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Ciência para o Dia a Dia

Estudante do Ceará usa IA para mapear feminicídios e revelar padrões ocultos de violência

Pesquisa transforma milhares de registros dispersos em um mapa detalhado da violência contra mulheres no estado

Ciência para o Dia a Dia|Yanna Francisca Nogueira Queiroz

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudante do Ceará desenvolve projeto para mapear feminicídios usando inteligência artificial.
  • A pesquisa transforma mais de 5.000 registros em dados demográficos e estatísticas sobre violência contra mulheres.
  • Identificou 174 vítimas de feminicídio entre 2022 e 2025, com quase metade sendo mulheres negras.
  • Ferramenta fornece subsídios para políticas públicas e evidenciou aumento da violência letal contra mulheres no estado.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Inteligência artificial e análise geoespacial no rastreamento do feminicídio no Ceará Imagem Gerada por AI

A violência contra a mulher nem sempre começa em um registro oficial. Muitas vezes, surge primeiro em uma manchete, em uma nota policial, em uma reportagem local que rapidamente desaparece do noticiário. Entre dados fragmentados e subnotificação persistente, centenas de histórias permanecem invisíveis aos sistemas tradicionais de monitoramento.

Foi a partir dessa lacuna que surgiu o projeto “Rastreando a Demografia do Feminicídio no Ceará (2022–2025) Através do Aprendizado de Máquina e Análise Cartográfica”, desenvolvido pela estudante cearense Yanna Francisca Nogueira Queiroz com o objetivo de transformar informação dispersa em evidência científica capaz de orientar políticas públicas.


Yanna mora no Ceará e estuda com foco em projetos científicos de alto impacto. Desde cedo, é movida pela curiosidade e encontrou na ciência, especialmente na interseção entre matemática, biologia e tecnologia, seu principal interesse. Com o tempo, passou a desenvolver pesquisas voltadas à análise de dados e ao uso de inteligência artificial para compreender fenômenos complexos, como a violência de gênero no Brasil Acervo Pessoal de Yanna Francisca Nogueira Queiroz

Utilizando inteligência artificial, processamento de linguagem natural (PLN), aprendizado de máquina e análise geoespacial, a pesquisa resultou em uma ferramenta automatizada capaz de identificar, classificar e mapear casos de feminicídio a partir de mais de 5.000 reportagens e registros textuais, convertendo dados não estruturados em informações demográficas, estatísticas e cartográficas.

O sistema foi treinado para reconhecer elementos essenciais, como idade, cor da pele, localidade, data e circunstâncias do crime, permitindo uma leitura mais precisa da dinâmica da violência de gênero no estado do Ceará.


Mais do que compilar dados, o projeto buscou responder a uma questão central: é possível utilizar inteligência artificial para revelar padrões ocultos pela subnotificação? Os resultados indicam que sim.

Entre 2022 e junho de 2025, a ferramenta identificou 174 vítimas de feminicídio, revelando um cenário preocupante. Quase metade das vítimas eram mulheres negras, evidenciando a interseção entre violência de gênero, desigualdade racial e vulnerabilidade social.


A análise também mostrou que 48,7% dos casos ocorreram no contexto de relações íntimas, envolvendo parceiros ou ex-parceiros.

Com o uso do QGIS, um software de análise geográfica, e de técnicas de cartografia temática, foram produzidos mapas capazes de identificar as regiões com maior concentração de casos.


A análise mostrou que o índice de violência letal contra mulheres aumentou de 1,02 em 2022 para 1,25 em 2024 a cada 100 mil mulheres, evidenciando crescimento progressivo desse tipo de violência no estado.

O modelo Random Forest apresentou acurácia de 98,77%, evidenciando robustez técnica e potencial de aplicação prática.

Mais do que um projeto acadêmico, esta pesquisa propõe uma nova forma de compreender a violência de gênero e oferece subsídios concretos para o desenvolvimento de políticas públicas que podem salvar vidas.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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