CAOA Chery supera 400 mil carros no Brasil após trocar compactos por SUVs
Marca iniciou operação em 2009 com modelos como QQ e Face; parceria com a CAOA, produção em Goiás e expansão da família Tiggo sustentaram o crescimento

A CAOA Chery ultrapassou a marca de 400 mil veículos emplacados no Brasil, considerando a trajetória iniciada pela Chery em 2009. Hoje também parceira da Changan, a marca brasileira já foi sócia da Hyundai e conta com uma grande operação no país. Segundo a fabricante, é a primeira marca de origem chinesa a atingir esse volume no mercado. O resultado acompanha uma transformação de posicionamento: dos compactos de entrada que marcaram os primeiros anos, a empresa passou a concentrar sua operação em SUVs, ampliou a produção nacional e agora busca compradores em faixas mais altas de preço.
Somente entre janeiro e setembro de 2026, a CAOA Chery contabilizou mais de 66 mil emplacamentos, conforme os dados divulgados pela companhia. O desempenho mostra o peso que a operação ganhou desde a associação com o grupo brasileiro, firmada em novembro de 2017, em um mercado que hoje recebe uma nova rodada de concorrentes chinesas.

Quando chegou ao Brasil, a Chery tinha uma proposta diferente da atual. Modelos como QQ, Face e, posteriormente, S-18 buscavam espaço entre os carros pequenos, enquanto Cielo e Celer ampliavam a presença nos segmentos de hatches e sedãs. O Tiggo original já colocava a fabricante no mercado de SUVs, mas ainda estava distante da família de utilitários que se tornaria o centro do negócio.
A mudança ganhou força com a criação da CAOA Chery. A parceria reuniu os projetos e a tecnologia da fabricante chinesa à estrutura industrial, comercial e de serviços do grupo brasileiro. Em 2018, o Tiggo 2 e o Arrizo 5 marcaram o início dessa nova etapa, com produção nacional e renovação gradual do catálogo.

Nos anos seguintes, o crescimento passou a se apoiar principalmente no complexo industrial de Anápolis, em Goiás. A fábrica recebeu os SUVs Tiggo 5X e Tiggo 7 e, depois, o Tiggo 8, que ampliou a atuação da marca entre os modelos de sete lugares. O Arrizo 6 manteve a participação no mercado de sedãs, embora os utilitários tenham assumido o protagonismo nas vendas e nos lançamentos.
Com diferentes tamanhos, configurações e motorizações, a família Tiggo permitiu à empresa alcançar públicos distintos e reduzir a dependência dos carros de entrada que haviam orientado sua estreia.
A expansão também exigiu investimentos industriais. A CAOA informa um aporte recente de R$ 3 bilhões dentro de um plano de R$ 8 bilhões destinado ao complexo de Anápolis. Os recursos contemplam aumento da capacidade produtiva, automação, contratação de trabalhadores e desenvolvimento de fornecedores locais. A nacionalização ganha relevância em um momento de concorrência crescente e de busca por maior competitividade nos custos.

Outra frente foi a eletrificação. Em 2022, a CAOA Chery apresentou uma linha que reunia os híbridos leves de 48 volts Tiggo 5X Hybrid e Tiggo 7 Hybrid, o Tiggo 8 híbrido plug-in e o compacto elétrico iCar. Eram soluções distintas: enquanto o sistema de 48 volts auxilia o motor a combustão, os híbridos plug-in permitem recarga externa e oferecem maior participação da propulsão elétrica.
Mais recentemente, os Tiggo 7 e Tiggo 8 receberam novas configurações híbridas plug-in, reforçando a presença da empresa em uma faixa que se tornou uma das principais frentes de disputa entre fabricantes tradicionais e marcas chinesas.
O lançamento do Tiggo 9 foi passo mais recente da Caoa. Posicionado no topo do portfólio, o SUV chega com alternativas a combustão e híbrida plug-in e amplia a tentativa da CAOA Chery de conquistar consumidores que procuram mais espaço, equipamentos e tecnologia.
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