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Vereadores de BH manobram para aprovar 'Escola sem Partido'

Proposta assinada por 14 parlamentares quer impedir que a Câmara discuta qualquer projeto que tenha os termos "gênero" e "orientação sexual"

Minas Gerais|Lucas Pavanelli, do R7

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Projeto de Lei do Escola sem Partido foi rejeitado em duas comissões em 2017
Projeto de Lei do Escola sem Partido foi rejeitado em duas comissões em 2017

Depois de derrotado em 2017, um grupo de vereadores da Câmara Municipal de Belo Horizonte tenta uma manobra para aprovar o projeto "Escola sem Partido" nas escolas municipais. Definida como inconstitucional pelo Ministério Público Federal, a proposta está na pauta e pode ser aprovada em 1º turno ainda nesta quinta-feira (9), caso consiga 28 votos favoráveis dentre os 40 possíveis na Casa. 

A PELO (Proposta de Emenda à Lei Orgânica 3/2017) inclui um parágrafo no artigo 158 da Lei Orgânica de Belo Horizonte que, na prática, impediria que a própria Câmara Municipal discutisse sobre qualquer proposta que apresente os termos "gênero" ou "orientação sexual".


Conforme o texto, "não será objeto de deliberação qualquer proposição legislativa que tenha por objeto a regulamentação de política de ensino, currículo escolar, disciplinas obrigatórias, ou mesmo de forma complementar ou facultativa que tendam a aplicar a ideologia de gênero, o termo gênero ou orientação sexual".

A justificativa apresentada pelos 14 vereadores que assinam o texto diz que a formação, percepção e orientação sexual devem "ficar a cargo da família". 


"Entendemos que a orientação sexual nas escolas deve conter-se em informações biológicas, morfológicas, como sempre se viu até o momento. A orientação sexual dentro da escola deve, portanto, ser voltada para a promoção da saúde das crianças e não como intervenção de crenças e valores", diz o texto.

No entanto, para o Ministério Público Federal, a PELO é inconstitucional já que limita deliberação da Câmara sobre o assunto. 


"A imposição de silêncio parlamentar sobre o tema, ora transformado

em dogma, representa grosseira negativa de promoção de políticas públicas


tendentes a eliminar o preconceito e quaisquer formas de discriminação na

sociedade, lesionando-se princípios e objetivos fundamentais da República brasileira", diz o MP em análise enviada à Casa.

Derrota 

A PELO 3/2017 foi apresentada por vereadores de Belo Horizonte em outubro de 2017 depois que o Ministério Público Federal notificou a Casa de que um outro Projeto de Lei que pretendia instituir o programa "Escola sem Partido" era inconstitucional. 

O projeto acabou sendo rejeitado tanto pela Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura, Desporto, Lazer e Turismo, quanto pela Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor. 

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