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Ciência para o Dia a Dia

Jovens brasileiros criam sistema para conter balões e evitar incêndios

Sistema criado por estudantes do ensino médio usa inteligência artificial

Ciência para o Dia a Dia|Leonardo Paschoal Bartoccini

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudantes brasileiros desenvolveram o SafeSkies, um sistema de detecção de balões utilizando inteligência artificial.
  • A prática de soltar balões, além de cultural, é ilegal e causa incêndios e riscos à aviação.
  • O sistema alcançou 94% de precisão e será testado no Parque Estadual do Jaraguá.
  • Este projeto recebeu prêmios significativos e pode ser adaptado para outras aplicações, como identificação de drones e pássaros.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

SafeSkies, inovação brasileira para detectar balões ilegais Imagem Gerada por AI

Todos os anos, mais de 100 mil balões são soltos no Brasil. Apesar de serem associados às festas juninas, muitos deles terminam em incêndios, riscos à aviação e prejuízos ambientais.

A soltura de balões, também chamados de balões não tripulados, é uma tradição cultural brasileira que se originou no século 16. No entanto, a prática é ilegal desde 1998. Ainda assim, segundo o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), ela continua ocorrendo em larga escala, com impactos socioeconômicos e ambientais relevantes.


Os balões de ar quente utilizam fogo para subir e, ao cair, podem dar início a incêndios de grandes proporções. Um estudo de 2002 mostrou que, durante a década de 1990, eles foram responsáveis por 24% dos incêndios florestais no Parque Nacional da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Mais recentemente, o problema se agravou: em 2021, a queda de um balão provocou um incêndio no Parque Estadual do Juquery, em São Paulo, que atingiu cerca de 85% da área, incluindo um dos últimos remanescentes de Cerrado no estado.


Além dos impactos ambientais, os balões representam um risco significativo para a aviação. Por serem feitos de papel e não possuírem estrutura rígida, não são detectados por radares.

Entre janeiro e maio de 2023, o Aeroporto de Viracopos, em Campinas, registrou uma média de uma queda de balão na área interna a cada oito dias. Já em fevereiro de 2025, o Aeroporto Internacional de Guarulhos registrou 25 avistamentos em apenas uma hora.


Atualmente, a detecção desses objetos depende quase exclusivamente de relatos da população. Foi a partir desse cenário que surgiu o SafeSkies, um sistema de detecção e rastreamento de balões em áreas de risco, utilizando inteligência artificial.

O projeto foi desenvolvido por mim em parceria com minha colega Lara Megda Schusterschitz, sob orientação do professor Rodrigo Assirati Dias e coorientação do professor Wayner de Souza Klën, no âmbito do Programa Cientista Aprendiz, do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo.


Leonardo mora em São Paulo e cursa a 3ª série do Colégio Dante Alighieri. Desde cedo, demonstrou interesse por matemática, física e computação, área em que acumulou mais de 40 medalhas em olimpíadas científicas nacionais e internacionais. Essa trajetória o conduziu ao desenvolvimento de projetos de pesquisa, como o SafeSkies, atualmente no centro de sua dedicação Acervo Pessoal de Leonardo Paschoal Bartoccini

A primeira etapa envolveu o treinamento de um modelo de detecção com mais de 6 mil imagens de balões, pássaros e aviões. Em testes controlados, o sistema atingiu 94% de precisão.

Em seguida, foi desenvolvido um mecanismo capaz de acompanhar automaticamente o objeto detectado e calcular sua posição no espaço a partir de duas câmeras.

Essas informações são combinadas com dados meteorológicos em tempo real para estimar a trajetória do balão. A partir disso, o sistema pode gerar alertas automatizados para autoridades responsáveis.

O projeto foi premiado com o primeiro lugar em Ciências Exatas e da Terra na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace). Também recebeu o Prêmio Destaque da Unidade da Federação de São Paulo e o credenciamento para a International Science and Engineering Fair (ISEF), a maior feira pré-universitária do mundo, que será realizada entre 9 e 15 de maio, em Phoenix, nos Estados Unidos.

Nas próximas semanas, o protótipo será instalado no Parque Estadual do Jaraguá para testes em ambiente real. A proposta é comparar as detecções do sistema com os avistamentos feitos pela população local. O objetivo é detectar balões a uma distância de até 2 km, utilizando hardware de baixo custo.

A tecnologia também pode ser adaptada para outras aplicações, como a identificação de pássaros, drones e outros riscos aeronáuticos.

Assim, o SafeSkies busca contribuir para céus mais seguros, a partir de uma solução acessível e baseada em ciência.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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