Noriega: Brasileirão arrecadou 19% da Premier League em 2025
Estudo revela que falta sustentabilidade e a arrecadação dos clubes brasileiros ainda está longe do ideal
Espaço Prisma|Maurício Noriega*
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Números apresentados pelo relatório Convocados mostram que os clubes gastam muito, gastam mal e dependem de arrecadação eventual para fechar a conta — quando fecham. Falta sustentabilidade ao maior torneio do futebol brasileiro.
O futebol brasileiro é uma Ferrari conduzida por um piloto despreparado, que acelera de forma descontrolada em direção a um muro.
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Este é o quadro preocupante pintado pelo relatório “Convocados”, um dos mais importantes estudos econômicos sobre o futebol brasileiro, produzido pela OutField. Os dados são relativos ao ano de 2025.
A Série A do Campeonato Brasileiro, a estrela da companhia, salta das planilhas como um produto caro de produzir, que não gera caixa e depende de receitas eventuais. A título de comparação, as receitas da Série A do Campeonato Brasileiro equivalem a 19% da Premier League, o Campeonato Inglês, o maior torneio nacional de clubes do mundo.
Vamos aos números.
A Série A do Brasileirão gerou receitas totais de R$ 14,3 bilhões em 2025, aumento de 32% em relação a 2024. Deste valor, R$ 3,9 bi entraram nos cofres via venda de jogadores. O problema é que, se ganharam muito vendendo jogadores, os clubes gastaram mais comprando: R$ 4,4 bilhões, incremento de 17%. O custo em salários também é elevado: R$ 6,5 bi.
Ah, a Premier League gerou R$ 75,263 bilhões de reais em 2025.
Onde o calo aperta? A dívida dos clubes da Série A aumentou 15% de 2024 para 2025, batendo em R$ 17,5 bilhões. Um dado ainda mais preocupante é o EBITDA, que é a capacidade de ter dinheiro em caixa. Como um
bloco único, a Série A fechou 2025 com EBITDA negativo em R$ 500 milhões, com perdas líquidas de R$ 1,1 bilhão, aumento de 15%.
Seguramente um dos cinco maiores campeonatos nacionais de futebol do mundo, o Brasileiro é caro de produzir e não arrecada à altura de seu potencial. Esse custo do Brasileirão produz uma liquidez de 0,74x – o dinheiro em caixa é suficiente para cumprir 74% das obrigações e dívidas. Isso se imaginarmos o Campeonato Brasileiro como uma empresa com 20 sócios.
Como entidades individuais, os clubes da Série A brasileira formam uma colcha de retalhos financeiros multicolorida. Há poucos pontos verdes, alguns amarelos e vários vermelhos.
Em 2025, quatro clubes tiveram arrecadação bilionária: Flamengo, R$ 1,973 bilhão; Palmeiras, R$ 1,605 bilhão; Botafogo; R$ 1,370 bilhão; e Fluminense, R$ 1,022 bilhão. Não por coincidência, foram os quatro clubes brasileiros que participaram da Copa do Mundo de Clubes da FIFA, o que fez com que a pasta de premiação nas planilhas explodisse em 105%!. Acontece que a Copa do Mundo de Clubes é realizada a cada quatro anos, e os números são fechados a cada 12 meses.
Embora a arrecadação dos clubes da Série A tenha subido em praticamente todas as fatias da pizza, ainda há um enorme desequilíbrio entre os recheios de cada pedaço. O Dia de Jogo, que é uma receita recorrente garantida, responde por somente 3% da arrecadação. Isso envolve programas de sócio-torcedor, venda de ingressos avulsos e faturamento com bares e afins. Impulsionado pelo dinheiro das bets, o faturamento comercial representou 34%, enquanto a venda de direitos de transmissão ficou em 12% do bolo, e as vendas de jogadores em 63%.
O problema? As receitas recorrentes (sem contar venda de atletas e premiações) de R$ 9,5 bilhões são muito menores que a dívida de R$ 17,3 bilhões e estão mais próximas do custo salarial dos elencos, que é de R$ 6,5 bilhões.
Existem situações interessantes que mostram que no futebol, como na vida, nem sempre o produto caro é o melhor. Em 2025, o Mirassol foi a prova dessa máxima. Com receitas totais de R$ 183 milhões, menos de 10% do Flamengo, o clube do interior paulista terminou o Brasileirão em quarto lugar.
Corinthians e Internacional foram na direção contrária e entregaram resultado esportivo muito abaixo do orçamento. Com arrecadação de R$ 987 milhões, o Timão ficou em décimo-terceiro lugar, enquanto o Inter, décimo-sexto, arrecadou R$ 685 milhões.
No que se refere à presença de público nos estádios, verificou-se estagnação. A média de público ficou em 25 mil em 2024 e 2025, levando 9,7 milhões de torcedores ao campo de jogo em cada uma das temporadas. O valor médio dos ingressos variou de R$ 108 para os chamados grandes jogos e R$ 89 para jogos de menor interesse.
Outro ponto importante do relatório é o abismo financeiro entre Série A e Série B. A Segunda Divisão teve receitas de R$ 2 bilhões em 2024, cerca de 14% da Primeira.
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