Governo avalia impacto após EUA classificarem PCC e CV como organizações terroristas
Planalto discute reação oficial e avalia impacto real da medida

O governo do presidente Lula iniciou uma análise interna sobre os impactos da decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A medida, anunciada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, provocou preocupação dentro do Palácio do Planalto, especialmente pelos possíveis efeitos econômicos e diplomáticos da decisão.
Segundo fontes do governo ouvidas pelo Blog, ainda não há um posicionamento fechado do Brasil porque a equipe técnica tenta compreender o real alcance da medida adotada pelos EUA.
A preocupação principal é entender “o que representa, o que representou em outros casos e qual o alcance na economia real”, além de possíveis consequências envolvendo sanções internacionais.
Integrantes do governo afirmam que os EUA decidirem classificar os grupos como organizações terroristas nunca foi considerado improvável dentro da área diplomática e de inteligência. “Nunca foi um cenário descartado”, afirmou uma fonte do governo, sob reserva.
Auxiliares de Lula também defendem que o Brasil já vem ampliando ações de combate ao crime organizado e de estrangulamento financeiro das facções. Interlocutores citam operações recentes contra lavagem de dinheiro e mecanismos usados pelas organizações criminosas para movimentação de recursos.
“O Brasil tem cooperação no combate ao crime organizado e tem feito muita coisa para estrangular o financiamento. Hoje mesmo foi feita uma operação. O governo está fazendo o dever de casa”, disse um integrante do governo.
Nos bastidores, o Planalto tenta evitar uma escalada diplomática imediata com Washington. Segundo fontes da área internacional, os canais entre os dois governos permanecem abertos, mas ainda não há previsão de contato direto com Marco Rubio para discutir formalmente a decisão americana.
A avaliação interna é de que qualquer reação precisará ser cuidadosamente calibrada para evitar ruídos na relação bilateral e, principalmente, impactos econômicos.
Um dos pontos que mais incomodaram integrantes do governo foi o timing do anúncio, ocorrido um dia após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos.
No Planalto, auxiliares interpretaram o movimento como resultado de pressão política articulada por brasileiros junto ao governo americano. “Mais um lance do lobby de brasileiros contra o Brasil. Não é contra uma organização ou outra; o impacto pode recair, de novo, sobre a economia real”, afirmou uma fonte governista.
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