Logo R7.com
RecordPlus

Crescimento de Douglas Ruas revive pesadelo em Eduardo Paes no Rio de Janeiro

A perspectiva de segundo turno reforça a mudança no ambiente eleitoral

Blog do Bruno Soller|Bruno SollerOpens in new window

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Eduardo Paes, inicialmente favorito, enfrenta queda nas intenções de voto, passando de 53% em 2025 para 35% atualmente.
  • Douglas Ruas, do PL, cresce nas pesquisas, alcançando 21% a 23% das intenções de voto, consolidando-se na segunda posição.
  • Douglas Ruas possui um potencial de voto de 42%, com 30% do eleitorado ainda não o conhecendo suficientemente.
  • A perspectiva de segundo turno entre Paes e Ruas sinaliza uma disputa eleitoral mais acirrada no Rio de Janeiro.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Eduardo Paes e Douglas Ruas aparecem na frente nas pesquisas no Rio de Janeiro Montagem: Onofre Veras/TheNews2/Estadão Conteúdo; Paulo Carneiro/Ato Press/Estadão Conteúdo

Durante boa parte da pré-campanha, a eleição para o governo do Rio de Janeiro parecia ter um roteiro previamente escrito. Eduardo Paes, prefeito da capital, político mais conhecido entre os nomes colocados na disputa e dono de uma estrutura partidária robusta, aparecia como ultra favorito.

A dúvida parecia estar menos em saber se venceria e mais em descobrir se conseguiria liquidar a eleição ainda no primeiro turno.


Veja Também

Os novos números da Real Time Big Data mostram que esse cenário mudou.

Eduardo Paes permanece na liderança, com 35% das intenções de voto, mas sua trajetória é de queda contínua. Em outubro de 2025, aparecia com 53%. Caiu para 46% em março, chegou a 37% em julho e agora registra 35%. Em menos de um ano, perdeu 18 pontos percentuais.


Paes ainda é o favorito. Mas já não é mais o candidato imbatível que parecia ser.

No sentido contrário, aparece Douglas Ruas. O candidato do PL alcançou 21% das intenções de voto no cenário com Garotinho e chega a 23% quando o ex-governador não está na disputa. Pela primeira vez, ultrapassa a barreira dos 20% e se consolida isoladamente na segunda posição.


Mais importante do que a fotografia é observar o movimento. Em julho, Douglas Ruas tinha 16%. Agora, chega a 21%, um crescimento de cinco pontos em pouco mais de um mês.

Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, já alcança 10%, exatamente a metade dos 20% registrados por Eduardo Paes.


Para um candidato que ainda está em processo de apresentação ao eleitorado fluminense, é um resultado bastante significativo.

A pesquisa de votabilidade ajuda a entender por que Douglas pode crescer mais. Hoje, 10% afirmam que votariam nele com certeza e outros 32% consideram essa possibilidade. Isso significa que seu campo potencial de voto já chega a 42% do eleitorado. Ao mesmo tempo, 30% dizem que ainda não o conhecem suficientemente para emitir uma opinião.

Esse talvez seja o dado mais estratégico de toda a pesquisa. Douglas Ruas já ultrapassou os 20% sem ser suficientemente conhecido por quase um terço dos eleitores.

Existe, portanto, um espaço relevante de expansão. Naturalmente, maior conhecimento também pode produzir aumento de rejeição, mas o ponto de partida é favorável: sua rejeição múltipla está em 29%, 13 pontos abaixo dos 42% de Eduardo Paes.

Paes enfrenta justamente o problema inverso. Apenas 4% afirmam não conhecê-lo suficientemente. Seu nome já foi submetido a praticamente todo o eleitorado e, por isso, sua capacidade de expansão parece mais limitada. Enquanto 17% dizem votar nele com certeza e 34% consideram essa possibilidade, 45% afirmam conhecê-lo e não votar nele.

É a diferença entre um candidato que ainda pode ser apresentado e outro que já precisa convencer eleitores que possuem uma opinião formada a seu respeito.

Nesse sentido, Paes corre o risco de reviver o seu pesadelo de 2018, quando viu o até então inexpressivo Wilson Witzel crescer de forma abrupta e tirar o seu sonho de comandar o Guanabara.

Os recortes também mostram que Douglas não depende apenas de um nicho eleitoral. Ele chega a 23% entre os homens, alcança 23% entre os eleitores de 16 a 34 anos e 24% entre aqueles que têm de 35 a 59 anos.

Seu desempenho cresce conforme aumenta a renda: são 19% entre quem recebe até dois salários mínimos, 21% na faixa de dois a cinco salários e 26% entre os que recebem mais de cinco salários mínimos. Nesse último grupo, a diferença para Paes cai para apenas três pontos: 29% a 26%.

Ainda há, evidentemente, um desafio importante para Douglas entre os eleitores mais velhos e de menor renda, segmentos nos quais Eduardo Paes preserva vantagens mais confortáveis. Mas esses números também indicam onde está o espaço para a próxima etapa de sua campanha.

A perspectiva de segundo turno reforça a mudança no ambiente eleitoral. Eduardo Paes venceria Douglas Ruas por 41% a 30%, uma vantagem de 11 pontos. O número, isoladamente, ainda é positivo para o prefeito. Porém, 29% dos eleitores não escolhem nenhum dos dois: 13% votariam em branco ou nulo e 16% não sabem responder.

Para alguém que iniciou o processo como franco favorito, chegar a um eventual segundo turno com apenas 41% e quase um terço do eleitorado ainda disponível está longe de representar uma posição confortável.

A eleição fluminense começa a adquirir uma dinâmica conhecida. De um lado, um candidato muito conhecido, líder, mas em trajetória de queda, com rejeição elevada e pouco espaço virgem para conquistar.

Do outro, um adversário em crescimento, que já rompeu a barreira dos 20%, possui um potencial de voto de 42% e ainda precisa ser apresentado a 30% do eleitorado.

Isso não significa que Eduardo Paes tenha deixado de ser favorito. Significa, porém, que seu favoritismo passou a ser condicionado. Sua campanha precisará interromper a queda, reconstruir a sensação de inevitabilidade e explicar por que um eleitorado que já o conhece deve voltar a escolhê-lo.

Douglas Ruas, por sua vez, entra em uma nova etapa. Já não pode mais ser tratado apenas como o candidato que herdaria o voto do PL ou ocuparia a segunda colocação. Os números começam a transformá-lo em uma alternativa eleitoral real.

A partir de agora, o desafio será converter conhecimento em voto sem permitir que sua rejeição cresça na mesma proporção.

No Rio de Janeiro, a eleição deixou de ser um passeio. E, se a curva atual não for interrompida, pode rapidamente se transformar em uma disputa aberta.

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.