Raro ônibus Greyhound dos anos 1950, feito em alumínio, vai a leilão nos EUA
Greyhound Scenicruiser tem menos de 200 unidades sobreviventes e é desejado por colecionadores

Um dos ônibus mais reconhecidos da história dos Estados Unidos vai a leilão em Las Vegas. O GMC PD-4501 Scenicruiser de 1954, com a tradicional pintura da Greyhound, será oferecido pela Mecum em 14 de novembro de 2026.
E o exemplar tem uma particularidade: segundo a leiloeira, trata-se da unidade de produção número 001, identificada pelo chassi PD4501001.
Lateral dianteira da Volkswagen Tukan cabine simples 2027
Marcos Camargo Jr. 21.08.2026
Esse veículo construído em alumínio representou o início das viagens de longa distância pelas estradas nos EUA e inspirou modelos similares no mundo inteiro incluindo o Scania CMA usado pela viação Cometa no Brasil.

Com carroceria prateada, grandes janelas e uma elevação no teto logo depois da seção dianteira, o Scenicruiser tornou-se símbolo das viagens rodoviárias americanas.
Seu desenho expressava o otimismo dos anos 1950, quando fabricantes buscavam transformar o próprio deslocamento em uma experiência, com mais conforto e uma vista privilegiada da paisagem.

A raridade começa pela produção limitada. Foram apenas 1.001 exemplares destinados à Greyhound, incluindo o protótipo posteriormente incorporado à série.
Estimativas citadas pela imprensa especializada apontam cerca de 200 sobreviventes, em condições variadas de conservação. Muitos perderam o interior de passageiros ao serem transformados para outros usos.

No ônibus anunciado pela Mecum, a configuração mantém 43 lugares: dez na parte dianteira mais baixa e 33 no salão elevado. São aproximadamente 12,2 metros de comprimento, com suspensão pneumática, pintura branca e azul e acabamento interno em dourado e preto. A leiloeira não divulgou uma estimativa de preço para o lote.

A disposição dos passageiros explica uma das principais curiosidades do projeto. Apesar da aparência, o Scenicruiser não é um ônibus de dois andares completos.
A seção traseira elevada melhora a visão dos ocupantes e abre espaço para grandes bagageiros abaixo do salão, sem exigir a altura de um modelo integralmente double-decker. A solução lembra os vagões panorâmicos que também fizeram sucesso nas ferrovias americanas.

Outro destaque está na construção monocoque de alumínio. Nesse conceito, a própria estrutura da carroceria participa da sustentação dos esforços do veículo. O material ajuda a controlar o peso de um ônibus de grandes dimensões, enquanto o revestimento externo com frisos horizontais se tornou parte essencial de sua identidade.
O brilho característico das laterais vinha do alumínio aparente, e não de uma carroceria inteiramente cromada. O Pacific Bus Museum registra essa construção entre as características do modelo preservado em seu acervo.
BYD Dolphin Mini 2026
Motor V8 9,3 litros
A mecânica é igualmente curiosa. O exemplar do leilão utiliza um Detroit Diesel 8V-71, motor V8 a diesel de aproximadamente 9,3 litros, associado a um câmbio manual de quatro marchas.
A Mecum confirma que o conjunto foi instalado posteriormente, mas não informa potência e torque específicos desta unidade.

O motor V8 originalmente tinha 318cv combinado com transmissão manual de três velocidades. Nos anos 1960 os ônibus da Greyhound foram convertidos para 385cv e transmissão de quatro marchas.

Esse Detroit pertence à família de motores diesel de dois tempos. Seu funcionamento utiliza um soprador para admitir ar e ajudar a expulsar os gases da combustão.
Diferentemente de um motor de quatro tempos, cada cilindro completa seu ciclo a cada volta do virabrequim, uma característica marcante dessa geração de propulsores pesados.

Mas o Scenicruiser não nasceu com um V8. Os primeiros ônibus saíram com dois motores diesel de quatro cilindros trabalhando em conjunto para movimentar uma única transmissão.
A solução incomum procurava atender às exigências de desempenho do veículo, mas trouxe complexidade e problemas de confiabilidade. Esses motores tinham só 160 cv e câmbio de três marchas.

A correção veio no início dos anos 1960. Segundo o Pacific Bus Museum, a Marmon-Herrington executou a substituição dos conjuntos duplos pelos Detroit Diesel 8V-71 em um programa iniciado em outubro de 1961, com duração de 11 meses.
A mudança também adotou a transmissão Spicer de quatro marchas e permitiu que os ônibus continuassem nas principais linhas da Greyhound por mais uma década.
Ar-condicionado, banheiro e suspensão a ar completavam uma proposta sofisticada para a época. Mais de sete décadas depois, o interesse pelo Scenicruiser está nessa combinação de engenharia pouco convencional e desenho imediatamente reconhecível.
No caso do exemplar de Las Vegas, a identificação como primeira unidade de produção acrescenta relevância histórica a um veículo que ajudou a definir a imagem do transporte rodoviário americano.
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