Defesa rebate ministro do STF, que volta a criticar militares na Saúde

'A política pública de saúde deve ser pensada e planejada por especialistas', escreveu o ministro do Supremo Tribunal Federal, nas redes sociais

Gilmar Mendes já havia dito que 'Exército estaria se associando ao genocídio'

Gilmar Mendes já havia dito que 'Exército estaria se associando ao genocídio'

Nelson Jr./SCO/STF

Gilmar Mendes manteve neste domingo (12) suas críticas à opção do Ministério da Saúde por substituir funcionários civis de carreira por militares após a posse do general Eduardo Pazuello. Do outro lado, o Ministério da Defesa já tinha rebatido em nota o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), dizendo que “vem atuando sempre para o bem-estar de todos os brasileiros” na pandemia do novo coronavírus.

Anteriormente, em uma live na internet, o ministro havia dito que o “Exército está se associando ao genocídio”, o que irritou bastante a ala militar do governo. Em 18 de junho, na Live JR, Gilmar Mendes antecipou o teor das críticas que hoje causam reação.

“Não me furto, porém, a criticar a opção de ocupar o Ministério da Saúde predominantemente com militares. A política pública de saúde deve ser pensada e planejada por especialistas, dentro dos marcos constitucionais. Que isso seja revisto, para o bem das FA [Forças Armadas] e da saúde do Brasil”, escreveu o ministro, em uma rede social, depois de fazer menção ao Projeto Rondon, que faz aniversário nesse 11 de julho, e tem a coordenação da Defesa.

As declarações de Gilmar Mendes se referem exclusivamente aos militares sem especialização na área da saúde na pasta. O esforço do Exército para socorrer a população não foi alvo de críticas.

Ainda assim, insatisfeita com as declarações, a Defesa disse em nota que “são empregados, diariamente, 34 mil militares, efetivo maior do que o da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial, com 25.800 homens”. A pasta também levantou números da Operação Covid-19.

“Os resultados mostram que a operação está atingindo os objetivos a que se propõe. De lá para cá, foram descontaminados 3.348 locais públicos; realizadas 2.139 campanhas de conscientização junto à população, 3.249 ações em barreiras sanitárias e 21.026 doações de sangue; distribuídos 728.842 cestas básicas; produzidos 20.315 litros de álcool em gel e capacitadas 9.945 pessoas para realizar ações de descontaminação”, diz o texto.

“É ainda importante destacar que já foram transportadas 17.554 toneladas de pessoal e equipamentos médicos via terrestre, 471 toneladas de pessoal e equipamentos médicos via transporte aéreo, voadas 1.334 horas, o equivalente a 14,5 voltas ao mundo”, conclui a Defesa.

O Ministério da Saúde não se manifestou. A resposta do governo ao ministro do STF ficou a cargo do Ministério da Defesa, como ocorre sempre em casos de críticas a militares que integram a gestão de Bolsonaro.