O Brasil voltou a comprar carro, só esqueceram de avisar a gente
As locadoras dominam vendas, enquanto consumidores comuns ficam para trás
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Caros leitores, digníssimas leitoras, no ramo automotivo a gente não diz que o mundo gira. ELE CAPOTA! E por que isso?
Porque, se no começo do ano todos os “Jênios” (eu incluso) apostavam num mercado crescendo uns 5% — e olha que isso já parecia otimista —, o mês de maio chegou para dar um tapa na cara de qualquer previsão.
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Vamos aos fatos. Maio fechou com 263,8 mil veículos vendidos.
Sim, você leu certo. Foi um resultado muito forte. Mas quão forte?
- Sobre abril (237,2 mil), tivemos alta de 11,2%.
- Sobre maio do ano passado (213,8 mil), um salto de 23,4%.
E tem mais: é o melhor mês de maio desde 2014. No acumulado do ano, já são 1,1 milhão de unidades vendidas, crescimento de 18,3% sobre janeiro–maio de 2025 (928 mil).
Lembra dos 5% que todo mundo projetava? Pois é… estamos perto de 20%. E adivinha? Esse é o melhor resultado para o período desde 2014.
Tudo lindo, maravilhoso, digno de fogos de artifício. Mas como este humilde estagiário gosta de colocar fogo no parquinho, vamos ao lado B da história.
Sim, estamos no melhor ritmo desde 2014.
Mas, se você olhar o gráfico das últimas duas décadas, percebe que o setor ainda não se recuperou totalmente do desastre político‑econômico de 2015–2016 — quando o PIB brasileiro encolheu mais de 7% em dois anos, o crédito secou, o desemprego explodiu e a renda despencou.

Resultado: ainda estamos cerca de 20% abaixo do pico pré‑crise.
Quer mais água no seu chopp? Vamos falar de quem está comprando carro novo.
Pessoas físicas
Sim, mas devagar.
- Pessoa física comprou 613 mil carros neste ano
- No mesmo período de 2025, foram 555 mil
- Crescimento de 10%
Nada mal, mas…
Pessoas jurídicas (locadoras)
Aí o jogo muda.
- PJ comprou 485 mil carros
- No ano passado foram 374 mil
- Crescimento de 30%
Ou seja: quem está puxando o mercado são as locadoras.
Perceba no gráfico abaixo que, em maio, quase 48% de todos os carros vendidos foram para pessoas jurídicas. Quase metade do mercado.

E quem está se dando bem com isso tudo?
Infelizmente, não somos nós, meros mortais consumidores. Também não são exatamente as montadoras. Quem está surfando a onda são as locadoras.
E nenhuma mais do que a Localiza. Sente o drama. No 1º trimestre deste ano, a Localiza reportou:
- Lucro líquido: R$ 1,22 bilhão
- Crescimento de 45% sobre o ano passado
- Quase 60% da receita veio da venda de veículos. Por curiosidade, a receita de locação (RAC), que deveria ser o “objetivo fim” da empresa, representou só 23%
- Foram vendidos mais de 95 mil carros no trimestre
Para você ter uma ideia do tamanho disso:
- A Localiza só não vendeu mais carros que a FIAT (111 mil)
- E vendeu mais que a Volkswagen (79 mil)
Sim, você leu certo: Localiza vendeu mais carros que a segunda maior montadora do país
Hoje, ela é simplesmente o maior lojista de seminovos do Brasil. E isso não é um negócio bom. É um baita negócio.
O mercado automotivo está bombando, mas não por causa do consumidor comum. Quem está movendo a engrenagem — e lucrando como nunca — são as locadoras.
E no meio desse salseiro todo, a Localiza virou protagonista absoluta: vende mais que montadora, gira frota como ninguém e transformou seminovos em uma máquina de imprimir dinheiro.
Se o mundo automotivo capota, a Localiza dirige o capotamento.
E aí? O que achou?
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