Sob Prates, gasolina varia 16,2% mesmo sem aumento nas refinarias há 9 meses
Executivo foi demitido após um ano e cinco meses na presidência da Petrobras; nesse período, o preço passou de R$ 5,05 para R$ 5,87

O preço do litro da gasolina está sem reajuste nas refinarias desde 16 agosto do ano passado. No entanto, o valor médio cobrado nos postos teve uma variação de até 16,2%, de janeiro de 2023 a maio de 2024, período em que Jean Paul Prates ocupou a presidência da Petrobras.
Ele foi demitido pelo presidente Lula na última terça-feira (14). Em seu lugar, foi indicada a engenheira civil Magda Chambriard. O nome dela ainda precisa ser aprovado pelo Conselho de Administração da estatal.
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O preço médio da gasolina era de R$ 5,05 o litro nos postos do país, em janeiro de 2023, quando o governo Lula assumiu, nomeando Prates para a Petrobras. Nesta última semana, o valor médio do litro do combustível chegou a R$ 5,87, segundo levantamento entre 5 e 11 de maio, da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Uma variação de R$ 0,82 (16,2%).
Já a inflação acumulada nos últimos 12 meses é de 3,69%, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE. O preço da gasolina, no mesmo período, acumula alta de 6,43%, conforme o índice de inflação.
Desde maio de 2023, Petrobras tem política de preço, que prevê reajustes nas refinarias, dependendo do mercado. O modelo de precificação de combustível implementado considera os gastos da empresa na moeda nacional.
Antes a estatal utilizava os preços de paridade de importação (PPI), que se baseava em valores dolarizados, de empresas que exportam combustíveis ao Brasil. Em 21 de outubro de 2023, a empresa chegou a reduzir em 4,09% o preço do combustível nas refinarias.
A demissão de Prates ocorreu após a divulgação do balanço da companhia. A estatal fechou o primeiro trimestre de 2024 com lucro líquido de R$ 23,7 bilhões, 37,9% a menos do que há um ano, e 23,7% inferior ao registrado no trimestre anterior.
Em 2023, já havia registrado resultado financeiro com um lucro líquido de R$ 124,6 bilhões, segundo maior valor da história. Mas nos últimos meses Prates enfrentou uma crise na Petrobras, ao se opor aos ministros de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e da Casa Civil, Rui Costa, sobre a retenção de dividendos da companhia.
Depois que o Conselho de Administração decidiu reter R$ 43 bilhões em lucros extraordinários obtidos pela empresa e não os repassar aos acionistas de imediato, Prates disse a investidores que preferia ter distribuído 50% do valor, mas não teve sucesso. No fim, ele se absteve na votação.

















