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Ciência para o Dia a Dia

Problema invisível da energia limpa: como reciclar as pás das turbinas eólicas

Por trás dessas estruturas, um desafio ambiental cresce, e a reciclagem térmica surge como alternativa

Ciência para o Dia a Dia|Júlia Ramos Genzini

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • As pás das turbinas eólicas, com vida útil de 20 a 30 anos, geram resíduos difíceis de descartar após o fim de sua operação.
  • Feitas de fibra de vidro e resina poliéster, essas estruturas não são biodegradáveis e ocupam grande volume em aterros sanitários.
  • O projeto "ReciclAr" busca separar a fibra de vidro da resina para reutilização, evitando o descarte inadequado e aumentando a sustentabilidade do setor.
  • A reciclagem térmica mostra-se uma alternativa viável e econômica para tratar o problema ambiental que cresce com a aposentadoria de turbinas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Energia Limpa Imagem Gerada por AI

Você já parou para pensar no que acontece com as pás das turbinas eólicas depois que deixam de funcionar?

Foi a partir dessa pergunta que descobri que as turbinas eólicas têm uma vida útil entre 20 e 30 anos e, ao final desse período, suas pás se tornam resíduos que, na maioria das vezes, são enviados para aterros sanitários, incinerados ou simplesmente descartados no meio ambiente, nos chamados “cemitérios de pás eólicas”.


O problema é que essas estruturas não são simples de descartar. As pás são feitas, em geral, de fibra de vidro combinada com resina poliéster, formando um material composto, não biodegradável e de reciclagem complexa e cara. Na prática, isso favorece soluções pouco sustentáveis para o descarte.

Além do impacto do material em si, existe também a questão do tamanho. Com comprimentos que podem chegar a 80 ou até 120 metros, essas pás ocupam um volume enorme em aterros sanitários.


Já a incineração libera gases de efeito estufa, contribuindo para a poluição atmosférica. Nos chamados “cemitérios” de turbinas, essas estruturas podem levar centenas de anos para se decompor, liberando microplásticos e substâncias químicas que contaminam o solo e a água.

Foi diante desse cenário que surgiu o projeto “ReciclAr”. A proposta é relativamente direta, mas tecnicamente desafiadora: separar a fibra de vidro da resina para que ambos os materiais possam ser reaproveitados, evitando o descarte e aumentando a sustentabilidade do setor de energia eólica.


Júlia Ramos Genzini mora em São Paulo e concluiu o ensino médio no Colégio Dante Alighieri em 2025. Seu interesse pela engenharia se consolidou ao aprofundar esse tema em sua pesquisa científica, com a qual participou de três feiras de ciências, conquistando o primeiro lugar em todas elas. Atualmente, cursa Engenharia de Produção, área em que pretende seguir desenvolvendo soluções práticas, relevantes e sustentáveis. Acervo Pessoal de Júlia Ramos Genzini

O projeto foi desenvolvido por mim, sob a orientação da professora Juliana de Carvalho Izidoro e coorientação da professora Cristiane Rodrigues Caetano Tavolaro, no âmbito do Programa Cientista Aprendiz, do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo. A pesquisa também contou com a parceria do Prof. Dr. Guilherme Lebrão e da Profa. Dra. Viviane Tavares, do Instituto Mauá de Tecnologia.

Para conduzir o estudo, preparamos amostras de fibra de vidro reforçadas com resina poliéster e as submetemos a diferentes temperaturas. A partir de análises de Microscopia Eletrônica de Varredura e Difração de Raios X, foi possível identificar o intervalo de temperatura no qual a resina é completamente removida da fibra.


O resultado possibilita aplicações interessantes. A fibra de vidro permanece íntegra após o processo e pode ser reutilizada em diferentes produtos, como telhas, painéis, tubos industriais e até componentes automotivos. Já a resina é convertida em compostos gasosos, que podem ser captados e utilizados em processos industriais, como na gaseificação de bebidas.

A reciclagem térmica, nesse contexto, mostra-se uma alternativa viável, tanto do ponto de vista técnico quanto econômico, para lidar com um problema ambiental que tende a crescer nos próximos anos, à medida que mais turbinas atingem o fim de sua vida útil.

O projeto foi premiado com o primeiro lugar em Engenharia na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) e recebeu credenciamento para a GENIUS Olympiad, uma competição internacional voltada a projetos ambientais, que será realizada em junho, nos Estados Unidos

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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