso seria uma forma de constranger a atual diretoria da Casa. 

"Estamos entrando em uma onda de dossiês, com objetivo de amedrontar a Presidência da Câmara para que a leitura do relatório não seja feita. O caso do Henrique Braga já foi investigado e arquivado pelo Ministério Público", conta Simões. 

A reportagem entrou em contato com o gabinete do vereador Wellington Magalhães, que disse que, por orientação de seus advogados, não iria se manifestar sobre a denúncia de Mateus Simões.

Magalhães chegou a ser preso em 2018

Magalhães chegou a ser preso em 2018

Reprodução/Facebbok

Relembre o caso

Wellington Magalhães retomou o mandato no 17 de junho, após passar um ano e duas semanas afastado do cargo. Investigado pela Polícia Civil por desvio de recursos públicos por meio de fraudes em contratos de publicidade da Casa, o vereador foi autorizado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) a retomar suas atividades.

O vereador foi um dos alvos da Operação Sordidum Publicae e chegou a ficar preso por cinco dias, em abril do ano passado. Em agosto de 2018, respondeu a um pedido de cassação aberto pela Câmara. No entanto, com 21 votos a favor e 15 abstenções, o parlamentar acabou sendo absolvido pelos colegas. O mínimo necessário para cassação do mandato de um vereador é 28 votos.

Novo pedido de cassação

O vereador Mateus Simões protocolou um novo pedido de cassação do mandato de Wellington Magalhães no dia 28 de junho. O documento, com 23 páginas de acusação e mais de 100 páginas de documentos lista cinco ocasiões em que o vereador teria violado o decoro parlamentar.

Neste momento, o processo está na Procuradoria da Câmara, que não tem prazo para emitir um parecer se o relatório deve ou não seguir adiante. Para que o vereador seja investigado, o documento deve ser lido em plenário para que, só aí, uma comissão processante seja instalada.