Privatização será trunfo de Guedes em encontro atípico em Davos
A sete meses do fim do mandato de Bolsonaro, ministro é estrela solitária em vitrine econômica mundial e tenta atrair investidores em cenário de guerra na Europa
Christina Lemos|Do R7

O ministro da Economia, Paulo Guedes, na Suíça para uma edição fora dos padrões do Fórum Econômico Mundial, em Davos, apresentará como trunfo à plateia de observadores internacionais as perspectivas de desestatização de gigantes do setor energético, como a Eletrobras, a PPSA e até a Petrobras. Na reta final do governo Bolsonaro, o ambiente político para o Brasil no encontro é rarefeito, e o olhar dos participantes do evento está concentrado no conflito no Leste Europeu e em seu impacto global.
O ponto alto da participação do ministro da Economia será na tarde da quarta-feira, quando ele integra o painel Perspectivas para a Dívida Global, ao lado da jovem ministra das Finanças da Itália, Daniele Franco, e de outros três debatedores, com transmissão ao vivo.
Os organizadores do fórum destacam que o montante da dívida global está alcançando o recorde de 303 trilhões de dólares, enquanto muitos governos “continuam a tomar empréstimos pesados para financiar seus planos de recuperação econômica”. E lançam uma provocação: “Quão preocupante é o acúmulo da dívida global e quais são os riscos de uma inadimplência russa contaminar outros mercados emergentes e financeiros?”.
O ministro Guedes prepara demonstrações de que o Brasil busca enfrentar a contração global e a alta da inflação, que apresentará como generalizada. Apesar do momento político pré-eleitoral, o titular da economia sustentará que o país continua apresentando excelentes oportunidades aos investidores. “Temos um pipeline de R$ 830 bilhões”, repetirá Guedes, em relação aos investimentos já contratados em diversos setores. Ele também dirá que “a reconfiguração das cadeias produtivas globais tem um papel de alta relevância no futuro do Brasil”, em referência ao novo cenário mundial no contexto da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Nesse contexto, o blog apurou que o ministro mencionará o sinal verde do TCU para a privatização da Eletrobrás, negócio que o governo estima em R$ 67 bilhões, dos quais R$ 25,3 bilhões serão pagos ao Tesouro Nacional. Também devem entrar no discurso do ministro os recentes movimentos formalizados pelo governo federal que apontam para a privatização da participação estatal no setor de petróleo, com a intenção de venda da PPSA e até da própria Petrobras.
A comitiva do Brasil numa Davos sem neve, onde ocorre o primeiro encontro presencial do WEF desde o início da pandemia, é a mais restrita dos últimos anos. Enquanto pelo menos 50 chefes de Estado estrangeiros marcarão presença, o presidente Bolsonaro não comparecerá. Além de Paulo Guedes, participarão do fórum o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, e o governador do Pará, Herder Barbalho. Como representantes do setor privado, estão confirmados nomes do mundo financeiro: Luiz Carlos Trabuco, presidente do Conselho do Bradesco, e André Esteves, do BTG Pactual.















