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‘Cotovelo de tenista’: entenda o que é e como acontece essa dor

A imensa maioria das pessoas que chega ao consultório com esse quadro nunca encostou em uma raquete

Dr. Fe7ipe|Dr. Felipe AmorimOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A dor no "cotovelo de tenista" ocorre na parte lateral do cotovelo, irradiando para o antebraço e reduzindo a força de preensão.
  • Embora conhecido como "cotovelo de tenista", a condição é tecnicamente chamada de epicondilite lateral, mas não envolve inflamação clássica.
  • A condição é causada por microtraumas repetitivos nos tendões dos músculos extensores do punho, levando a uma tendinose degenerativa.
  • O tratamento eficaz envolve reabilitação com carga progressiva e ajustes ergonômicos, ao invés de repouso absoluto ou uso prolongado de anti-inflamatórios.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

'Cotovelo de tenista' e 'epicondilite lateral' são exatamente a mesma condição Imagem gerada por IA via Gemini Nano Banana

Dor na parte lateral do cotovelo que irradia para o antebraço e rouba a força de preensão ao segurar uma xícara de café ou abrir uma porta. Se você já sentiu isso, o famoso “cotovelo de tenista” pode estar dando as caras.

Apesar de ser amplamente conhecido por esse nome e de carregar o termo técnico epicondilite lateral, vale esclarecer um ponto fundamental logo de cara: “cotovelo de tenista” e “epicondilite lateral” são exatamente a mesma condição. E o detalhe mais importante é que o nome técnico esconde uma pegadinha biológica.


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O erro do nome: o termo correto é tendinose

O sufixo -ite no final de epicondilite sugere um processo inflamatório agudo. No entanto, quando olhamos o tecido sob o microscópio, a realidade é bem diferente: não há um processo inflamatório clássico.

O que ocorre é uma tendinose degenerativa. O tendão dos músculos extensores do punho — com destaque para o extensor radial curto do carpo (ECRB) — sofre com microtraumas repetitivos sem tempo adequado para a recuperação celular. Microscopicamente, o patologista não encontra células inflamatórias tradicionais, mas sim:


  • Degeneração angiofibroblástica: Um tecido cicatricial desorganizado e caótico.
  • Substituição do colágeno: As fibras de colágeno tipo I (fortes e alinhadas) dão lugar ao colágeno tipo III (mais fraco e desorganizado).
  • Neovascularização: A formação de vasos sanguíneos anômalos acompanhada por fibroblastos atípicos.

É exatamente por isso que o uso prolongado de anti-inflamatórios costuma ser uma furada no tratamento de longo prazo: você está tentando combater uma inflamação que, biologicamente, não é a protagonista do problema.

O que você precisa saber sobre o cotovelo de tenista Imagem gerada por IA via Gemini Nano Banana

Quem está na mira além do esporte?

Embora seja amplamente conhecido pelo nome nas quadras de tênis — especialmente devido a uma técnica inadequada no gesto do backhand —, a imensa maioria das pessoas que chega ao consultório com esse quadro nunca encostou em uma raquete.


O mecanismo por trás da lesão está em movimentos repetitivos de rotação do antebraço (pronação e supinação) associados a uma pegada firme. As situações mais comuns no dia a dia envolvem:

  • Trabalho manual e doméstico: Profissionais ou tarefas que exigem uso constante de ferramentas manuais — como apertar parafusos com chave de fenda, o ato mecânico de torcer panos ou roupas, ou o manuseio de tesouras pesadas.
  • Trabalho repetitivo e escritório: Longas horas de digitação e o uso inadequado do mouse, que mantêm os extensores do antebraço em contração isométrica constante.
  • Musculação e crossfit: Aumento abrupto de volume ou carga em exercícios que exigem alta força de preensão (grip strength), como barras, remadas, levantamento terra e rosca inversa.
  • Hobbies e profissões artísticas: Atividades que demandam precisão e tensão tensional contínua dos membros superiores, como tocar violão ou guitarra.

Como virar o jogo?

O manejo eficiente passa longe do repouso absoluto prolongado, que só atrofia e enfraquece ainda mais a estrutura. A chave está na reabilitação baseada em carga progressiva, com destaque para os protocolos de fortalecimento excêntrico, que estimulam os fibroblastos a sintetizarem novo colágeno e reorganizarem a matriz extracelular do tendão.


Ajustar a ergonomia, rever a técnica nos treinos e contar com um diagnóstico médico preciso para descartar compressões nervosas ou outras patologias associadas são passos fundamentais para recuperar a função sem dor.

No fim das contas, entender a mecânica e a biologia real do problema é o primeiro passo para tratá-lo na raiz.

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