Lula vai ao RS com estratégia de reação à crise no STF
Campanha decide reforçar defesa de mudanças no Judiciário e aumentar presença do presidente nas redes; petista combina entregas do governo e ato eleitoral em terreno difícil
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Depois de uma semana em que a crise no STF (Supremo Tribunal Federal) preocupou aliados e interferiu na estratégia eleitoral, o presidente Lula chega ao Rio Grande do Sul nesta sexta-feira (11), tentando retomar a ofensiva da campanha em uma das regiões mais difíceis para o petista.
A orientação é aumentar o tom na defesa de mudanças no Poder Judiciário e ampliar a presença do próprio Lula nas redes sociais, além de reforçar o discurso de combate contra o caso Daniel Vorcaro.
A avaliação da campanha é que a crise mudou a conjuntura e exige uma postura mais enfática do presidente e do PT.
Internamente, a sensação no governo é que a crise no STF deu uma “arrumada” depois das decisões tomadas pelo presidente da Corte, Edson Fachin. Ainda assim, o episódio permanece no centro das preocupações eleitorais. Entre aliados, há expectativa de que uma nova decisão possa retirar do ministro André Mendonça a condução do caso.
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É nesse cenário que Lula desembarca no Rio Grande do Sul, um dos estados considerados mais desafiadores pela campanha. Além de reagir à crise nacional, a passagem foi planejada para tentar colocar novamente no centro do discurso as entregas do governo e a atuação federal no estado.
À tarde, Lula terá duas agendas presidenciais. Em Canoas, participa de uma reunião com o governador e prefeitos para discutir o Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos, voltado a financiar obras de reconstrução, prevenção e adaptação diante de eventos climáticos.
Depois, segue para Viamão, onde visita a sede própria do campus do IFRS (Instituto Federal do Rio Grande do Sul), adquirida com recursos federais.
Há um objetivo político por trás da combinação das agendas. Integrantes do governo avaliam que Lula precisa mostrar mais diretamente aos gaúchos o que a União fez no estado depois das enchentes e transformar os investimentos na reconstrução em reconhecimento da população.
O governo federal fez da reconstrução do Rio Grande do Sul uma de suas principais vitrines depois da tragédia climática. A avaliação, porém, é que ainda existe uma distância entre o volume de ações anunciadas por Brasília e a percepção de parte dos gaúchos sobre a atuação do governo.
À noite, Lula troca a agenda presidencial pelo palanque. O petista participa de um ato no Centro de Porto Alegre ao lado de Juliana Brizola (PDT), candidata ao governo, e Edegar Pretto (PT), vice; dos candidatos ao Senado Paulo Pimenta (PT) e Manuela d’Ávila (PSOL), além da primeira-dama Janja.
O desafio eleitoral no Sul aparece nas pesquisas. Pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quinta-feira (10) mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 42% e Lula com 39% no primeiro turno, em empate técnico. Em uma eventual disputa de segundo turno, porém, a distância aumenta: Flávio aparece com 53% e Lula, com 42%. Lula também registra rejeição de 53% entre os eleitores gaúchos.
Por isso, mais do que necessariamente virar o jogo no estado, a campanha trabalha para diminuir a diferença em relação à direita no Rio Grande do Sul e reduzir a rejeição ao presidente. Nesse esforço, a atuação federal depois das enchentes é considerada uma das principais ferramentas para tentar ampliar o diálogo com o eleitor gaúcho.
As novas diretrizes da campanha foram discutidas nesta quinta-feira (10), durante uma reunião da Executiva Nacional do PT.
O presidente do partido e coordenador da campanha, Edinho Silva, afirmou que a crise no Supremo alterou a conjuntura e que o partido precisa ser mais enfático na defesa de uma reforma do Judiciário.
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