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Minas Gerais tem a eleição mais incerta do Brasil em 2026

Mais do que uma eleição aberta, Minas atravessa um processo de construção tardia de suas próprias alternativas políticas

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Minas Gerais é um estado crucial nas eleições brasileiras, sendo o segundo maior colégio eleitoral do país.
  • O governador Mateus Simões trocou o partido Novo pelo PSD, mas enfrenta isolamento político e baixa aprovação.
  • A centro-direita, favorita na eleição, vive indefinições, com Cleitinho Azevedo e Marcelo Aro como possíveis candidatos.
  • O eleitor mineiro permanece indeciso, com 66% dos entrevistados sem citar espontaneamente um candidato ao governo.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões não consegue subir nas pesquisas Reprodução/Instagram/@mateus.simoesmg

No coração do país, Minas Gerais reúne características socioeconômicas que fazem do estado um dos melhores retratos do eleitorado brasileiro. Não por acaso, desde a redemocratização, nenhum presidente da República conseguiu chegar ao Palácio do Planalto sem vencer o segundo maior colégio eleitoral do país.

Se o cenário nacional permanece aberto e imprevisível, Minas acompanha essa lógica com ainda mais intensidade, protagonizando uma das disputas mais voláteis e movimentadas do ciclo eleitoral.


O primeiro grande movimento veio do próprio governador Mateus Simões. Herdeiro político de Romeu Zema, deixou o Novo para se filiar ao PSD, legenda que até então era comandada por dois importantes adversários do governo mineiro: o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

A troca partidária buscava ampliar capilaridade política e oferecer uma estrutura eleitoral mais robusta. Na prática, porém, o movimento produziu um efeito inverso. Mateus permanece relativamente isolado e representa um governo que desperta mais resignação do que entusiasmo.


Os 40% de avaliação regular registrados pelo RealTime Big Data ilustram esse quadro: a gestão não enfrenta forte rejeição, mas também está distante de mobilizar um sentimento consistente de aprovação.

Soma-se a isso o desempenho de Romeu Zema na corrida presidencial. Com apenas 12% das intenções de voto, o ex-governador encontra dificuldades para transformar sua popularidade estadual em viabilidade nacional, reduzindo também seu potencial de transferência eleitoral.


A saída do PSD transformou Rodrigo Pacheco na principal aposta do presidente Lula para construir um palanque competitivo em Minas Gerais. Filiado ao PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, recebeu o apoio do Planalto, mas recusou disputar o governo estadual. Na sequência, Marília Campos, que aparecia competitiva para o Senado, também rejeitou a missão.

Restou ao campo governista recorrer a um nome histórico: Patrus Ananias. Ministro responsável pela implantação do Bolsa Família no primeiro governo Lula, Patrus retorna ao centro da cena política para representar a esquerda mineira.


Há ainda Alexandre Kalil, hoje no PDT, que segue ocupando um espaço distinto dentro desse campo político. Ex-prefeito de Belo Horizonte e figura popular entre o eleitorado de menor renda, preserva atributos pessoais importantes, mas ainda convive com o desgaste da derrota na última eleição estadual e encontra dificuldades para romper a concentração de seu eleitorado na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Se a esquerda precisou recorrer a nomes tradicionais, é na centro-direita, favorita na disputa, que reside a maior indefinição da eleição. Líder das pesquisas durante boa parte da pré-campanha, Cleitinho Azevedo passou meses alimentando dúvidas sobre sua participação no pleito.

Flertou com diferentes projetos, aproximou-se do PL, dialogou com Marcelo Aro, manteve interlocução com Mateus Simões e jamais confirmou de forma inequívoca sua candidatura. O impasse culminou na convenção do Republicanos, partido ao qual é filiado, da qual sequer participou. Para a legenda, sua participação no processo eleitoral está encerrada.

A indefinição abriu espaço para uma ampla reorganização no campo conservador. Nikolas Ferreira tentou construir uma convergência em torno de Mateus Simões, mas o movimento não prosperou. Diante da incerteza envolvendo Cleitinho, PL e Republicanos passaram a enxergar em Marcelo Aro, do PP, um nome capaz de unificar a centro-direita.

Ex-secretário de Governo de Romeu Zema e integrante da Federação União Progressista, que reúne PP e União Brasil, Aro combina estrutura partidária, tempo de televisão e uma biografia capaz de ampliar seu alcance eleitoral. Sua atuação em defesa das pessoas com deficiência, motivada pela experiência pessoal de ser pai de uma filha atípica, confere ao candidato uma agenda reconhecida pelo eleitorado.

Ainda pouco conhecido — cerca de 40% dos mineiros afirmam não conhecê-lo —, estreia na disputa, alcançando 15% das intenções de voto, desempenho expressivo para um candidato que inicia sua trajetória estadual.

O resultado de todas essas movimentações é um quadro de absoluta indefinição. O eleitor mineiro ainda acompanha a disputa à distância. Nada menos que 66% dos entrevistados não conseguem citar espontaneamente qualquer candidato ao governo, enquanto outros 11% mencionam justamente Cleitinho, cuja candidatura, neste momento, sequer parece provável.

A menos de dois meses da eleição, Minas Gerais vive uma situação singular. Em um estado que enfrenta desafios estruturais importantes, sobretudo na área fiscal, o principal colégio eleitoral do país, depois de São Paulo, ainda busca descobrir quem efetivamente estará na disputa. Mais do que uma eleição aberta, Minas atravessa um processo de construção tardia de suas próprias alternativas políticas.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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