Jovens brasileiros criam sistema para conter balões e evitar incêndios
Sistema criado por estudantes do ensino médio usa inteligência artificial
Ciência para o Dia a Dia|Leonardo Paschoal Bartoccini
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Todos os anos, mais de 100 mil balões são soltos no Brasil. Apesar de serem associados às festas juninas, muitos deles terminam em incêndios, riscos à aviação e prejuízos ambientais.
A soltura de balões, também chamados de balões não tripulados, é uma tradição cultural brasileira que se originou no século 16. No entanto, a prática é ilegal desde 1998. Ainda assim, segundo o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), ela continua ocorrendo em larga escala, com impactos socioeconômicos e ambientais relevantes.
Os balões de ar quente utilizam fogo para subir e, ao cair, podem dar início a incêndios de grandes proporções. Um estudo de 2002 mostrou que, durante a década de 1990, eles foram responsáveis por 24% dos incêndios florestais no Parque Nacional da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Mais recentemente, o problema se agravou: em 2021, a queda de um balão provocou um incêndio no Parque Estadual do Juquery, em São Paulo, que atingiu cerca de 85% da área, incluindo um dos últimos remanescentes de Cerrado no estado.
Além dos impactos ambientais, os balões representam um risco significativo para a aviação. Por serem feitos de papel e não possuírem estrutura rígida, não são detectados por radares.
Entre janeiro e maio de 2023, o Aeroporto de Viracopos, em Campinas, registrou uma média de uma queda de balão na área interna a cada oito dias. Já em fevereiro de 2025, o Aeroporto Internacional de Guarulhos registrou 25 avistamentos em apenas uma hora.
Atualmente, a detecção desses objetos depende quase exclusivamente de relatos da população. Foi a partir desse cenário que surgiu o SafeSkies, um sistema de detecção e rastreamento de balões em áreas de risco, utilizando inteligência artificial.
O projeto foi desenvolvido por mim em parceria com minha colega Lara Megda Schusterschitz, sob orientação do professor Rodrigo Assirati Dias e coorientação do professor Wayner de Souza Klën, no âmbito do Programa Cientista Aprendiz, do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo.

A primeira etapa envolveu o treinamento de um modelo de detecção com mais de 6 mil imagens de balões, pássaros e aviões. Em testes controlados, o sistema atingiu 94% de precisão.
Em seguida, foi desenvolvido um mecanismo capaz de acompanhar automaticamente o objeto detectado e calcular sua posição no espaço a partir de duas câmeras.
Essas informações são combinadas com dados meteorológicos em tempo real para estimar a trajetória do balão. A partir disso, o sistema pode gerar alertas automatizados para autoridades responsáveis.
O projeto foi premiado com o primeiro lugar em Ciências Exatas e da Terra na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace). Também recebeu o Prêmio Destaque da Unidade da Federação de São Paulo e o credenciamento para a International Science and Engineering Fair (ISEF), a maior feira pré-universitária do mundo, que será realizada entre 9 e 15 de maio, em Phoenix, nos Estados Unidos.
Nas próximas semanas, o protótipo será instalado no Parque Estadual do Jaraguá para testes em ambiente real. A proposta é comparar as detecções do sistema com os avistamentos feitos pela população local. O objetivo é detectar balões a uma distância de até 2 km, utilizando hardware de baixo custo.
A tecnologia também pode ser adaptada para outras aplicações, como a identificação de pássaros, drones e outros riscos aeronáuticos.
Assim, o SafeSkies busca contribuir para céus mais seguros, a partir de uma solução acessível e baseada em ciência.
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