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Ciência para o Dia a Dia

Como as aranhas viraram ferramenta de educação na periferia de São Paulo

Projeto nascido em Paraisópolis usa jogo, pesquisa e ação coletiva para reconectar estudantes com a natureza urbana

Ciência para o Dia a Dia|Maria Eduarda Vitorino Alves

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Projeto usa aranhas para ensinar educação ambiental a jovens da periferia de São Paulo.
  • Os alunos participam de um jogo educativo que aumenta a compreensão sobre a importância das aranhas no equilíbrio ambiental.
  • Os estudantes foram protagonistas em um Fórum Ambiental, propondo soluções para problemas locais como escassez de áreas verdes e saneamento precário.
  • Surgiram as Unidades Mínimas Ambientais, que envolvem a comunidade na gestão do lixo e na conservação da biodiversidade local.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Como fazer com que adolescentes percam o medo desses animais e desenvolvam uma conexão com a micro-natureza presente em suas próprias casas? Imagem Gerada por AI

As aranhas são um dos poucos indícios da natureza ainda presentes dentro das grandes cidades. Mas como transformá-las em uma ferramenta de ensino e educação ambiental para jovens da periferia de São Paulo?

Com o progressivo afastamento do ser humano do meio natural, essa distância só aumentou ao longo dos anos. O principal desafio que motivou esta pesquisa foi: como fazer com que adolescentes percam o medo desses animais e desenvolvam uma conexão com a micro-natureza presente em suas próprias casas?


A partir desse questionamento, comecei a pensar em formas de transformar esse cenário e aproximar os jovens das discussões ambientais dentro do seu próprio território.

Foi assim que desenvolvi o projeto “A percepção de adolescentes da periferia da cidade de São Paulo sobre as aranhas: desafios e possibilidades para a educação ambiental no contexto urbano, do Fórum Ambiental Local às Unidades Mínimas Ambientais”, na Escola Alef Peretz, unidade de Paraisópolis, sob orientação do professor Ednilson Quarenta.


O projeto conquistou o segundo lugar na MOSTRATEC em 2025 e o primeiro lugar na FEBRACE 2026, na categoria Ciências Humanas. Como reconhecimento, recebi a credencial para participar do ISEF, a maior feira de ciências do mundo voltada a jovens pré-universitários.

Diante desse contexto de distanciamento, iniciei uma pesquisa com 336 estudantes para compreender sua relação com o meio natural, além de entrevistar 100 adultos, divididos em dois grupos, para analisar suas percepções sobre aranhas e serpentes.


Ao identificar a forte influência desses adultos na construção de uma visão negativa sobre esses animais, tornou-se evidente o papel central da escola nesse processo, com a educação ambiental como uma aliada essencial.

Com isso, desenvolvi um jogo de tabuleiro com proposta lúdica e educativa, pensado como material didático para o ensino dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em sala de aula. O objetivo era aproximar adolescentes da periferia da natureza urbana e ensinar, de forma acessível, a importância ecológica das aranhas.


Maria Eduarda Vitorino é estudante do terceiro ano do ensino médio e moradora da cidade de São Paulo. Apaixonada pelo meio ambiente, sempre se incomodou com a pouca presença de natureza nas grandes cidades. A partir disso, passou a desenvolver um projeto científico de educação ambiental, utilizando animais peçonhentos para aproximar jovens periféricos do meio natural. Com esse trabalho, tem a oportunidade de representar sua comunidade e o Brasil em âmbito internacional. Acervo Pessoal de Maria Eduarda Vitorino Alves

O jogo foi testado com 125 estudantes da zona sul de São Paulo e apresentou resultados expressivos: 79% afirmaram ter aprendido mais com ele do que com aulas tradicionais, e 78% passaram a compreender a importância desses animais para o equilíbrio ambiental urbano.

Os resultados positivos levaram a uma nova etapa do projeto. Organizei um Fórum Ambiental Local, reunindo 30 alunos de sete escolas da zona sul. A proposta foi tirá-los do papel de ouvintes e colocá-los como protagonistas, capazes de identificar e propor soluções para os desafios do próprio território.

Entre os temas debatidos, destacaram-se a escassez de áreas verdes na periferia, o acúmulo de lixo em becos e vielas e o saneamento precário. A partir dessas discussões, os próprios estudantes construíram propostas concretas, baseadas na realidade que vivenciam.

Desse processo nasceu um novo conceito: as Unidades Mínimas Ambientais, as UMAs. A proposta é traduzir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, muitas vezes apresentados em escala global, em metas práticas e aplicáveis às comunidades locais, dando voz ativa a quem vive nesses territórios.

As UMAs têm como foco envolver diretamente os moradores na gestão do lixo urbano, garantir que suas demandas cheguem ao poder público e posicionar a escola como núcleo central de conservação da biodiversidade local, por meio de um mapeamento construído em diálogo com a população.

Mais do que um projeto escolar, este trabalho demonstra o potencial da periferia na construção de soluções reais. Ao investir na educação de jovens, formamos cidadãos mais críticos e engajados, capazes de transformar seus territórios e contribuir para um futuro mais sustentável.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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