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BYD supera Ford em vendas globais: o que aconteceu com a marca norte-americana?

Ford vem perdendo espaço na Europa, apostou em carros elétricos e agora fica atrás da gigante chinesa

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

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BYD Song Pro tem preço a partir de R$ 147,9 mil Marcos Camargo Jr 31.01.2026

A BYD ultrapassou a Ford Motor Company no ranking global de vendas em 2025, marcando a primeira vez em que a montadora chinesa vendeu mais carros que a Ford.

Enquanto a BYD alcançou 4,6 milhões de unidades vendidas, a Ford ficou em torno de 4,4 milhões, refletindo a perda de tração da marca americana em mercados centrais como Europa e China.


BYD Song Plus foi lançado no Brasil em 2022 Marcos Camargo Jr 27.07.2025

O resultado intensifica as críticas ao foco da Ford em veículos elétricos de alto custo e à sua posição relativamente fraca frente à capacidade de produção e competitividade da BYD em EVs acessíveis.

BYD Dolphin Mini azul em movimento BYD/Divulgação

Nos últimos anos a Ford apostou em estratégias como a do Mustang Mach-E que vendeu bem só nos Estados Unidos, em parcerias como a estabelecida com a Volkswagen que resultou em carros como o Capri.


Na América do Sul, o único projeto bem-sucedido foi a Ranger, que vem crescendo sobre concorrentes tradicionais e produtos importados de nicho vindos da China ou Estados Unidos.

Estratégia elétrica custou caro

Nos últimos anos, a Ford apostou pesado na transição para veículos elétricos, dedicando recursos significativos à sua divisão de EVs. Em 2025, sua unidade elétrica acumulou perdas de cerca de US$ 4,8 bilhões, com vendas que ficaram abaixo das expectativas em modelos como o SUV elétrico Mustang Mach-E, a picape F-150 Lightning e a van E-Transit. Essas quedas levaram a empresa a reavaliar sua estratégia e adotar foco maior em elétricos mais acessíveis e híbridos.


Ford Mustang Mach-E vendeu bem apenas nos Estados Unidos Ford/Divulgação

O Mustang Mach-E, um dos pilares da ofensiva elétrica da Ford, também enfrentou problemas de produto e segurança, incluindo recalls que afetaram milhares de unidades devido a defeitos que poderiam prender ocupantes nos próprios veículos, o que chegou a paralisar vendas em determinados mercados. O preço alto também afastou compradores especialmente após o fim dos incentivos públicos.

Ford F-150 Lightning é a versão elétrica da F-150 Ford/Divulgação

Outra consequência da estratégia foi o rombo financeiro que acumula prejuízos bilionários, com estimativas de perdas que podem chegar a US$ 19,5 bilhões (cerca de R$ 100 bilhões) relacionados à revisão da divisão de elétricos.


Parceria inesperada com Renault para recuperar competitividade

Em um movimento atípico na história recente da empresa, a Ford firmou uma parceria estratégica com a Renault na Europa para desenvolver e produzir carros elétricos de baixo custo e veículos comerciais.

A aliança aproveita a plataforma e fábricas da Renault na França, com os primeiros veículos previstos para chegar ao mercado europeu em 2028. A iniciativa busca enfrentar a concorrência crescente dos EVs chineses, que têm capturado participação no continente.

No Brasil, após reestruturação, marca vai bem

No Brasil, a história recente da Ford foi marcada por fechamento de fábricas e fim da produção local. A unidade de São Bernardo do Campo, durante décadas núcleo industrial da marca no país, foi desativada, assim como outras linhas de montagem que produziam modelos como o Ford Ecosport e o Troller T4.

Atualmente, a marca atende o mercado brasileiro com veículos importados, como o Ford Territory, Maverick, Bronco e outros veículos de nicho sem produção local. Neste cenário a Ranger de nova geração feita na Argentina vai bem. É a segunda picape mais vendida do país e no último ano cresceu 9% nas vendas.

O desafio da Ford agora é equilibrar sua presença em elétricos mais acessíveis, híbridos e modelos a combustão eficientes, ajustando investimentos, parcerias e portfólio para reconquistar participação de mercado global.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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